Relatos de uma vida (Parte 15: Saudades)

16 mar

Capítulo XV: Saudade

Pensando a respeito de pessoas, fatos e histórias, ela questionava: “A gente pode sentir saudades do que não viveu”? E afinal, quem disse que o real é mesmo real? Quem garante que os sonhos não são a realidade, e a realidade não passa de um grande sonho? TUDO é real, pois é tudo percebido, vivido ,sentido. Quando “embarcamos” no mundo dos sonhos, seja através do sono, seja através do nosso pensamento, aquele passa a ser real. E a sensação que temos ao acordar de ter vivido aqueles momentos?
E, de repente, de tanto ouvirmos histórias, de tanto nos contarem coisas interessantes, é como se a gente “introjetasse” tais informações e passássemos a nos sentirmos, nos comportarmos de acordo com isto. Quase um mecanismo de identificação projetiva! Mas não é só isso.
Embora não se desse conta (pelo menos não de modo consciente), ela seguia buscando, especialmente durante os momentos em que seu corpo carnal descansava, orientações a respeito da vida, da sua caminhada, das coisas passadas e das coisas vindouras. E, na medida em que crescia, sentia ainda mais forte a presença de espíritos afins os quais, na presente encarnação, não havia sequer encontrado. Como pode isto? Seria obra da sua fértil imaginação? Também. Mas até esta tem uma razão de ser.
Os espíritos familiares ou “espíritos afins”, são espíritos que estão unidos através da energia que emanam, da vibração, das ondas eletromagnéticas do Universo. Vocês já pararam para pensar na razão pela qual, em um universo imenso, com milhões, bilhões, trilhões de pessoas, se aproximam de nós “exatamente” estas? E as afinidades (e semelhanças) com alguns espíritos já desecarnados, como se explica?
Ora, acontece que não é desta vida que existem tais afinidades! Se nesta encarnação temos a vívida impressão de termos “vivido” algo que não vivemos, é porque este encontro já ocorrera. Em outros tempos, em outra dimensão, mas sim, ocorrera sim! E quando a gente se refere à amigas como irmãs de alma, não imagina o quanto é verdadeira tal afirmação!
E eis que, um dia, pensando sobre isto, ela faz a seguinte reflexão:

A gente se dá conta da inexistência do tempo quando passa a sentir saudades de momentos que, em teoria, “jamais vivemos”, de pessoas que “nesta vida” jamais conhecemos. Inicialmente pode parecer estranho, mas depois entendemos que isto ocorre porque esta vida não é a única, ou melhor, únicos somos nós, mas as vidas, são muitas, e os encontros e desencontros acontecem por alguma razão. Confuso? Tento me expressar melhor: sentir saudades de alquém que partiu antes da gente nascer, nada tem de estranho. Porque mesmo que não tenhamos plena consciência disto, um dia, este encontro aconteceu. Por essas e outras que lembro e penso sempre em vocês, Renan de Souza e Itália Cassina Festugato!

De repente ela vai se dando conta que os encontros no Mundo Espiritual, à medida em que o tempo vai passando, se tornam cada vez mais mágicos e alegres. Algumas vezes, ela também toma parte, obviamente, com a devida autorização.

Em um dia de outubro, uma comemoração. E hoje o céu está em festa! Dizem que, para nossos pais, nós jamais deixamos de ser criança. Já posso imaginar a vó Eleonora preparando aqueles doces lindos e caprichados, riquíssimos de detalhes: gatinhos, cachorrinhos menino e menina, etc. E os salgadinhos? Ah, aqueles croquetes redondinhos, com embaixo um pedacinho de pepino pra enfeitar e os pastéis. Para dividir um pouco a tarefa, a torta quem fez foi a nona Itália. Enquanto isto, o vô Vercedino e o nono Piereto jogam uma partida de escova. E o aniversariante? Bem, ele está lá, em oração. Recebendo todos os bons pensamentos, as boas energias e vibrações de tantos espíritos que o querem bem, encarnados e desencarnados. Lembrando obviamente que, estando no mundo espiritual, docinhos e sagadinhos, assim como todo o resto, são “plasmados”, e os ingredientes são pura energia e amor. Então, feliz aniversário pai querido!

O que a nossa personagem não sabia é que a hora da festa seria também um momento de bate-papos e reencontros.
Pouco a pouco os convidados iam chegado. A grande maioria familiares, ou melhor, espíritos que, na última existência terrena, haviam dividido momentos e vivências.
A data havia sido programada há tempos e era esperada com ansiedade por muitos. Não importava muito quem era o celebrado (no caso, o espírito que, encarnado, desempenhara o papel de pai da nossa personagem). O mais importante era a oportunidade que estava sendo oferecida à todos.
Oportunidade? Sim, oportunidade, acima de tudo, de reencontros!
Muitas vezes, acreditando na existência de um Mundo Espiritual, tendemos (e queremos) acreditar que, necessariamente, logo após o desencarne, o espírito passa imediatamente a “viver” junto com aqueles com quem havia convivido durante o período em que esteve encarnado. Assim, pais reencontrariam filhos, famílias seguiriam reunidas, sem nenhum tipo de mudança. Mas, na verdade, nem sempre as coisas são assim.
Particularidades, individualidades, personalidades, diferenças, devem ser consideradas e respeitadas. Carmas, escolhas, missões. Vidas diferentes, papéis diferentes, e também desencarnes que se deram de forma diferente.
O desencarne é um processo individual e, embora ponha um “fim” à todo sofrimento carnal, inicialmente o espírito, apegado às questões terrenas, ainda sente, sofre, pensa e se comporta como um encarnado. Assim sendo, precisa ser curado, muitas vezes hospitalizado, enfim, ajudado. E, ao menos que fosse um Grande Hospital Geral, seria meio estranho colocarem num mesmo quarto, por exemplo, um enfartado e um doente de câncer, por exemplo.
A cada um, a cura ideal, no lugar ideal. Para isto, existem as colônias-hospitais. Obviamente, durante o período em que estão sendo curados/cuidados, recebem sim a visita dos espíritos que lhes são caros, os quais ajudam a orientá-los e confortá-los. Sim, eles estavam lá no momento do desencarne, para recebê-los, abraçá-los e seguirem, então, as suas tarefas.
Durante o período de tratamento, cuja duração é complicada de ser estabelecida, mesmo porque a percepção do tempo é completamente diversa no Mundo Espiritual, existem momentos nos quais sair do lugar onde estão e ir para outras Pátrias espirituais, é justo e inclusive terapêutico.
São diversas as ocasiões nas quais os espíritos afins, mesmo que no momento frenquentando escolas, hospitais, colonias diferentes, acabam por se reunir. Isto pode ocorrer em datas particulares, como Natal, Finados, Páscoa, etc, mas também em datas não necessariamente marcadas por algo em particular. Voltemos então à nossa história.
Como dito anteriormente, aquele seria um momento de encontros, reencontros, alegrias e muita, muita emoção.
O “aniversariante” do dia, que na Terra recebera o nome de Renan, esperava os convidados junto a seus queridos pais e sogros, tendo ao seu lado um querido sobrinho que, por ser extremamente sensível e frágil, acabou, na existência terrena, envolvido por espíritos menos evoluídos, cometendo suicídio. O seu processo de recuperação ainda seria muito longo mas, devido ao seu sincero arrependimento e ao grande amor que sua família nutria, pudera, naquele dia, estar presente na festa.
E assim, aos poucos, as pessoas, ou melhor, os demais espíritos iam chegando, amigos de infância, de longa data, parentes, pessoas a quem ajudara, enfim. Os cunhados, Chico e Waldyr, com os quais iria bater longos papos e a visita tão esperada da querida cunhada Mary, da qual a sua amada filha Marian iria herdar tantas coisas. Como sempre, ela se apresentara extremamente elegante e dona de uma simplicidade e gentileza que lhe são peculiares. E tinha também uma outra convidada muito especial: aquela que, na Terra, fora a mãe de um espírito de muita luz, que iria encontrar, a um oceano de distância, seu espírito afim. Um ao lado do outro, os espíritos Renan e Bice iriam observar, do Mundo Espiritual, o lindo encontro daquelas almas, tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas: Marian e Stefano.
Eis que voltamos a falar na nossa personagem principal. Falando nela, não apenas ela, mas muitos outros espíritos encarnados também apareceram na festa. Obviamente, tiveram que aproveitar o momento em que seus corpos, no plano terreno, estavam adormecidos. E, ao retornarem, para que pudessem seguir no cumprimento de suas missões, foram envolvidos no manto do esquecimento. (Embora uma vaga lembrança e, mais do que isto, uma forte sensação de conforto e paz permaneceria).

Quem disse que Milao é cinza???

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