Arquivo | agosto, 2017

Momento de reflexão

23 ago

20170809220502Ultimamente tenho refletido muito, sobre as mais diversas questões. Tenho pensado sobre as “coincidências” da vida, assim mesmo, entre aspas, pois na verdade eu nunca acreditei realmente que coincidências existam! Quando falo sobre isto, me refiro desde coisas simples, até coisas mais complexas. Tenho pensado no rumo que a minha vida tem tomado, nas inùmeras mudanças que enfrentei, nos porques de cada coisa, de cada passo dado ou, ao contrário, não dado. Acredito piamente que nada acontece por acaso. Ao mesmo tempo, porém, sei que temos livre arbítrio e que todas as escolhas que fiz dependem unicamente de mim. Em alguns momentos acredito estar em uma fase de plantio. Outros, acho que é hora de regar a plantação e, em outros periodos, creio que seja a hora de colher alguma coisa. Me dou conta então que, além da existência do tempo ser uma coisa muito questionável e relativa, assim também é a ordem na qual as coisas se dão.
Tem horas que penso que algumas coisas na minha vida aconteceram em ordem inversa. Nestes momentos porém é que me pergunto: e quem disse que existe uma ordem certa para as coisas acontecerem?
Aos 17 anos, eu estava na faculdade. Aos 20, estagiava, começando então uma experiência prática que me levou, mais adiante, a trabalhar em hospitais, clínicas, inicialmetne com gestantes e, mais adiantes, com pacientes oncològicos. Vi a vida de muitos começar, assim como vi muitas vidas se esvairem aos poucos. Vi lágrimas de alegria, de emoção, de sofrimento, de alívio e de dor. Vi ateus se renderem ao poder da fé, vi crentes questionarem a existência de Deus.
De repente, uma reviravolta na minha vida pessoal faz com que a minha història tome um novo rumo. Uma virada de 180 graus. Ah, seguir a minha profissão, mesmo do outro lado do mundo, será fácil. Logo serei reconhecida e tudo seguirá como antes. Pois é. No início parecia que seria realmetne assim. Estágios, voluntariado, Master. Depois disto, porém, a coisa mudou.
Oito anos se passaram e aqui estou eu, trabalhando como baby-sitter. Para grande parte das pessoas, isto acontece ao contrário: trabalham como tatas para, mais adiante, fazer a faculdade e seguir uma outra profissão, muitas vezes em uma área completamente diferente. Nos primieros anos em que aqui cheguei, derramei muitas lágrimas , não por estar buscando um trabalho como baby-sitter, mas por pensar em quanta gente que eu poderia estar ajudando com a miiha profissão de Psico-oncòloga, mas não podia, pois estava com as mãos atadas. No entanto, nunca me revoltei, muito pelo contrário.
Uma outra coisa que eu sempre acreditei é que a vida é feita de ciclos. Me dei conta de que a psicologia faz parte de mim, da minha alma, do meu jeito. E que eu podia sim, seguir fazendo a minha parte, ajudando os outros, nas mais diversas formas. De repente, me vi lidando com vida, não mais com morte. Me vi rodeada de mães cujos filhos frenquentam uma das mais caras e bom concentuadas escolas particulares da cidade. Me dei conta de que, enquanto as demais “tatas” formavam seus grupinhos isolados, comigo era diferente. Mães e pais que vinham conversar comigo, que me convidavam para participar dos papos, que me ofereciam café. Ali naquele meio, cresci ainda mais espiritualmente e alluma vezes pude ter o privilégio de conversar com aquelas crianças sobre valores. Me dei conta, então, que meu papel ali ia muito além de simplesmente acompanhar uma criança da escola até em casa, ajudar nos temas e prvidenciar a janta.
Acredito que a espiritualidade me colocou ali para plantar algumas sementinhas no coração de cada um (inclusive no meu). Em alguns momentos parece que cabe a mim mostrar para aquelas crianças que não possuir todas as versões possíveis do ultimo brinquedo da moda não é motivo para revolta, ou que se o fulano de repente está diferente, mais sério e isolado, não significa que não goste deles, mas que, ao contrário, ele esteja é precisando de um amigo, alguém que o escute sem julgar.
Nossa, quantas vezes vi, ouvi, senti pessoas inconformadas com a minha situação! Como se dedicar grande parte do dia à uma criança fosse algo sem futuro, uma perda de tempo ou, pior ainda, um desperdício do meu talento, do “dinheiro gasto na minha formação”. Mas do que vale a formação se não para fazermos uso do que aprendemos na vida, no dia-a-dia?
Tenho visto no mundo da Psicologia por aqui tanta inversão de valores, tanta disputa, tanta ambição…
Voltando ao meu trabalho atual. Às vezes, com medo do futuro, me pedem para repensar. Para decidir o que irei fazer daqui a 3, 4 anos. Eu vivi a minha vida inteira pensando num “vir a ser”. Agora, tenho, aos poucos, aprendido a viver o tempo presente. Então, me questiono: mas eu preciso REALMENTE mudar? Crianças crescem, mas outras nascem. Sim, talvez seja apenas comodismo da minha parte. Tem horas em que esta indecisão me tormenta. Por isso, tenho orado, tentando entregar nas mãos de Deus. Tenho me exercitado para confiar na providência Divina e, confesso, muitas vezes não é fácil.
Mas eu comecei falando sobre coincidências e no fim este texto acabou tomando um rumo completamente diverso. Bem, em se tratando de mim, isto é mais do que natural. Quero, no entanto, retomar esta questão.
Me refiro a coisas simples que tem acontecido, às quais darei aqui o nome de “sinais divinos” ou, melhor ainda, sincronicidades. Eis algumas:
Outro dia, não sei por que cargas d’água, eu estava pensando na minha vida e na vida da minha mãe. Fiquei pensando no fato que ela tinha recém feito uma tatuagem e lembrei dela contando que, quando criança, para ajudar a mãe que fazia doces para vender, ela ia de porta em porta fazendo, talvez, a parte mais difícil de todas: cobrando quem tinha ficado devendo. De repente, pensei: a minha mãe, quando criança, era uma adulta! Agora, ela é uma adolescente. A vida da minha mãe está acontecendo ao contrário! (E confesso que já a imaginei velhinha, rindo e brincando de roda). Mas a coisa não pára por aí! Alguns dias depois, minha mãe, via Skype, me diz, toda empolgada, que tinha conhecido um moça que fazia Mapa Astral e que iria fazer o seu. Algum tempo depois, ela me sai com algo do tipo: “A mniha vida é vivida ao contrário, eu agora estou na adolescência”. WOW!!
Um dia, na volta do almoço, minha mãe, minhas tias e meu tio resolvem ir visitar a Amália, a senhora que trabalhou lá na nossa casa por muitos anos e que ajudou a me criar. Detalhe: eles NUNCA a visitam! Ao chegaram lá, ela ficou super feliz com a notícia, e contou que, justamente naquela noite, tinha sonhado com eles, mais specificamente com meu tio e uma das tias. Ela tinha sonhado que meu tio, quase 90 anos, ia se casar. A noiva, no entanto, ela não via. Acontece que, naquele mesmo laço de tempo, eu estava pensando no meu casamento na Itália e me veio uma vontade incrível de fazer uma surpresa para este meu tio e convidá-lo para me acompanhar até o altar. Sim, tudo está ligado! Sobre a tia? Bem, o sonho era que ela tinha uma geladeira cheia de frangos, mas este é assunto para outro texto!
Uma coisa que aconteceu antes ainda: depois de uma conversa com o meu amor, comecei a pensar no que poderia fazer para dar uma aumentada na minha fonte de renda, quando, poucos dias depois, recebo uma mensagem no celular de um pai procurando alguém para ficar com seu filho nos momentos de emergência, especialmente na parte da manha. Sim, é o Universo conspirando para que as coisas aconteçam, sou eu aprendendo, aos poucos, a vencer os meus bloqueios.
Voltando a falar sobre a minha vida, eu sò tenho a agradecer, tanto pelos momentos vividos, quanto pelos momentos vindouros. Tenho pensando no meu casamento com empolgação e não podia ser diferene!
A coisa mais linda de tudo isto é que estou organizando algumas coisas completamente diferentes, mas que refletem bem o meu jeito de ser. Me dei conta de que isto so é possível porque, diante do meu amor, me sinto à vontade para me mostrar exatametne como sou. Porque, com ele, não tenho medo, não tenho vergonha, não sinto a necessidade de me enquadrar, de me adequar. Sinto como se as nossas diferenças se complementassem e que, se na hora da festa eu querer me arrebentar na pista de dança e ele preferir ficar sentado conversando com os amigos, não terá problema nenhum. Ao contrário de um amor tolo, dependente e imaturo, onde tudo tem que ser feito junto, o nosso é um amor maduro, respeitoso, um amor cuja origem vem de muito, muito tempo atrás. À ele eu tenho que dizer obrigada. Obrigada por me permitir ser quem eu sou, e por me amar exatamente assim, desse jeito!
Domingo agora completamos 9 anos de namoro. Entre altos e baixos, hoje me dou conta que nossos olhares ainda brilham quando se cruzam e que quando sorrimos um para o outro, nossos corações se enchem de emoção. Sim, eu aprendi com ele a colocar um pouquinho os pés no chão e, em troca, ele tem se permitido sonhar.
Todo texto que se preza tem início, meio e fim. Comecei a escrever pensando em uma coisa e de repente meus escritos tomaram um rumo completamente diverso. Como eu não acredito no acaso, sei que tinha que ser exatamente assim.
No meu último aniversário, ganhei dois presentes que me marcaram consideravalmente: o anel de noivado, cujo significado vai muito além de qualquer simbolismo, pois pertencera à minha futura sogra, que se encontra no Mundo Espiritual, e o Kindle, leitor de texto da Amazon. O que um anel de noivado e um leitor de texto podem ter em comum, vocês podem me perguntar. Nada, absolutamente nada. No entanto, ambos têm a ver com o momento que estou vivendo. Em possesso deste novo “livro” portátil, voltei a ler como há muito não fazia e retomei leituras ligadas à espiritualidade. Acredito que ambos os presentes me reaproximaram à vida espiritual, que, sem que eu me desse conta, estava meio descuidada. Nunca deixei de agradecer, de fazer todos os dias a minha oração. O que percebo, no entanto, é que eu precisava, sim, era modificar a minha percepção sobre algumas coisas. Fazer uma leitura diferente dos fatos que têm me acontecido, vibrar paz, vibrar luz, contagiar aqueles que me cercam com bondade e luz, ao invés de me deixar envolver em vibrações ruins. Que a vida flua, que o amor vença sempre, que tudo siga o seu curso. Sou privilegiada, e o que eu tenho para dizer é: obrigada! Obrigada Deus, obrigada seres de luz, obrigada mãe, obrigada Stefano, obrigada família (vocês são nota mil), obrigada Amália, obrigada Carlinha, obrigada amigos velhos, atuais e vindouros, obrigada crianças, obrigada mestres, obrigada ex pacientes, obrigada trabalho, obrigada, obrigada, obrigada… Obrigada vida!

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Sobre o sentido das palavras

9 ago

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Bastou que uma minha amiga me agradecesse por uma dica de leitura que eu tinha dado para que eu começasse a pensar no sentido das palavras. Tudo porque ao seu “obrigada”, eu respondi: – Como se diz em italiano, “prego”!
Foi exatamente esta expressão, ou melhor, esta simples palavra que me levou a pensar.
Em italiano, quando alguém te agradece, tu respondes “prego”. Prego vem do verbo “pregare”, que significa rezar, orar. Então, lembrei que obrigada se diz “grazie”. Grazie me fez pensar em “graças”, dar as graças, como um dom, uma doação.
Achei tudo isto tão lindo!
Tu me ofereces algo (como, por exemplo, uma dica de leitura). Eu dou graças por isto e tu, em resposta, me ofereces a tua oração.
Já em português, tentar fazer o mesmo tipo de leitura deixa as coisas meio estranhas!
“Obrigada!” Obrigada lembra “obrigação”. Como se aquele não fosse um gesto de gratidão, mas de simples obrigação formal. E a reposta?
“De nada”. Aqui, para mim, bastou acrescentar um acento! “ Dê nada”. Ou seja, não ofereça nada! Decisamente, faz pensar!
Tu me ofereces algo (como uma dica de leitura). Eu digo que o fizestes por obrigação e tu, em resposta, me dizes para não oferecer nada!
Faz sentido? Sei que estou “viajando na maionese”, mas fica a reflexão!