Identidade

25 out

No decorrer da nossa vida, a nossa identidade vai sendo construída através de várias coisas, dentre elas: o lugar em que nascemos, a cidade onde crescemos, os amigos que frequentamos, etc. Nossa identidade é diretamente associada à cultura, aos hábitos, mas também a coisas que, à primeira vista, poderiam passar despercebidas. Nossa identidade mostra a nós mesmos e ao mundo quem somos. Isto não significa, porém, que seja estática. Na verdade, ao longo da vida, ela vai sendo construída, reforçada, reconstruída e, às vezes, até modificada. Acredito porém que a sua essência, aquela sim, seja imutável. Se houve uma mudança ali, não é um mudança, mas a revelação de algo que estava adormecido.

Uma das coisas que nos “identifica” e pode dizer muito sobre nós mesmos é o sotaque. Isto mesmo, o sotaque, o jeito de falar, bem como as expressões que usamos com mais frequencia. Quando mudamos de cidade ou até mesmo de País, é o “sotaque” que nos diferencia dos demais, que nos dá uma identidade particular, que ajuda-nos a contar um pouco de nós mesmos, sem precisar dizer muito.

Pois é. Tu mudas de País e, inicialmente, todos reconhecem o teu sotaque, a tua “diferença”, que pode ser vista tanto positiva quanto negativamente. Independentemente de julgamentos, aquela és tu. O tempo passa e aos poucos aquele jeito “carregado” de falar vai ficando para trás. De repente, te vês não sem sotaque, mas com um sotaque completamente diverso. Logo pensas: estou ficando com o sotaque do pessoal daqui! Hahaha… doce ilusão!

Eis que, indo visitar o teu velho País, ou simplesmente conversando com alguém na tua dita língua mãe, te dás conta de que sim, teu sotaque não é mais o mesmo, mas também é diferente daquele das pessoas com quem convives atualmente.  Para as pessoas do teu velho País, fala como as do teu novo lar. Para as do teu novo lar, falas como as pessoas do teu velho País. Te dás conta então que nenhuma coisa nem outra é 100% verdadeira. E o cérebro vai em “tilt”.

Ok, meu sotaque revela a minha identidade. Neste momento, meu sotaque não é nem este, nem aquele. Ou seja, eu perdi. Perdi o sotaque completamente. Visto que o sotaque se associa à identidade, será que perdi esta também? Talvez.

Talvez estas mudanças oferecidas pela vida contribuam de certa forma a “deixarmos pra trás” algumas características da identidade vistas pelo senso comum, nos deixem “descontruir” alguns dogmas formados, enraizados dentro de nós e nos permitam, nos deem abertura para (re) construir uma outra (embora seja sempre a mesma) identidade. Uma identidade, porém, que é completamente nossa, exclusiva, e que nos torna pessoas singulares em um mundo tão cheio de  (l)imitações!

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