Arquivo | maio, 2016

Sobre os sinais que a vida nos dá

27 maio

Depois de uma jornada difícil, onde as lágrimas tomam conta do meu olhar e sinto a tremenda necessidade de desabafar, mais uma vez começo a questionar. Questionar fatos, escolhas, etc. Ouço e leio palavras de conforto, de ajuda e percebo o quanto sou amada por tanta, tanta gente. Uma frase de alguém que amo me marca em particular: “se ñ estás feliz ali, ninguém te obriga a ficar. Podes buscar outra coisa!”

Pois é! Por que tenho que me submeter a um sofrimento sem necessidade? Como reconhecer a sutil diferença entre missão/lição e: “Ok, é hora de mudar?”

Começar a olhar ofertas, ter novos planos, refazer projetos esquecidos na gaveta. Mas eis que chega o dia seguinte e tal dia é repleto de sorrisos. E no  final de semana, mesmo de longe, compartilham comigo seus momentos de  alegria e felicidade. Sim, me sinto parte de tudo isto e não tenho realmente certeza se quero mudar. Ou sim. Bem, talvez uma mudança seja sim necessária, mas não uma mudança assim tão extrema. Talvez eu deva é começar a prestar mais atenção nos sinais que a vida me dá.

Aquele passarinho que todos os dias fica cantando pertinho da nossa sacada, mais de uma vez se aproximou e ficou ali, quietinho, na beira do balcão. Impossível ñ sorrir. E, de uns dias pra cá, além dele, tem um filhotinho, pequenino, que adora ficar ali, na nossa sacada. E canta, canta, canta, canta…

Praticamente do nada, me deparo com uma tatuagem que me faz tomar uma decisão que sei será pra sempre: fazer uma tatuagem.

Começo a perceber que o mundo, a vida, conversa comigo através de símbolos. Um bando de andorinhas em vôo, nas costas, do lado direito. Simbolicamente, o que tais andorinhas representam?  E por que fico enfatizando que tem que ser do lado direito? Porque representa o futuro, enquanto o esquerdo representa o passado? Sim, pode ser.  E de repente o rastro que os aviões deixam no céu formam figuras de andorinhas gigantes e, voltando pra casa, me deparo, em diversos momentos, com andorinhas, às vezes nos fios, outras voando. Pequeninas, delicadas, porém decididas.

Liberdade, paz, coisas necessárias para liberar-me daquela angústia que parece (parecia?) tomar conta de mim.

Falando em paz, estávamos já pensando que não aconteceria, mas o nosso lírio (lírio da paz) que estava cheio de folhas, outro dia me surpreendeu com um botão. Sim, pequenino, escondidinho, mas lá está ele, pronto para abrir. E quando vou mostrá-lo para o meu amor, me dou conta que tem outro! Sim! O que sinto? Uma vibração tão boa dentro do meu, do nosso lar! Que eu possa me deixar afetar!

Sol, chuva, temporal. Frio, outono, inverno. Calorão. De novo frio. Como se a minha instabilidade emocional ligada ao trabalho tivesse sido projetada no espaço e o clima estivesse refletindo exatamente isso. Às vezes sol, às vezes tempestade. E o brilho da lua è proporcional ao brilho do meu olhar.

Lua, sol, chuva, andorinhas, vento, tempestade. Flores desabrochando, vidas desabrochando…perfumes, sonhos, canções. Lágrimas. Lágrimas de insegurança, de tristeza talvez, mas que, a partir de agora, são substituídas (e faço isto de forma consciente) por lágrimas de felicidade, lágrimas de emoção. Lágrimas de purificação. Porque é hora de lavar a alma, porque talvez o momento não seja de mudar aquilo que está “fora”, mas sim mudar a minha  atitude diante de tudo isto. Acreditar, mas acreditar de verdade que tudo irá melhorar. Fácil não é, mas são justamente os desafios que nos ajudam a crescer!

Marian (escrito em 23/05/2016. Revisado em 27/05)

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