70 anos

19 out

70 anos é a idade que meu pai estaria completando hoje. Sua passagem por aqui, porém, foi muito mais breve. Mais ou menos 8 meses antes de completar 32 anos, ele partiu para o Mundo Espiritual. Sua missão aqui na Terra já tinha sido cumprida, seus frutos já tinham sido plantados, o que precisava resgatar, já tinha sido resgatado.

31 anos e “quase” 3 meses. E ele já tinha feito tudo. Absolutamente tudo. Já tinha vivido, embora tenho certeza de que a vontade de continuar encarnado mais um pouco não lhe faltava, afinal, tinha-se passado apenas um ano e alguns dias do dia do seu casamento. Ao mesmo tempo, porém, acho que ele sabia. Sabia que a sua passagem por aqui seria breve, mas intensa. E ele estudou, e se formou, e trabalhou. Apaixonado por futebol, seria sempre lembrado pelos amigos como o “goleador”. Cheio de estilo, também seria lembrado pela sua originalidade e senso de humor.

Não, ele não poderia ter encontrado uma pessoa melhor para dividir aqueles que foram, talvez, os momentos mais belos da sua vida! Se eu penso em uma pessoa alegre, de bem com a vida, otimista, criativa e original, penso na minha mãe. Mas nao era do meu pai que eu estava falando? Pois é, mas o que posso fazer se OS DOIS são exatamente assim?

Ah, talvez vocês estejam perguntando por que eu comentei que ele “sabia” que sua passagem por aqui seria breve. Obviamente, não era uma coisa consciente, mas lembro que minha mãe comentou de uma vez em que ele olhou para ela, emocionado, e falou alguma coisa como: “cuida do nosso filho”.

Muita gente quando fica sabendo que meu pai faleceu antes mesmo que eu nascesse começa a pedir desculpas, a ficar com pena, para não falar daqueles que acham “horrível” o fato de eu não ter conhecido o meu pai, ainda mais por uma razão assim, tão sofrida. (Não, ele não nos deixou, ele faleceu!). Acredito no entanto que o me sofrimento (se é que ele existe realmente) seja muito menor do que o de quem teve e perdeu. Porque eu nunca tive. Ou melhor, sempre tive e sempre terei, porque ele SEMPRE fez parte da minha vida, porque ele SEMPRE esteve (e está) presente, embora não fisicamente. Ah, e eu tenho minhas dúvidas sobre o fato de não nos termos conhecido! Na verdade já faz algum tempo que tenho pensado que é muito provável que nossos espíritos tenham se “cruzado” durante a sua, ou melhor, a nossa passagem.

Se pensarmos no tempo com o raciocínio lógico, aquele “cartesiano”, isto talvez não seja possível (o espírito é presente no corpo desde o momento da concepção?). Porém, se tivermos uma visão do tempo como aquela concebida pela Física Quântica, certamente tal possibilidade existe. Então… ele me viu antes ainda que a minha mãe!

Hoje, independentemente do fato que tanto tempo se passou, eu sigo dizendo: parabéns, pai! E obrigada, Porque muito daquilo que me tornei, foi graças à minha mãe, à minha família, ao Bibi, ao noninho, mas também foi graças a ti.

Hoje me dou conta de que é possível amar alguém que a gente, teoricamente, nunca viu. Além disso, é possível ficar orgulhoso e emocionado ao mesmo tempo ao olhar-se no espelho e perceber tantos traços em comum. Sim, as orelhas, o nariz, a boca, os olhos, o olhar, são todos teus, pai. O sorriso? Ah, o sorriso, o jeito, a capacidade de se emocionar, o dom de escutar… estes são da minha mãe!

Era isto! Então, pai, parabéns pelo teu dia!

Marian.

P.S: Obrigada pelos olhos verdes!!

Renan

Renan

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