Dez dias na montanha, um diário de retratos, relatos e emoção

2 set

Uma pequena introdução.

Esta não foi a primeira vez que passamos as férias na montanha, mas eu nunca tinha parado para escrever a respeito.Na verdade, é desde 2008 que frequentamos este lugar mágico, onde cada dia é mais belo que o outro e onde a grandeza de Deus se faz presente em cada detalhe.

Trentino Alto- Adige- Val Pusteria, Rodengo. Chivo.

Por falar em detalhe, uma peculiaridade é que, embora busquemos sempre passeios diferentes, nos hospedamos sempre no mesmo lugar. Nele, a gentileza, a cura e atenção (justamente) a cada detalhe e o modo como sempre nos fazem sentir ao mesmo tempo paparicados e “em casa” , fazem sim com que seja sempre um prazer nos hospedarmos lá e eu, eterna amante do mar, a cada ano vou me apaixonando mais e mais também pela montanha.

O primeiro dia, borboletas e plataformas

Partimos de Milão bem cedo pela manhã, afim de evitar pegar muita tranqueira. Tendo feito este percurso muitas vezes, sabíamos os trechos da estrada com maior possibilidades de congestionamento. No entanto, a viagem saiu melhor do que o previsto e acabamos chegando ao nosso destino bem mais cedo do que pensávamos.

Uma coisa engraçada é que, tendo o hábito de ir sempre ao mesmo lugar, já tínhamos em mente um “programa” organizado: “Iremos chegar lá e, como é cedo, o quarto ainda não estará pronto. Iremos pedir um suco de maçã e ficaremos ali pelo terraço. Depois, iremos almoçar a sopa, as saladas e um pedaço de torta. Então, iremos até a dependance, pois o quarto estará pronto.

A “Dependance” é na verdade a casa onde moram os pais da Martina, gerente e proprietária, a senhora Ana e o senhor Joseph, que, com mais de 90 anos de idade, vive passeando, a pé ou de carro, sempre acompanhado de sua bengala, seu chapéu e de um sorriso no rosto. Eles moram em uma parte da casa e adaptaram o resto, criando 4 quartos para os hóspedes que, além disso, podem utilizar a garagem gratuitamente. Como fica afastado do hotel, a hospedagem acaba saindo mais em conta. E, se devo ser sincera, eu gosto de me hospedar ali! Ainda mais tranquilo, com mais privacidade e sem falar que iniciar o dia com um passeio só faz bem! São apenas alguns metros de distância do hotel!

A Dependance!
Sempre a Dependência!

Aqui, cabe uma explicação: o hotel oferece pensão ¾, então, na hora do almoço, temos à disposição sempre uma sopa, saladas e doces.

Ao chegarmos, encontramos a proprietária do hotel que varria as folhas da entrada. Muito feliz em nos ver, nos recebeu com a maior alegria!

O programa na chegada foi mais ou menos o que havíamos imaginado. No entanto, como era bem mais cedo do que o previsto, aproveitamos também para passear um pouco. Resolvemos fazer uma caminhada até as plataformas no meio do bosque. Ah, resolvi “mudar” e acabei pedindo um suco de uva ao invés do de maçã!

Para que quem estiver lendo este texto possa compreender melhor, as plataformas são, como o próprio nome diz, plataformas de madeira construídas no meio do bosque, de modo a oferecer uma visão panorâmica do vale. Foram construídas  há alguns anos pelos proprietários do hotel e são utilizadas especialmente durante as lições de Yoga, Pilates e  Qgong, mas podem também ser utilizadas para pic-nics ou simplesmente para momentos de paz e meditação.

O que mais chamava a atenção no caminho que percorríamos eram duas coisas: a enorme quantidade de flores e, de consequência, de borboletas que nos acompanhavam durante todo o trajeto.

Ah, esta paisagem! Ah, esta  sensação de paz!

A natureza que nos circunda, nos transmitindo boas energias e paz. Os corvos que voam lá no alto, em círculos, limpando o ambiente e nós ali, absorvendo todo o bem que o nosso espírito é capaz de obter.

Voltando ao hotel, foi o que deu para almoçarmos e chegarmos ao nosso quarto que começou a chover. Meu marido saiu para ir buscar um nosso amigo na estação enquanto eu fiquei no quarto, descansando e observando o temporal.

Choveu forte a tarde inteirinha e à noite deu uma aliviada. Mesmo assim, tivemos que ir de sombrinha até a sala do jantar. (Jantar, aliás, que superou as nossas expectativas!)

Assim chega ao fim o nosso primeiro dia de férias: com a gente precisando usar piumim e corbertor de lã para dormir, em pleno verão!

O segundo dia: nosso aniversário de bênçãos!

O dia amanheceu nublado e fresco (para não dizer frio). Temperaturas baixas, acabamos optando por passar o dia no hotel.

A jornada começou com uma surpresa para o meu amor. Tudo combinado com antecedência, nossa mesa do café da manhã recebera uma decoração especial.

A “menina” que servia a nossa mesa (na verdade uma jovem e talentosa mãe de família, nos ofereceu espumante para brindarmos a data.

Espumante no café da manhã? Não, obrigada! (Mais adiante ficaríamos pasmos em ver as pessoas tomando bebidas alcoolicas logo ao amanhecer).

Falando em café da manhã, a variedade de opções me deixavam quase deslumbrada. Dentre as novidades, no entanto, o que mais me chamou a atenção foi a beleza e magnitude da mesa das frutas.

Um dia perfeito para… visitar um castelo!

Aproveitamos o dia nublado/chuvoso para ir conhecer o Castelo de Taufers.

Ao chegarmos lá, uma agradável surpresa: a visita guiada era gratuita para quem tinha o Almencard Plus!

(Almencard é um cartão que vem distribuído para os hóspedes em alguns hotéis na época da primavera/verão, para incentivar o turismo. Oferece descontos e bilhetes gratuitos em bondinhos e alguns museus e locais de espetáculo. E nós tínhamos!)

A visita ao castelo foi muito legal! O guia, um carinha bem divertido e com um forte sotaque alemão, fez a visita se tornar ainda mais interessante, como se tivéssemos feito uma viagem no tempo. Destaque para as inúmeras grandes estufas de cerâmica espalhadas por todo o castelo, todas decoradas e de uma eleza ímpar e para a escola (apenas para os filhos dos nobres), onde cada criança precisava levar a sua cadeira/mesa de casa e cujos retratos nas paredes faziam pensar em um macabro filme de terror.

Um curso de água no outro lado da rua onde ficava localizado o castelo chamou tanto a nossa atenção que acabamos atravessando a estrada apenas para observá-lo mais de perto.

Voltamos para o o hotel era cedo ainda, então, ainda deu para ficarmos tranquilos, descansarmos, nos recuperarmos da viagem e dos últimos (e cansativos) dias de trabalho.

Casais que vivem em harmonia não têm necessidade de estarem juntos o tempo todo ou de fazerem a mesma coisa a cada momento. Claro que iríamos juntos nos passeios, não apenas por estarmos juntos, mas especialmente porque somos ambos apaixonados por longas caminhadas no bosque e pelas recompensas que a natureza nos oferece após cada esforço: poder conhecer lugares deslumbrantes e paisagens de tirar o fôlego.

Peguei então o meu Kindle e fui relaxar na minha sala preferida: uma sala com música ambiente, colchões d’água e suaves luzes que mudam de cor, luzes estas com cristais dentro dos globos. Perfeita para relaxar, meditar, descansar e fazer cromoterapia, ainda mais quando, ao entrar, percebes que a sala está vazia!

Também aproveitei para ir na sauna biológica, a qual eu tinha me apaixonado no ano passado e para arriscar umas braçadas na piscina externa, sentindo as gotas de chuva que caíam às minhas costas.

Logo mais à noite, nos esperava um jantar muito especial.

Terceiro dia: a chuva continua, mas faremos um passeio mesmo assim!

O alpe de Rodengo foi o lugar escolhido para o primeiro passeio destas férias, tanto por ser pertinho quanto por oferecer percursos bonitos e seguros, mesmo em dias de chuva. O “giro” por nós escolhidos foi por um percurso fácil e acessível à todos: até a igrejinha, para depois seguirmos até um mirante e em seguida pararmos par almoçar em um dos refúgios lá presentes.

Desde a primeira vez que estivemos no Alpe de Rodengo, em 2008, temos o hábito de, à medida em que vamos percorrendo a estrada que nos leva até ele, ir controlando a temperatura através do indicador no carro.

A chuva que começa a cair não nos impede de seguirmos adiante, aliás, acaba tornando o passeio mais tranquilo, visto que as poucas pessoas que encontramos pelo caminho são um grupo de turistas alemães de uma certa idade.

Ao chegarmos à pequena capela, paramos alguns intantes para descansar, tirar um pouco o peso da mochila das costas e fazer algumas fotos. Logo ao lado, nos campos, uma vaca pastava tranquilamente.

Fizemos amizade! Ao me ver ela se aproximou, para logo se afastar assim que viu outras pessoas se aproximarem também. Resolvemos então seguir o nosso percurso.

Embora tivéssemos feito este percurso diversas vezes, inclusive no inverno, caminhando sobre os campos cobertos de neve, nunca tínhamos parado para almoçar no primeiro refúgio. Geralmente optávamos por aqueles mais distantes e de mais difícil acesso. As nuvens carregadas e a ameaça de temporal, no entanto, nos fizeram optar por nos refugiarmos (e almoçarmos) num lugar mais perto. Que maravilhosa descoberta!

O lugar se chamava Starkenfeld- Hute. Ao chegarmos lá, fomos super bem recebidos por uma garota bem jovem. A chuva tinha parado, então optamos por nos sentar não nas mesas mais próximas à parede, mas naquelas mais afastadas. Além de nós, apenas um casal ocupava uma das mesas ao ar livre.

Enquanto meu marido e o nosso amigo olhavam o cardápio, entrei para fazer pipí. (Não vejo necessidade em descrever os cuidados referentes à distanciamento e igiene: mesas ao ar livre, distanciamento, àlcool gel, local e banheiros hiper limpos, uso de máscaras, enfim…).

Ao entrar, o clima familiar se fazia mais do que presente!

Na cozinha, duas moças embalavam tijolos de manteiga recém preparados por elas. Em cada uma, um desenho decorando. Quem diria que simples pedaços de manteiga poderiam se tranformar em obras de arte!

Enquanto esperávamos os nossos pratos, nos presentearam com pedaços de queijo fabricados por eles. Gente… que delícia!

Saliento desde já que sou a mais gulosa do trio. Assim sendo, optei por experimentar uma massa chamada: “Massa do pastor”. Ah, minha gente, os pastores sabem o que é bom!!

Para início de conversa, acredito que a porção de massa que me serviram daria para no mínimo duas pessoas e, dependendo da fome, talvez até mais. Acontece que eu estava sim com fome e acabei limpando o prato. No que consistia a massa do pastor? Massa daquelas chatinhas tipo tagliatelle com guisado, funghi e speck.

Após “enchermos o bucho” como diriam alguns, começamos a precorrer o caminho de volta. Acompanhados pela sorte, a chuva voltou a desabar quando recém tínhamos entrado no carro.

“Ah, comi tanto que esta noite vou dispensar o jantar?” Bem capaz!! Os jantares do Schoenblick são sempre imperdíveis! Além do mais, precisamos prestigiar o Alexander, que agora é cheff! Ele, com quem das primeiras vezes que íamos là jogàvamos ping pong! (Pois é, crianças crescem!)

O por do sol, naquele dia, foi espetacular.

Quarto dia, passeando no Joschtal!

De todas as montanhas próximas a nós, acredito que esta seja aquela onde geralmente faz mais frio. Talvez pela altura, ou talvez pela localização. Não tenho bem certeza, só sei que no alto do Joschtal, no qual chegamos pegando uma “cabinovia” (uma espécie de bondinho), sempre tem vento!

Partindo da ideia de optar por passeios mais tranquilos nos primeiros dias e ir aumentado gradativamente o grau de dificuldade, optamos pela caminhada panorâmica até a cruz.

No caminho, as campainhas tibetanas e a paisagem que nos circundava me faziam sentir parte deste todo tão maravilhoso chamado Universo. Naquele momento, a eterna criança que habita em mim se divertia com a musicalidade e os sons daqueles sinos.

E finalmente chegamos na cruz!! Momento para sentar (aproveitei para comer uma barra de cereal que trazia na mochila), descansar, fotografar e… seguir estrada!

Optamos, ao invés de voltar pelo mesmo caminho, em fazer um percurso alternativo, que nos levaria até uma baita na qual poderíamos fazer uma pausa para o almoço. Também este era um caminho que já havíamos feito. Ao contrário da vez anterior, no entanto, quando grande parte da estrada fora percorrida debaixo de um sol escaldante, desta vez as temperaturas eram amenas e agradáveis. Além disso, nunca havíamos visto aqueles caminhos tão cobertos de flores e muito menos tão tranquilos e vazios. Ou seja, exemplo concreto do que significa estar em paz, sentindo apenas o barulho do vento nas folhas das árvores, o canto dos pássaros e de vez em quando o zumbido das abelhas.

Ao chegarmos ao refúgio, o tempo parecia querer brincar conosco. Um sol forte me fez tirar a jaqueta, para logo em seguida recolocá-la, pois um forte vento e nuvens negras se aproximavam. Mas deu tudo certo no final.

Aquele refúgio possuía também uma espécie de parque para as crianças, com cama elástica, balanço, essas coisas. Além disso, víamos a criaçao de vacas, cabras, galinhas, porcos e coelhos.

Desta vez, nós três escolhemos o mesmo prato, aliás, excelente opção para quem, como nós, precisa repor as energias após uma longa caminhada, ainda mais quando as temperaturas se revelam mais baixas do que o previsto: batatas ao forno (ou grelhadas) com ovo e speck.

Eis que chegam os pratos. “Meu Deus!”. Não eram pratos, mas travessas! Uma pra cada um! Deviam ser quase meio quilo de batatas, umas 200 gramas de speck e, como se não bastasse, três (sim, eu disse três) ovos estralados por cima!! A conclusão que cheguei? “Na próxima vez pedirei só as batatas, sem os ovos! (Aliàs, as batatas estavam tão, mas tão boas que as comi até o final!)

Na volta, a chuva novamente nos pegou quando tínhamos acabado de chegar ao estacionamento. Ao chegarmos no hotel, no entanto, ela já tinha parado e pude ainda curtir momentos de tranquilidade no jardim.

Ah, era sexta-feira: dia de Kaiserchmarren!!!

Quinto dia: desta vez fomos mais longe! Passeio no Passo Croce, nos prados de um lugar chamado Croda Rossa

Flores, flores e mais flores: daria para resumir todo o passeio em uma única palavra: flores.

Além disso, no entanto, o percurso também se fazia interessante pelas montanhas que nos circundavam, bem como pelo fato de, em um certo momento, precisarmos atravessar um ponto onde ainda tinha… neve!! Sim, neve!!! Além disso, escavado na rocha, encontramos “bunkers” que tinham sido construídos durante a primeira (ou seria a segunda?) Guerra Mundial.

Seguindo o nosso caminho, nos deparamos com um imenso campo de flores e, ao final dele, o nosso ponto de chegada: o refúgio onde pararíamos para almoçar: Rudi Hutte!

A propósito, o meu risotto ai funghi estava delicioso!

Era sábado, dia de menu especial no jantar e tínhamos prometido para nós mesmos de não exagerar com comilança no almoço. Mas quem resiste? Fomos no entanto “comedidos” (como diriam lá em casa) e pedimos apenas 1 doce, que dividimos em 2. (O Luigi, nosso amigo, ficou apenas no café).

Ah, não bastasse o menu especial , ainda por cima  naquela noite serviriam uma das minhas sobremesas favoritas, aliás, A minha sobremesa favorita: “dome” (cúpula?) de manga acompanhada de sorbetto de maracujá.

Sexto dia, um passeio até a Plose: é hora de subir! 2446m!

A partida para a caminhada do dia foi o alto da funivia de Plose. Dali, seguiríamos um percurso até o refúgio Plose, localizado a uma altura de 2446 m.

O que dizer deste percurso? Inicialmente avistávamos grupos de animais, especialmente ovelhas. Mais adiante, pudemos nos sentir literalmente nas nuvens!!

No início do passeio, víamos aves de rapina que voavam lá no alto das montanhas. Na medida em  que ganhávamos altura, íamos nos aproximando das mesmas, até o momento em que estàvamos, literalmente, lado a lado…

A subida, confesso, foi dura. A respiração vira e mexe se fazia ofegante e os últimos momentos, que pareciam breves, se mostraram mais duros do que eu tinha imaginado ao avistar, ao fundo, a imagem do refúgio. No entanto, a paisagem que nos circundava durante todo o trajeto fazia com que cada segundo daquele esforço valesse a pena!

A ideia desta vez não era almoçar ali no refúgio (que por sinal estava fechado), mas aproveitarmos o panorama de tirar o fôlego. Pena que…

Isso mesmo! As nuvens estavam cobrindo toda a vista! No entanto, observar a paisagem que mudava de acordo com a força e a direção dos ventos foi explêndido!

Voltamos em tempo para almoçar no próprio hotel. Depois descansamos, aproveitei a sauna e nos preparamos para aquela que seria mais uma noite especial. (No domingo o aperitivo/Happy Hour era especial)

Para aquele entardecer especial, optara por estrear um vestido tipo chinês/japonês que eu tinha ganhado da minha cunhada.

No sétimo dia, inesperadamente, o maior dos desafios!

O passeio daquela segunda feira mereceria um capitulo à parte.

A ideia inicial era a de fazer um percurso que partia de perto do lado de Landro e ir até uma montanha chamada Monte Piano, através de um caminho criado durante a guerra. No entanto, tendo finalmente aparecido o sol, os lugares perto do lago estavam tão lotados que não conseguimos lugar para estacionar. Assim sendo, acabamos por seguir adiante e optamos por uma outra trilha. Um caminho chamado “Caminho dos turistas”. Com este nome, não devia ser complicado!

Ao iniciar a nossa caminhada, mal poderíamos imaginar que nosso objetivo final seria o topo daquela montanha, como podemos observar no desenho da flecha.

“560 Km. 560 Km. Pára um pouquinho, descansa um pouquinho, 550 km!” Lembram desta propaganda? Pois é, era bem esta a sensação! Parecia que não chegaríamos nunca!!

Na estrada, construções alusivas aos tempos da guerra: trincheiras, refúgios, bunkers. Em alguns trechos chegava a dar arrepios. Aliás, passei grande parte do percurso mentalizando o Pai Nosso e pedindo luz para qualquer espírito de guerra que por ventura pudesse se encontrar ainda naquelas paragens.

Cada vez que pensávamos que estávamos para atingir o topo, nos deparávamos com uma curva e mais uma subida. Estávamos literalmente andando em círculos, ou melhor, em espiral. E, como se não bastasse…

Pois é: de repente, nos deparamos com alguns obstáculos na caminho: uma ponte de lenho unindo (literalmente) duas motanhas, com um precipício enorme embaixo, escadas escavadas na rocha, um percurso estreito sustentado por cordas…

Ah, meus tempos de Escotismo!

Ah, as aventuras com a Tropa Guia!

Ah, meus tempos de Pioneira!

De repente bateu uma saudade!! Já fiquei imaginando como seria emocionante fazer rapel naquelas montanhas… bom, mas isto seria assunto (também) para um outro texto!

Quando parecia que  não teríamos mais para onde subir, pois havíamos chegado ao topo das àrvores, a surpresa: iríamos ainda mais acima!

Finalmente, o topo. Que lugar lindo!! Só ficou a pergunta: se aquele era o caminho “turístico”, como seria o caminho dos exploradores? Nem sei se quero saber!!

O que sei é que sentar na grama para finalmente comer o sanduíche que trazíamos na mochila circundados por uma paisagem magnífica: não tem preço!

Ah, a lição do dia: levar mais de uma garrafinha d’água pra cada um!

Na volta, muitas borboletas. E uma delas, ia e vinha, como se quisesse me mostrar o caminho. De repente, pousa no meu bastão. Depois, no braço e, finalmente, na minha mão. E ficou ali, tranquila, praticamente durante todo o percurso. Como se quisesse me dar um recado, como se estivesse enviando uma mensagem. Me emocionei.

Mesmo depois de toda aquela caminhada, logo mais à noite fomos fazer “dois passos” pertinho do hotel. Os milharais formavam uma paisagem tão bonita e peculiar que não poderíamos deixar de registrar.

Chegamos ao oitavo dia e desta vez o nosso giro foi em um monte chamado literalmente de Monte Cavalo

Nosso passeio começara literalmente com companhia! Jumentos (burricos) que vieram até nós (ou fomos nós que fomos até eles) dar e receber carinho. Também as vacas e, mais adiante, cavalos.

A natureza que nos circundava era divina!

Depois de chegar ao ponto mais alto, pegamos a estrada para voltar. Após todo um percurso a céu aberto, nos adentramos pelo meio de um bosque.

Flores, cores, paz… travessia de um pequeno córrego, mais bosque, até avistarmos, ao fundo, 2 refúgios, um ao lado do outro. O primeiro deles, uma casinha simples de madeira, sem maiores pretenções. O segundo, pelo que se podia observar, bem mais “da moda”. Optamos pelo primeiro.

Sabe casa de família? Pois era bem isso!

No pátio, as roupas estendidas no varal. No cardápio, tudo muito simples, porém gostoso e bem feito. Duas senhoras, uma criança. Uma casinha de brinquedo, galinhas, um coelho. Uma ótima torta, um bom café. Gentileza, simplicidade e educação. Um lugar simplesmente perfeito.

O caminho de volta também foi lindo!

Depois do passeio, um giro em Vipiteno. Vipiteno é uma graça de cidade! (Sem falar que ali encontramos iogurtes nos sabores mais variados! Ah, pena que não dava pra levar pra casa!)

Depois do jantar, deixamos a preguiça de lado e fomos dar uma volta em Bressanone.

 Bressanone é um amor de cidade e vale sempre a pena visitá-la. Pena que o percurso à beira do lago não era iluminado!

O nono dia era dia de “churrasco” (grelhada), então, optamos por um passeio rápido nos arredores. Antes, porém, um momento para mim!

Todos deveríamos dedicar alguns momentos para estarmos conosco mesmos. Momentos para cuidarmos da alma, do espírito. Momentos para nos fortalecermos, fisicamente, emocionalmente e espiritualmente.

Naquele dia, levantei bem cedinho. Às 8:15, aconteceria, no meio do bosque, nas plataformas, um encontro para começar o dia plenos de energia: um encontro para trabalhar a nossa força interior, nossa centralização, nosso equilíbrio.

A atividade, coordenada pela Ulli, preparadora física com formação em disciplinas holísticas, unia elementos de Pilates, Qgong e Cinesiologia. Mais do que sentir os efeitos no corpo (e não foram poucos), as sensações mais significativas foram aquelas sentidas na mente e no espírito.

A começar pelas emoções que me invadiam ao observar a paisagem que nos circundava,  o sol surgindo, as aves de rapina voando em círculos, o canto das aves, as flores. Tanto é que, assim que o encontro terminou, deixei que o grupo (éramos em 4) começasse a pegar o caminho de volta para o hotel e fiquei alguns minutos sozinha. Fiz algumas fotos, respirei fundo, agradeci e fiz uma oração. Depois disto, estava pronta para ir tomar o café da manhã.

Uma caminhada até o castelo de Rodengo, passando pela Villa Ghuntaler, um lugar magnífico, onde tivemos o prazer de passar uma noite, presente de casamento do pessoal do hotel! (Eles não são sensacionais?). Depois, uma visita ao cemitério de Rodengo, sempre repleto de flores e de onde, como não podia deixar de ser, aproveitamos para observar a magnífica paisagem do vale.

E finalmente, a tão esperada grelhada!!

Estava contandoos dias para este encontro! Todas as quartas-feiras, em uma pequena baita no Alpe de Rodengo, no meio do bosque, o hotel organiza este encontro para todos aqueles que quiserem participar.

Faz alguns anos que participamos e eu particularmente adoro! São momentos de alegria, confraternização e excelentes para conhecer as pessoas e fazer amizade.

Por falar em amizade, a meu ver existem dois momentos mais propícios para que as mesmas se instalem: os passeios guiados organziados pelo hotel, ou com o guia Luis ou com a senhora Ana e a “grelhada” (Os tradutores automáticos traduzem “grigliata” como churrasco, porém, como gaúcha de coração que sou, digo que não é a mesma coisa).

Lembro das primeiras vezes em que participamos da grelhada, eu, tímida, ficava tranquila no meu canto. Com o passar dos anos, fui me sentindo cada vez mais “em casa” e faz algum tempo que não apenas virei uma das pessoas que confraterniza com todos, mas também participa da “banda”, ficando ao lado do cantor e tentando tocar um ou outro dos instrumentos musicais mais esquisitos que vi na vida!

Uma das amizades que nasceu num daqueles passeios guiados e se fortaleceu nestes encontros foi com um casal de Trento. Para que se faça uma ideia, depois do nosso primeiro encontro, acabamos por nos reencontrarmos diversas vezes, organizando as nossas férias na mesma época. Este ano, no entanto, eles não conseguiram vir nos mesmos dias nossos, pois, infelizmente, o hotel estava lotado.

Acontece que… bom, eu cheguei a comentar que o pessoal do hotel é tão sensacional que nos sentimos “em casa”? Pois é! Eles puderam vir participar do encontro!!

Ah, é sempre tão, tão bom reencontrar os amigos! E como nos divertimos, especialmente quando Francesco pegou o violão e tocou “Il mazzolin di fiori”. Foi um momento de lembranças, em que me vi criança, cantando com o meu nono…

Lembro que nos primeiros anos a grelhada consistia em variados tipos de salsicha e linguiça preparados em uma espécie de grelha redonda gigante pendurada em uma estrutura de ferro, com lenha/carvão por baixo. Além disso, em uma mesa, para acompanhar, batatas, queijos, refrigerante e cerveja (ou seria chopp?).

Hoje, a grelha se modernizou e o cardápio aumentou: Além das salsichas, linguças, dos queijos e das batatas, deliciosas verduras grelhadas! Pimentões, abobrinhas, berinjelas…difícil resistir!

O que mais? Água fresca direta da fonte e, para quem gosta, um “digestivo” no final.

Mais acima eu tinha comentado que a grelhada é um dos melhores momentos para fazermos novas amizades. Pois este ano houve um encontro incomum: conheci uma brasileira! Uma baiana!!

Depois da grelhada ainda deu para aproveitar um pouquinho o jardim e a piscina!

No décimo dia, venceu o bom senso!

Partimos cedo do hotel. Nosso objetivo era chegar até o Lago Crespeina,localizado em uma “bacia rochosa”, como  um espaço entre duas montanhas.

Ao chegarmos no local do início da caminhada, ficamos na dúvida sobre qual estrada pegar, pois existiam diversas trilhas demarcadas.  Nenhuma, no entanto, tinha o tal lago como meta final. Assim sendo, pegamos uma delas e seguimos em frente, esperando, quem sabe, encontrar no caminho alguém que nos pudesse dar alguma informação.

Logo encontramos um senhor que estava trabalhando com algumas máquinas, o qual nos contou que um dos lagos que ali existiam infelizmente tinha secado. Parecia, no entanto, que aquele que procurávamos ainda existia, porém, o melhor caminho para chegar até ele era por uma outra estrada. Então demos meia volta e pegamos o outro caminho.

Durante a caminhada, o tempo foi começando a mudar. Sabíamos que tinha previsão de chuva para o meio da tarde. O que no entanto contribuiu para que mudássemos de ideia foi um encontro que tivemos com alguns “caminhantes” que estavam retornando. Segundo eles, a chuva chegaria antes do previsto.

Seguíamos o nosso percurso, um caminho rochoso, cercados por paisagens espetaculares.  Atravessando pedras, íamos subindo, subindo…

Chegamos então em um grande vale, onde antes existia um lago. Uma natureza exuberante, flores, flores… um verdadeiro pecado, no entanto, que o pequeno lago tivesse secado. Seguimos.

À medida que prosseguíamos no nosso percurso, o tempo começava a mudar. Seguimos em frente, afinal, pelas nossas contas, parecia não faltar muito para atingirmos o objetivo final.

Chegamos então em um ponto que nos parecia crucial. Achávamos que, assim que chegássemos ao topo daquela montanha, o lago se encontraria logo atrás.

Qual não foi a nossa surpresa ao nos depararmos (finalmente) com um cartaz com informações sobre o tal lago! A surpresa maior, no entanto, foi descobrirmos que, para chegar ao lago, teríamos ainda uma hora de caminhada pela frente!

Foi aqui que o bom senso prevaleceu. Embora estivéssemos bem fisicamente, embora um pouco cansados, teríamos condições de chegar até ele. No entanto, o tempo estava mudando rapidamente e temíamos ser pegos pelo temporal. Assim, resolvemos pegar a estrada de retorno.

Descemos até um trecho onde tinha um bom lugar para sentarmos. Ali, aproveitamos para almoçar. Em seguida, pegamos o caminho de volta.

Foi a melhor decisão que podíamos ter tomado! Foi bastar chegarmos ao início do trajeto que a chuva desabou. E, olhando para trás, para o percurso que tínhamos percorrido, notamos o quanto aquela caminhada tinha valido a pena, mesmo sem ter chegado até o lago. Chegamos, sim, na “forcella di Col Padrat, Badia. (E a ida ao lago ficou para o ano que vem)

O que dizer da noite? Uma lua simplesmente maravilhosa!

No décimo primeiro (e último) dia, um passeio com novos amigos!

Meu marido ficou sabendo que uma sua colega de trabalho e o marido estariam passando alguns dias de férias em uma cidadezinha próxima àquela onde nós estávamos. Assim, conseguimos marcar de fazer um passeio juntos.

O percurso por nós escolhidos foi uma caminhada até um refúgio chamado Averau, em Cortina D’Ampezzo, de onde também era possível caminhar até a “forcella” de Nuvolau, a qual tínhamos estado no ano passado.

Ah, como é bom fazer passeios em companhia, ou melhor, em BOA companhia!

Nunca gostei daqueles grupos grandes, que passam o tempo todo gritando, fazendo bagunça… gente cuja única meta é chegar ao final da trilha, simplesmente para “se gabar” de ter ido até lá. Aliás, parando para pensar, confesso que não entendo por que a nossa chefe, nos tempos da Tropa Guia, queria que, nas jornadas, a gente cantasse o tempo todo. Ok, talvez fosse uma maneira de nos incentivar, mas sinceramente…

Quando estou na meio da natureza, prefiro o som do silêncio. Prefiro escutar o que ela (a natureza) tem para me dizer. Tentar entender os seus sinais. Como naquele passeio até o Monte Piano, onde em alguns momentos eu sentia barulho de água. Na verdade, era simplesmente o vento. (Para não falar no fato que, se fico falando ou cantando enquanto caminho, canso muito mais depressa!)

O Luigi, nosso amigo de Modena, sempre foi um super parceiro. Às vezes se afastava, caminhando mais depressa. Outras, ficava para trás. Parava para tirar fotos, ou para admirar a paisagem em pontos estratégicos. Em alguns momentos parecia estar com pressa, enquanto em outros, era como se o tempo pudesse parar. No entanto, estávamos sempre em harmonia. A mesma coisa eu e meu marido, embora minha mania de parar para fazer fotos ou vídeos à todo momento às vezes acabava por irritá-lo. (Ele tinha medo que eu perdesse muito tempo, sem se dar conta, na verdade, que era o jeito que eu encontrava para dar uma descansada, recuperar o fôlego. Afinal, respiro mal e subidas facilmente me deixam sem ar).

Os colegas do Ste demonstraram ser excelente companhia!

A estrada que escolhemos para percorrer, dentre as tanta possíveis para chegar até o Refúgio Averau, foi o “caminho das trincheiras”.

Percorrer aqueles caminhos me remetia a um passado de dor e sofrimento. Era impossível para mim não imaginar soldados que corriam em desespero, grupos armados, deitados, atirando por detrás daquelas trincheiras. Assim como durante o percurso para chegar até o Monte Piano, ali também fiz grande parte do percurso em silêncio, agradecendo por aquela natureza maravilhosa, mentalizando amor e paz e orando.

Embora aquele lugar no passado tivesse sido cenário de horrores que para mim são impossíveis de imaginar ou tentar explicar, confesso que, naquele momento, não senti nada de “pesado” no ar. Como se aquilo que tinha sobrado das trincheiras fossem simplesmente pequenos muros que enfeitavam ou protegiam o ambiente.

Depois de uma longa caminhada, chegamos ao nosso destino, a 2413 metros!

Hora de almoçar!

No lado de fora do refúgio, cartazes contavam a história do lugar e relatavam episódios alusivos à Primeira Guerra Mundial.

No restaurante, tivemos a sorte de encontrar logo uma mesa na varanda, afinal, o lugar era muito movimentado. Existia um bondinho que partia de uma outra estação, cuja “parada” era exatamente ali no refúgio!

Mais uma vez, excelente comida e atendentes super gentis, mas… que frio!! Estava um vento super gelado!

Como aquela seria a nossa última noite no hotel, quis fazer um Happy Hour antes do jantar. Assim, aí pelas 18, 18:30, nos encontrávamos no terraço, meu marido bebendo um suco de sambuco e eu um coquetel com ginger (um refrigerante à base de gengibre), limão (aquele da caipirinha, que aqui na Itália chamam “lime”), açúcar de cana (parece óbvio, mas na verdade na Europa ele não é tão comum assim) e suco de maracujá.

Logo depois, o jantar. E encerramos a noite saboreando mais uma vez o Kaiserchmarren!

O Kaiserchmarren é um doce típico do Trentino Alto Ádige, de origem austríaca. Ele nada mais é do que uma massa frita (Lembra um pouco os nossos bolinhos de chuva, porém sem o fermento), cobertas com açúcar de confeiteiro. São servidas com um creme branco, parecido com o que lá em casa a tia Renée ou a Amália preparavam para comer junto com a gelatina ou com o sagu, ou com geléias diversas. (Eu particularmente prefiro sem nada, apenas com o açúcar.

Chegou a hora de partir!

Hora de pegar a estrada, mas antes, um delicioso café da manhã e uma parada no açougue de Rio di Pusteria, onde já tínhamos deixado encomendados porções de salsicha, queijos e speck para serem distribuídos à familiares e amigos.

Próxima parada: Modena, onde passaremos alguns dias com nossos amigos. Amigos que por sinal conhecemos exatamente ali em Rodengo!

Nossas férias na montanha chegaram ao fim, mas ano que vem tem mais! E quem sabe se no inverno não damos uma passada por lá!

Aqui encerro este diário, onde procurei relatar os maravilhosos e inesquecíveis dias que passamos nas montanhas, em um dos meus lugares preferidos. Espero que tenham gostado!

Marian

Domenica prossima

31 jul

Domenica prossima, 8 agosto, in Brasile si celebra la Festa del papà.

Della festa del papà, conservo innumerevoli ricordi, dalle passeggiate al cimitero per portare dei fiori a mio padre ai lavoretti  della scuola che regalavo al mio adorato zio Ruben, ai pranzi con la famiglia che si davano o a casa di una zia, o in qualche ristorante in campagna . Il nonneto, gli zii, tutta la “cuginata” insieme. Ah, quanti ricordi di quei pranzi!!

Da quando mi sono trasferita in Italia, non ho più potuto partecipare a tali incontri (già senza il nonno, scomparso nel 1994), ma d’altra parte, ho iniziato a congratularmi con il mio adorato zio Ruben per la festa del papà non solo una volta, ma due volte all’anno: per la festa del papà brasiliana e  per la festa del papà italiana, che si celebra il giorno di San Giuseppe.

L’anno scorso, per la festa del papà, ho realizzato un video in cui rendevo omaggio ai “padri della mia vita”. Parlavo di quanto fossi privilegiata, in un mondo di tanti padri assenti (anche se fisicamente presenti), ad aver avuto, nella mia vita, tante persone che hanno svolto questo ruolo, o sia, che mi hanno fatto da papà.  Nel video, ringraziavo mio padre Renan per avermi dato alla luce, oltre che per assomigliargli così tanto e per aver reso felice mia madre. Ringraziavo anche i miei zii Pedrinho, Waldyr, Chico, Paulo e, in particolare, a quello che è stato il padre più presente che ho avuto in tutta la mia vita: lo zio Ruben. Lui che cantava per addormentarmi, lui che mi veniva a prendere a scuola, lui che mi accompagnava in gite, viaggi, concerti, spettacoli e anche all’università. Era una presenza così costante nella mia vita che, anche quando eravamo lontani, lo sentivo sempre vicino.

Oggi, a parte zio Pedrinho, che rivedrò sicuramente nel mio prossimo viaggio in Brasile, tutti gli altri miei “padri” non sono più fisicamente presenti. Sono passati alcuni anni da quando zio Waldyr e zio Chico sono disincarnati. Zio Paulo, un po’ meno.  Invece lo Bibi…

L’8 sarà la prima domenica della festa del papà in cui non farò una videochiamata per parlare con lui. Sarà il primo giorno dei papà in cui non sentirò la sua voce e vedrò la sua immagine sullo schermo del cellulare, con quel modo di ridere e sorridere, aprendo le narici, commentando: “Ah, oggi è la festa del papà? Grazie mille! ehehe”…

Dato che da queste parti l’8 non è in realtà la festa del papà, molto probabilmente sarà una domenica come un’altra qualsiasi. Tuttavia, di certo i social network non lasceranno passare inosservato il fatto che sì, in Brasile, è la festa del papà. Come sarà questo giorno per me? Non lo so. Immagino che sarà un po’ strano. Sinceramente non so che termine usare. Tuttavia, credo che più strano di non fare una videochiamata del genere con lo zio Ruben, sarà non poterlo abbracciare quando tornerò in Brasile. Sarà non trovarlo ad aspettarmi all’aeroporto. Sarà non andare ad un concerto o al ristorante insieme. Sarà trovare  il suo “studio” vuoto, seppur con migliaia di cd. A proposito di cd, sarà tornare a casa e non essere presentata con il nuovo cd della mia cantante preferita, Marisa Monte. (Perché lui, sapendo il quanto  lei mi piacia, sarebbe sicuramente andato a comprare il suo nuovo cd  appena fosse uscito, per farmi una sorpresa). A proposito di sorprese, quanti ricordi di quando vivevo a Porto Alegre e lui veniva a passarci qualche giorno. Molte volte (in effetti, la maggior parte di loro) non avvertiva nemmeno. Semplicemente arrivava. Perché la nostra relazione era così speciale, lui con me si sentiva così a suo agio,  che non pensava fosse necessario. A volte mia zia chiamava per farmi sapere, a volte no. Tuttavia, riceverlo era sempre un piacere.

Domenica 8 agosto sarà una festa del papà molto diversa da tutte quelle che ho vissuto finora. Non so dove saremo. Magari passeremo la giornata al mare con qualche amico (vaccinati e distanziati). Forse scriverò un messaggio a mio zio Pedrinho. Magari, lascierei un messaggio nel gruppo della famiglia su Whatsapp, soprattutto per mio zio Rogério, fratello di mio padre. Quello che so per certo è che dedicherò un po’ del mio tempo a ricordare e ringraziare, attraverso una preghier,a tutti quegli spiriti che, in un modo o nell’altro, hanno svolto il ruolo di padre nella mia vita.

Marian

Domingo que vem

31 jul

Domingo que vem, dia 8 de agosto, se comemora o Dia dos Pais no Brasil.

Sobre o Dia dos Pais, guardo inúmeras lembranças, de idas ao cemitério para levar flores ao meu pai aos trabalhinhos de escola que presenteavo ao meu amado tio Ruben, aos almoços em família ou na casa de alguma tia ou em algum restaurante do interior. O noninho, os tios, toda a “primaiada” reunida. Ah, quantas lembranças daqueles almoços!!

Desde que me mudei para a Itália, não pude mais participar de tais encontros (já sem o noninho, que desencarnara em 1994), mas em compensação passei a parabenizar o meu amado tio Ruben pelo Dia dos Pais não apenas uma, mas duas vezes no Ano: no dia dos pais brasileiro e no dia dos pais italiano, que é comemorado no dia de São José.

Ano passado, para o dia dos pais, criei um vídeo onde homenageava especialmente os “pais da minha vida”. Falava do quanto eu era privilegiada por, em um mundo de tantos pais ausentes (mesmo fisicamente presentes), ter tido, na minha vida, tantas pessoas que representaram tal papel. Eu agradecia ao meu pai Renan, por ter me dado a luz, bem como por eu me parecer tanto com ele e por ter feito a minha mãe feliz. Agradecia também aos meus tios Pedrinho, Waldyr, Chico, Paulo e, em especial, àquele que foi o pai mais presente que eu tive em toda a minha vida: o tio Ruben. Ele que cantava para eu dormir, ele que ia me buscar na escola, ele que me acompanhava em passeios, viagens, shows, concertos e até na faculdade. Ele que era uma presença tão constante na minha vida que, mesmo distante, eu o sentia sempre perto.

Hoje, tirando o tio Pedrinho, que certamente irei rever na minho próxima ida ao Brasil, todos os meus outros “pais” não estão mais fisicamente presentes. Já faz alguns anos que o tio Waldyr e o tio Chico desencarnaram. O tio Paulo, um pouco menos. Agora, o Bibi…

Dia 8 será o primeiro domingo de Dia dos Pais que não irei fazer uma vídeo chamada para falar com ele. Será o primeiro dia dos pais em que não irei ouvir a sua voz e ver a sua imagem na tela do celular, com aquele seu jeito de rir e sorrir, abrindo as narinas, comentando: “Ah, hoje é dia dos pais, é? Muito obrigado! Hehehe”…

Como por aqui na verdade dia 8 não é Dia dos Pais, muito provavelmente será um domingo como um outro qualquer. No entanto, certamente as redes sociais não deixarão passar em branco o fato que sim, no Brasil, é dia dos pais. Como será este dia para mim? Eu não sei. Imagino que será um pouco estranho. Sinceramente, não sei que termo usar. No entanto, acredito que mais estranho do que não fazer a tal chamada de vídeo será não poder abraçá-lo quando eu voltar ao Brasil. Será não  encontrá-lo a me esperar no aeroporto. Será não irmos juntos a um concerto ou a um restaurante. Será encontrar o seu “estùdio” vazio, embora com milhares de cds. Falando em cds, será chegar em casa e não ser presenteada com o mais novo cd da minha cantora preferida, Marisa Monte. (Porque ele, sabendo o quanto eu gosto dela, certamente teria ido comprá-lo assim que o cd  tivesse sido lançado, para me fazer uma surpresa). Falando em surpresas, quantas lembranças de quando eu morava em Porto Alegre e ele aparecia para passar uns dias por lá. Muitas vezes (aliás, na maioria delas) ele sequer avisava. Simplesmente chegava. Porque a nossa relação era tão especial, ele se sentia tão à vontade, que não julgava fosse necessário. Às vezes a minha tia telefonava para me avisar, às vezes não. No entanto, recebê-lo era sempre um prazer.

Domingo, dia 8 de agosto, será um dia dos pais bem diferente de todos aqueles vividos até aqui. Não sei onde estaremos. Talvez iremos passar o dia na praia com alguns amigos (vacinados e distanciados). Talvez eu escreva uma mensagem para o meu tio Pedrinho. Talvez, deixe um recado no grupo da família no Whatsapp, especialmente para o tio Rogério, irmão do meu pai. O que eu sei, com certeza, é que dedicarei um pouco do meu tempo para lembrar e agradecer, em oração, todos aqueles espíritos que, de um modo ou de outro, exerceram na minha vida o papel de pai.

Marian

Festa del papà

31 jul

Domenica 8 agosto è la festa del papà in Brasile. Confesso che da quando ho saputo che qui in Italia la festa del papà si celebra il giorno di San Giuseppe, cioè il 19 marzo, la “festa del papà italiana” ha iniziato ad avere per me molto più senso di quella brasiliana. Dopotutto, Giuseppe era il padre (adottivo) di Gesù. Questo non mi ha impedito, però, di ricordare (e celebrare) questa data in entrambe occasioni.

La vicinanza della festa del papà in Brasile mi ha portato a fare alcune riflessioni che forse potrebbero servire di contenuto per due testi diversi: uno più “generale”, ma sempre con qualcosa di personale e un altro più intimo. Ho deciso, però, di affrontare entrambi i contenuti in un unico scritto. Andiamo allora.

Da un po’ di tempo ormai date come la festa del papà o la festa della mamma stanno suscitando innumerevoli discussioni. I gruppi contrari a tali celebrazioni affermano che celebrare tali date può essere doloroso, traumatico o difficile da gestire, ad esempio, per i figli di coppie dello stesso sesso o per coloro che non hanno un padre o una madre. Tali gruppi suggeriscono quindi di celebrare la “Giornata della famiglia”.

Io in particolare vedo questo tipo di controversia come eccessivamente inutile, soprattutto con tante cose più importanti e significative di cui preoccuparsi. Certo, c’è una questione “commerciale” dietro a queste date, ma preferisco andare oltre e vederle come un momento speciale per dimostrare affetto.

Credo che la mia visione di date celebrative come la Festa del Papà o la Festa della Mamma sia la somma delle conoscenze acquisite negli anni con i miei studi, il mio lavoro nel campo della Psicologia (sono una psicologa di formazione) e la mia esperienza personale.

Poiché l’“argomento” di cui sto parlando è la festa del papà, è di questa che parlerò.

Fin da bambina, cioè ben prima di acquisire delle conoscenze relative alle teorie di Freud, Lacan e altri, in qualche modo già associavo la parola (e il concetto) PADRE ad una “figura paterna”, anche se ovviamente non usavo questo termine.

Non ho un padre.

Che vuol dire? Tutti hanno un padre!

Il fatto è che mio padre”ufficiale” è morto prima che io nascessi. Prima che qualcuno chieda, no, mia madre non si è risposata. Quindi, da un certo punto di vista, non ho mai avuto un “padre”. Tuttavia, ho sempre avuto persone che hanno esercitato questa funzione nella mia vita. Ho avuto “figure paterne” rappresentative e significative, forse molto più “padri” di tanti padri “veri” sparsi di qua e di là.

Il motivo per cui non capisco il motivo di tante polemiche davanti alla celebrazione di una giornata come la festa del papà si basa proprio lì. So che, come me, ci sono migliaia e migliaia di persone che non hanno mai incontrato il padre, per un motivo o per l’altro. Figli e figlie di madri vedove, madri single, madri i cui mariti/fidanzati/compagni li hanno abbandonati. Inoltre, ci sono quelle figlie di coppie omosessuali che, se pensiamo all’identità di genere, possono avere “due madri o due padri”. Bene allora.

Si dà il caso che per me la festa del papà sia sempre stata una giornata particolarmente dedicata a celebrare e ringraziare chi, nella mia vita, rappresenta questa figura, questo ruolo così importante.

Ho avuto l’enorme privilegio di avere uno zio meraviglioso che ha praticamente lasciato i suoi sogni e progetti di vita per venire a vivere con me e la mia amata madre. Ok, stava per andare in pensione, ma comunque.

Oggi mi rendo conto di quanto Dio sia saggio e di come tutto nella vita accade per qualche motivo. Mio zio non si è mai sposato. Forse se l’avessi fatto, non sarei qui a riportare tali esperienze.

Ricordo che i lavoretti per la festa del papà che facevo all’asilo erano per lui. Quando mio nonno materno è venuto a vivere con noi, anche lui veniva celebrato. Ho iniziato poi anche a rendere omaggio,  con piccoli pensieri e bigliettini, anche ad altri zii che, in un modo o nell’altro, erano come dei “papà” per me. Per non parlare di mia madre, che tante volte era “padre e madre” allo stesso tempo.

Dicono che all’asilo, quando i miei compagni di classe cominciavano a parlare dei loro papà, io dicevo con orgoglio: “Mio papà, lo zio Ruben (…)”. Sinceramente  di questi episodi non ho nessun ricordo, ma sorrido immaginando una scena così dolce.

La polemica sul celebrare o no la festa del papà per me è così priva di significato quanto lo è questa nuova “mania” apparsa sui social network di utilizzare una lettera “neutra” o una “x” al posto della “o” o della “a”, al fine di creare un genere “neutro”. Quindi, dove, ad esempio, si leggeva “ragazza e ragazzo”, ora si legge “ragazzx”. Mi fanno male agli occhi e alle orecchie queste sciocchezze! Ovviamente sto difendendo il mio punto di vista.

In natura esistono 3 tipi di genere: maschile, femminile ed ermafrodita. Anche nel caso degli umani. Non necessariamente, però, tale identità dev’essere direttamente collegata alle scelte affettive, comportamentali e sessuali.

Qualcuno potrebbe pensare: è facile per te parlare, dopotutto sei eterosessuale.

Tuttavia, ho amici, amiche e conoscenti sia etero che omosessuali e bisessuali e non li ho mai giudicati in alcun modo. Devo confessare, tuttavia, che non ho mai chiesto loro cosa ne pensassero.

Quello che voglio dire è che tranne in quei casi in cui la persona si sente totalmente a disagio nel genere in cui si presenta e quindi va alla ricerca di un cambiamento cosiddetto più “radicale”, come il cambio di sesso o semplicemente il cambio di identità di genere, in altri casi la persona rimane ciò che è, cioè o un uomo o una donna, ma con la differenza che può essere una donna che è attratta da altre donne, oppure uomini che sono attratti da altri uomini . Semplice così. Dopotutto, dove sta scritto che una persona deva essere necessariamente attratta solo da persone del sesso opposto?

Perché l’amore tra 2 uomini o tra 2 donne non può essere considerato vero amore?

Tra le anime, tra gli spiriti, ciò che conta non è il genere, ma l’affetto, la vibrazione, l’energia fluidica.

Alcuni potrebbero obiettare che le coppie dello stesso sesso non possono procreare. Ma che dire di tante coppie etero che abbandonano i propri figli?  Poi, con le risorse e le tecnologie di cui disponiamo oggi, le coppie omosessuali (o omoaffettive) possono adottare o optare per la riproduzione assistita.

Ho finito per deviare un po’ dall’argomento, ma chi mi conosce sa che i miei scritti ne sono pieni di queste cose, semplicemente perché quando scrivo, non faccio bozze, ma metto direttamente su carta ciò che i miei pensieri stanno elaborando. In effetti, ho appena deciso che dopo questo scriverò un altro testo sulla (e per) la festa del papà. Prima però devo finire questo.

A mio parere, date come la “Festa del papà” non solo possono, ma devono essere ricordate e celebrate. Non hanno necessariamente bisogno di essere celebrati in pompa magna, con regali costosi e cose del genere, ma potrebbe essere quel giorno che ci prendiamo per pensare a quelle figure che nella nostra vita hanno rappresentado, hanno svolto questo ruolo così importante: potrebbe essere uno zio, come nel mio caso, ma potrebbe anche essere un cugino, un nonno, un fratello, un maestro. Può essere quella madre che è padre e madre allo stesso tempo. Potrebbe anche essere quella tua amica che ti aiuta, che ti dà dei limiti, che ti libera dalla confusione, in altre parole, non deve per forza essere una figura maschile. Se ci fermassimo a pensare, forse ci renderemmo conto di quanti “papà” ci passano accanto nel corso della nostra vita. (Ripeto, intendo quelli che “rappresentano”questo ruolo,  simbolicamente parlando).

E se qualcuno non ha niente di tutto questo? In questo caso, può rendere omaggio a quel papà che ha dentro di sè.

Che domenica prossima, possiamo rendere il nostro omaggio a tutti i papà del mondo, siano essi fisici, genetici, affettivi, adottivi, spirituali. Che siano uomini, donne, reali o frutto dell’immaginario individuale o collettivo.

Non servono regali costosi, ma se hai i tuoi (perché da questo punto di vista ognuno di noi può avere innumerevoli “papà”) vicino, scriveli un bigliettino, chiama, fai una videochiamata. Se si sono già andati, offri loro una preghiera. Ricordali con affetto, perdona eventuali errori commessi (in fondo siamo umani) e ringrazai. Fai della festa del papà un momento per esercitare la gratitudine.

La gratitudine non è altro che una semplice e facile forma di preghiera.

E che così sia.

Marian

Dia dos Pais

31 jul

Domingo, dia 8 de agosto, é Dia dos Pais no Brasil.  Confesso que desde que eu soube que aqui na Itália o dia dos Pais é celebrado no dia de São José, ou seja, dia 19 de março, o “Dia dos Pais italiano” passou para mim a fazer muito mais sentido do que o brasileiro. Afinal, José era o pai (adotivo) de Jesus. Isto não me impedia, no entanto, de lembrar (e celebrar) duplamente esta data.

 A proximidade do Dia dos Pais no Brasil me levou a fazer algumas reflexões que talvez pudessem servir de conteúdo para dois textos diferentes: uma mais “geral”, porém sempre com algo de pessoal e outra mais íntima. Resolvi, no entanto, abordar ambos os conteúdos em um único escrito. Vamos lá então.

Já faz algum tempo que datas como o Dia dos Pais ou o dia das Mães têm suscitado inúmeras discussões. Grupos avessos a tais comemorações alegam que celebrar tais datas possa ser dolorido, traumático ou de difícil gestão para, por exemplo, crianças filhas de casais homoafetivos ou aquelas que não possuem um  pai ou uma mãe. Tais grupos sugerem, então, que seja celebrado o “Dia da família”.

Eu particularmente vejo este tipo de polêmica como algo exageradamente inútil, especialmente com tantas coisas mais importantes e significativas com as quais se preocupar.  Claro que existe sim uma questão “comercial” por detrás de tais datas, mas prefiro ir além e enxergá-las como um momento especial para demonstrações de afeto.

Acredito que a minha visão de datas celebrativas como o Dia dos Pais ou o Dia das Mães é a soma dos conhecimentos adquiridos durante os anos com os estudos e trabalhos na área da Psicologia (Sou psicóloga de formação) e a minha vivência pessoal.

Como o “tema” sob o qual estou discorrendo é o Dia dos Pais, é sobre ele que irei falar.

Desde criança, ou seja, bem antes de adquirir conhecimentos relativos às teorias de Freud, Lacan e outros, eu de certa forma já associava a palavra (e o conceito) PAI com uma “figura paterna” (ou paternal), embora obviamente não usasse este termo.

Eu não tenho pai.

Como assim? Todos têm um pai!

Acontece que o meu pai propriamente dito acabou falecendo antes mesmo que eu nascesse.Antes que alguém pergunte, não, minha mãe não se casou novamente. Então, de um certo ponto de vista, eu nunca tive um “pai”. Sempre tive, no entanto, pessoas que exerceram na minha vida esta função. Tive “figuras paternas” representativas e significativas e que talvez tenham sido muito mais “pais” do que tantos pais que andam espalhados por aí.

A razão pela qual eu não entendo o motivo de tanta polêmica diante da comemoração de um dia como o dia dos Pais se funde exatamente aí. Sei que, assim como eu, existem milhares e milhares de pessoas que nunca conheceram o pai, por um motivo ou outro. Filhos e filhas de mães viúvas, de mães solteiras, de mães cujos maridos/namorados/ parceiros as abandonaram. Além disso, existem aquelas filhas de casais homoafetivos que, se pensarmos em identidade de gênero, podem ter “duas mães ou dois pais”. Pois bem.

Acontece que para mim o dia dos Pais sempre foi um dia especialmente dedicado a celebrar e agradecer àqueles que, na minha vida, representam esta figura, este papel tão importante.

Tive o enorme privilégio de ter tido um maravilhoso tio que praticamente deixou para trás sonhos e projetos de vida para vir morar comigo e a minha amada mãe. Tudo bem que ele estava quase se aposentando, mas mesmo assim.

Hoje me dou conta do quanto Deus é sábio e de como tudo na vida acontece por algum motivo. Meu tio nunca se casou. Talvez se o tivesse feito, eu não estaria aqui relatando tais vivências.

Lembro que os trabalhinhos de dia dos pais que fazia na escolinha eram para ele. Quando meu avô materno veio morar conosco, ele também passou a ser homenageado. Além disso, passei, aos poucos, a homenagear com pequenos bilhetes e cartões outros tios que, de uma forma ou de outra, eram um pouco “pais” para mim. Sem falar na minha mãe, que tantas vezes fora “pai e mãe” ao mesmo tempo.

Dizem que na escolinha, quando meus coleguinhas começavam a falar sobre o pai deles, eu dizia toda orgulhosa: “O meu pai o tio Ruben (…)”. Eu sinceramente não lembro disto, mas sorrio imaginando tão doce lembrança.

A polêmica sobre comemorar ou não o dia dos pais para mim é tão sem sentido quanto esta nova “mania” que tem aparecido nas redes sociais de usar a letra “e” ou um “x” no lugar do “o” ou do “a”, afim de criar um gênero “neutro”. Assim, onde por exemplo antes líamos “meninos e meninas”, agora lemos “meninxs”,  ou então “menines”.  Meus olhos e ouvidos chegam a doer diante de tal absurdo. Obviamente estou defendendo o meu ponto de vista.

Na natureza existem 3 tipos de gênero: masculino, feminino e hermafrodita. No caso dos seres humanos, também. Não necessariamente, no entanto, tal identidade deve estar diretamente ligada à escolhas afetivas, comportamentais e sexuais.

Alguns podem estar pensando: para ti é fácil falar, afinal, és heterossessual.

Eu, no entanto, tenho amigos, amigas e conhecidos tanto hetero quanto homo e bissexuais e jamais os julguei de forma alguma. Devo confessar, no entanto, que nunca os questionei sobre o que pensavam a este respeito. Pois bem.

O que eu quero dizer é que salvo aqueles casos em que a pessoa se sente totalmente desconfortável no gênero em que se apresenta e por isso vai em busca de uma mudança dita mais “radical”, como a troca de sexo ou simplemente a troca de identidade de gênero, em outros casos a pessoa segue sendo aquilo que é, ou seja, ou homem ou mulher, porém com a diferença que pode ser uma mulher que sente atração por outras mulheres, ou homens que se sentem atraídos por outros homens. Simples assim. Afinal, onde está escrito que uma pessoa deva necessariamente sentir atração apenas por pessoas do sexo oposto?

Por que o amor entre 2 homens ou entre 2 mulheres não pode ser considerado amor verdadeiro?

Entre almas, entre espíritos, o que conta não é o gênero, mas o afeto, a vibração, a energia fluídica.

Alguns podem argumentar dizendo que casais homoafetivos não podem procriar. Mas e o que dizer de tantos casais héteros que abandonam os próprios filhos? Ora, com os recursos e as tecnologias que temos hoje em dia, casais homossexuais (ou homoafetivos) podem tanto adotar quanto optar pela reprodução assitida.

Acabei desviando um pouco do assunto, mas quem me conhece, sabe que meus escritos são cheios disto, simplemente porque eu quando escrevo não faço rascunhos, mas simplemente vou passando para o papel aquilo que meu pensamento vai elaborando. Aliás acabo de decidir que depois deste escreverei um outro texto sobre (e para) o dia dos pais. Antes porém preciso finalizar este aqui.

A meu ver, datas como o “Dia dos Pais” não só podem, como devem ser lembradas e comemoradas. Não precisam necessariamente serem festejadas com pompas, presentes caros e coisas assim,mas podem ser aquele dia que tiramos para pensar naquelas figuras que na nossa vida representaram tão importante papel: pode ser um tio, como no meu caso, mas também pode ser um primo, um avô, um irmão, um professor. Pode ser aquela mãe que é pai e mãe ao mesmo tempo. Pode até ser aquela tua amiga que te ajuda, que te dá limites, que te livra das confusões, ou seja, não necessariamente precisa ser uma figura masculina. Se parássemos para pensar, talvez nos déssemos conta de quantos “pais” passam por nós no decorrer das nossas vidas. (Repito, me refiro àquilo que eles “representam” simbolicamente falando).

E se alguém por acaso não tiver nada disto? Neste caso, pode prestar homenagem àquele pai que existe dentro de si.

Que no próximo domingo, possamos prestar a nossa homenagem à todos os pais do Mundo, sejam eles físicos, genéticos, afetivos, adotivos, espirituais. Sejam homens, mulheres, sejam reais ou frutos de um imaginário individual ou coletivo.

Não servem presentes caros, mas se você tiver os seus (porque dentro deste ponto de vista, cada um de nós pode possuir incontáveis pais) pertinho, manda um bilhete, telefona, faz uma chamada de vídeo. Se eles já partiram, oferece à eles uma oração. Lembra deles com afeto, perdoa possíveis erros cometidos (afinal, somos humanos) e agradece. Faça do dia dos Pais um momento para exercer a gratidão.

A gratidão nada mais é do que uma simples e singela forma de oração.

E que assim seja.

Marian

Escrever

11 jul

Escrever para mim é um hobby, um prazer, eu ousaria dizer inclusive que é uma terapia. Não, não uma “terapia” propriamente dita, mas certamente tem efeito terapeutico.

Quando eu era criança, costumava ser muito brava nas minhas redações. Tinha, porém, um pouco de dificuldade de síntese. Enquanto meus colegas aumentavam o tamanho da letra para preencher o número de linhas necessárias nos temas de redação, eu, ao contrário, precisava diminuir. Com o passar do tempo, aprendi a escrever com a letra cada vez menor. Bom, mas isto não vem ao caso.

Redações, concursos literários da escola. Certa vez uma minha tia sugeriu que eu enviasse alguns poemas meus para um concurso de uma Editora. Para a minha surpresa, um deles foi escolhido para ser publicado. O livro de chamava “Poetas brasileiros de hoje”. O interessante é que a minha poesia se intitulava “Quando eu era pequena”, como se, naquela ocasião, eu fosse já uma adulta! Eu tinha 13 anos e o texto tinha sido escrito 1, 2 anos antes. Enfim.

Quando criança, eu tinha um diário, daqueles com fechadura e chave. Eu registrava ali momentos importantes e felizes da minha vida. Interessante é que meus escritos eram simples, nada secretos. Refletiam o meu modo se encarar a vida e de valorizar as coisas simples. Para se ter uma ideia, quem me conhece sabe que eu adoro coraçãozinho. Pois bem. Certo dia, eu escrevi: “Hoje no almoço teve coraçoezinhos e eu fiquei muito feliz”.

 Na adolescência, eu tinha aquelas agendas onde a gente escrevia reflexões, pensamentos, põesias, guardava bilhetes, ingressos e papéis de bala. Recortes, montagens, testes, metáforas, frases em código. A linguagem mudou, mas a vontade de se expressar através das palavras não. Aqueles diários, aquelas agendas, revelavam muito, diziam tudo sobre mim. Aquelas agendas que quando o ano chegava ao final só fechavam com a juda de um elástico.

Faculdade, graduação, pós-graduação. Os diários vão sendo abandonados, a escrita acaba sendo direcionada. O trabalho. De repente me vejo escrevendo artigos para os periódicos da clínica onde fui trabalhar, fazendo resumos para apresentar em congressos, organizando e supervisionando trabalhos academicos. Até que a minha vida faz uma reviravolta.

Uma mudança de 180 graus.

De repente me vejo do outro lado do Mundo. Inicialmente, sigo escrevendo sobre temas inerentes à minha formação. Meus escritos, no entanto, ganham sempre mais suporte teórico, viram menos metafóricos. Após uma graduação em Psicologia, uma pós em Psico-Oncologia e uma em Psicossomática, um Master em Cuidados Paliativos. E a tese: “A psico-oncologia, a Psicossomática e os Cuidados Paliativos: o cuidar na sua totalidade”. (La Psico-Oncologia, la Psicosomatica e le Cure Palliative: il prendersi cura nella totalità). A união das 3, cujo ponto em comum, cuja intersecção, era justamente a de enxergar o sujeito como um ser bio-psico-social-espiritual.

Ao mesmo tempo em que eu discorria sobre este tema, relatava, no meu blog pessoal, as primeiras experiências da vida aqui na Itália. Curiosidades, descobertas, enfim. Começavam as primeiras tentativas de escrever em italiano. Hoje, se volto aos textos escritos na época, encontro erros que chegam a “doer”, de tao gritantes. Mesmo assim, acabei optanto, pelo menos por enquanto, em não fazer as correções. Como se, com o passar do tempo, os textos, assim como eu, fossem, aos poucos, atingindo a sua maioridade.

Muitas coisas foram acontecendo na minha vida e a muitas delas eu acabava dando uma leitura toda particular. As primeiras frustrações, as dificuldades, as coisas sendo mais difíceis do que eu tinha imaginado, as mudanças, aquelas não programadas, inicialmente não desejadas, mas que se faziam necessárias.

Um exemplo de “leitura particular” se deu quando descobri ter uma hérnia de disco. Ah, quantas reflexões!

Uma dor atrás do joelho que aparecia “do nada”, dificuldade em descer as escadas, mas o “auge” foi quando, descendo as escadas na estação do metro, fiquei literalmente “empacada” no meio do caminho. A dor era tanta que paralisei. Exames, radiografia, tomografia. Nada. Ressonancia magnética. Hérnia expulsa,L5, S1. Antidoloríficos, organizados em :incomodo, dor leve, dor moderada, dor forte e dor fortíssima. (Aquele foi o momento em que eu soube ser muito resistente à dor. Nunca fui além da combinação entre um relaxante muscular e um analgésico/antidolorífico leve. Todos, inclusive a minha médica, se impressionavam com o fato de eu estar “enfrentando” uma hérnia desta forma).

Além da descoberta da minha “resistência à dor”, como citei anteriormente, a hérnia me levou a refletir e, de consequência, a escrever.

Acreditando que nada acontece por acaso e que tudo vem no momento certo, comecei a questionar sobre como estava a minha vida exatamente naquele período, a buscar o que o meu organismo estava tentando me mostrar/ensinar. Dali, acabaram saindo os seguintes textos:

  • Mais descobertas: hérnia!
  • Caminhar
  • Refletindo sobre algumas coisas que acontecem conosco no caminho da vida
  • Não pode carregar peso

Na medida em que as coisas na minha vida iam acontecendo, eu ia escrevendo.

A decisao de criar um blog tinha nascido alguns anos antes, quando eu ainda me encontrava no Brasil. Ao contrário de muitos blogs, no entanto, para mim ele funcionava simplesmente como uma espécie de Diário Eletronico. Até o momento em que me dei conta de que talvez as minhas reflexões, ou o meu modo de encarar e enfrentar a vida, pudessem, talvez, levar outras pessoas a refletirem e, quem sabe, acabar as ajudando de alguma forma. Assim, meu blog passou a ser público.

Não faço propagandas, não o divulgo, a não ser para os amigos que me seguem no Facebook, onde, cada vez que escrevo algo novo, publico o link.

Outra coisa interessante que foi acontecendo à medida em que o tempo passava e eu ia seguindo a minha vida aqui na Itália é que meus textos iam se tornando a cada dia mais reflexivos e os temas ligados à espiritualidade se sobressaíam. Além disso, percebi que a distancia física dos meus familiares fez com que, de certa maneira, nos aproximássemos ainda mais.

Perdi as contas de quantos textos escrevi pensando ou dedicando-os à minha mãe. E ao meu pai então? Porque no decorrer da minha vida, minha mãe tinha já recebido diversos escritos meus, de bilhetinhos a cartas, textos e cartões.

A mudança para a Itália e a criação do blog fez com que eu, de certa forma, passasse a “dialogar” com o meu pai. Aquele pai que eu, na teoria, nunca conheci. Como se ele, lá do Mundo Espiritual, pudesse ter acesso aos meus textos, aos meus escritos. Da mesma forma, em certos momentos escrevia/escrevo não apenas para ele, mas para outras pessoas significativas para mim, pessoas que foram (e sao) importantes para a minha vida e que já partiram.

Algumas rendem mais textos do que outras, talvez, por terem feito parte da minha vida de uma maneira mais completa, ou talvez simplesmente por a separação ser ainda recente e as lembranças estarem muito vivas na memória. O jeito, as frases feitas, as canções, as comidas, as expressões, os momentos, os lugares…Tais textos, geralmente, possuem conteúdos ligados tanto a lembranças como à espiritualidade.

Sobre o fato que meus textos geralmente refletem o momento que estou vivendo, não poderia deixar de comentar sobre aquilo que fui produzindo durante esta Pandemia. Pandemia esta que, sinceramente, eu pensava que seria mais leve e especialmente mais breve.

Quando tudo começou por aqui, eu esava esperançosa, a via como um problema, mas ao mesmo tempo como uma OPORTUNIDADE para nos tornarmos pessoas melhores. Via como uma parada obrigatória para revermos prioridades e valores. Como um modo para tornar o ser humano mais solidário, menos individualista. Pecado que as coisas não foram assim. O ser humando perdeu, a meu ver, uma grande oportunidade.

Antes ainda da Pandemia chegar ao Brasil, fui convidada a participar de 2 lives. Após isto, escrevi sim alguns textos sobre a Pandemia. Alguns reflexivos, outros metafóricos.

Lembro que cheguei a fazer uma comparação  entre a maneira das pessoas encararem/enfrentarem o COVID e as fases do luto da Elisabeth Kluber Ross, negação, raiva, barganha, depressao e aceitação. Se puderem, leiam o texto, ficou bem interessante e, a meu ver, repleto de sentido! Como nas fases do luto, também aqui existe quem se prolonga mais tempo em uma das fases… (Afinal, é uma “gripezinha”)

Confesso que o “prolongamento” da pandemia foi mexendo muito comigo, emocionalmente falando. Mexeu também economicamente, mexeu no que diz respeito ao trabalho, mas isto é uma outra questao.

Acontece que a vida segue o seu fluxo, com a (e apesar da) pandemia. E conforme o tempo vai passando, o fato de não poderes ir ao encontro dos teus familiares, vai pesando mais e mais. O engraçado é que o que faz pesar isto ainda mais é justamente o fato de “não poderes ir visitá-los”. Porque se pudesses ir, talvez tu nem fosse. (Como o fato de reclamar por não poder sair de casa, mas, quando pode sair, optar por ficar em casa). Porque é uma escolha, não uma imposição.

Lembro da dificuldade das pessoas, especialmente no Brasil, de respeitar o “fica em casa”, o distanciamento social. Eu, com viagem programada para ir ao Brasil, com passagens, passeios, hotéis, tudo reservado, acabei precisando mudar os planos, cancelar tudo. Talvez como uma forma de “consolar a mim mesma”, acabei, na época, produzindo um texto onde eu falava que, naquele momento, o “estar longe” era uma grande prova de amor. “Ficar longe agora, para poder se abraçar depois”.

Mas na vida existem razões que a própria razao desconhece. E se dá o desencarne do meu tio, vitíma de um atropelamento. Um tio tao amado por mim, especialmente porque, para mim, fora um pai. Um tio, um pai, um amigo, um parceiro de todas as horas. Uma das pessoas mais presentes na minha vida, além da minha amada mãe. Pois é. Aquele abraço, que tinha ficado para depois, não iria acontecer. Pelo menos não nesta vida, não com ambos encarnados.

Acabamos nos encontrando durante o sono, mais de uma vez. De uma outra forma, este abraço se deu. E, antes, durante e após o seu desencarne, meus textos tomaram uma forma muito direcionada e particular.

Voltando à pandemia, saiu até poesia! Com o tempo, no entanto, eu fui cansando. Eu via as pessoas a ignorando, erros se repetindo, o bom senso faltando, o egoísmo imperando. Eu seguia, me cuidando, cuidando do outro, fazendo a minha parte. E outras coisas, outros temas buscando.

Foi então que, certo dia, me deparei com uma postagem de um xama, falando sobre os animais de poder. Fiz uma consulta, descobri os meus e acabei redigindo 4 novos textos. Textos muito, muito pessoais, cujo conteúdo pode fazer sim com que as pessoas me conheçam profundamente.

E este foi o assunto dos últimos textos que escrevi: os amimais de poder.

De repente, no entanto, a vida (e a pandemia) me fizeram de novo refletir sobre algumas coisas. Me deparei elaborando, na minha mente, pequenos trechos de textos. Quando peguei o computador para escrever, no entanto, aquelas ideias se esvaíram e acabei produzindo “isto” que voces estao lendo agora. Um texto talvez meio sem sentido, ou talvez com dezenas, centenas de sentidos. Um texto que talvez possa levar a algum tipo de reflexão, ou que talvez desperte a curiosidade de ir em busca de textos anteriores.

O assunto sobre o qual eu queria escrever e cujas ideias passaram a semana toda rodando na minha mente será tema de outro texto, que será escrito numa outra ocasião. Um texto que falará sobre a vida, sobre a amizade, sobre a nossa missao por aqui. Quando ele será realizado? Eu não sei. Mas tenho certeza que será no momento certo.

Marian

Xamanismo, meus avós e meus animais de poder.

2 jun

Há um tempo atrás, escrevi alguns textos relatando a minha experiência na descoberta dos meus animais de poder. Os animais de poder, ou animais-guia, são espíritos sagrados, como anjos da guarda ou mentores espirituais, que, tomando a forma de um animal, nos transmitem características, valores e, especialmente, lições. Nos levam a refletir, a olhar para dentro de nós mesmos, a pensar na nossa estrada, na nossa missão enquanto seres encarnados e nos fazem ir além, nos fazem perceber o que nos diferência dos demais seres humanos e nos convidando a ir mais à fundo na busca do conhecimento ancestral.

Para evitar confusões ou interpretações errôneas, antes de eu continuar, gostaria de deixar claro que esta definição de “animal de poder”, comparando-os com “guias espirituais”, nasceu de uma reflexão feita por mim, buscando unir a sabedoria do povo indígena com alguns conhecimentos da doutrina espírita. Assim como acredito que são muitas as estradas que levam ° “Casa do Pai”, também acredito tanto no uso de metáforas para transmitir conhecimentos, quanto no fato que espíritos mais evoluídos podem sim se transmutar ou se transformar, de acordo com a necessidade. Para não falar na questão de que, embora nos consideremos superiores, na verdade temos muito a aprender com a natureza como um todo e especialmente com os animais. Então, os “animais de poder” como espíritos sagrados, anjos ou mentores que nos acompanham e nos protegem, foi um conceito dado por mim. Para uma definição mais correta, sugiro procuraremum xamã, como o Tkaynã ou o Tchydio, por exemplo.

Voltando então ao texto.

Outro dia, o xamã Tkaynã (Kariri- Xocó), que era aquele com o qual eu havia feito a consulta para saber quais eram os meus 4 animais de poder, postou no Stories do Facebook uma informação que achei muito interessante: a ligação entre os nossos avós e os 4 elementos: fogo, terra, ar e água.

Obviamente, a Marian aqui não seria a Marian se não tivesse começado a pensar a respeito, a refletir e a tentar unir tal informação com aquelas anteriormente recebidas. Os 4 portais, os 4 elementos, os 4 animais de poder, os 4 avós… Ah, quantas coisas sob as quais refletir!

Como talvez nem todos tenham lido os meus textos precedentes,acho importante esclarecer que, segundo Tkaynã, xamã das tribos Kariri-Xocó e Funiô, cada um de nós possui não 1, mas 4 animais de poder, cada um correspondente a um portal (Norte, Sul, Leste, Oeste) e a um dos 4 elementos, ar, terra, fogo e água.

Diante de todas estas informações, aquelas recebidas anteriormente, somadas áquela nova, comecei a pensar em de que maneira cada um dos meus animais de poder poderia estar associado aos meus 4 avós. Suas características seriam coisas que eu herdei dos meus antepassados? Estariam eles me transmitindo mensagens dos meus avós? As lições de cada portal, seriam um conhecimento que perspassa gerações? E, o que para mim parece mais interessante: o que meus animais de poder e os meus avós possuem em comum?

Comecemos falando sobre os meus avós paternos.

Os avós paternos pertencem aos portais de fogo e terra. Fico então pensando de que forma o vô Vercedino e a vó Eleonora poderiam estar associados aos meus animais de tais portais, ou seja, o lagarto (fogo, leste) e o cachorro (terra, sul).

A primeira coisa que me vem em mente é que o lagarto é, acima de tudo, um grande observador. Quieto, mas muito intuitivo. Ele é solitário, vai seguindo a sua estrada, tranquilo. Não porque não goste da companhia dos outros, mas sim porque é um grande sábio. E os sábios geralmente andam sós. Eles não impedem que os outros os acompanhem e são capazes de se doar, uma, duas vezes.Depois, seguem adiante.

Um grande sábio. Alguém silencioso, quieto, mas reflexivo. Alguém que não precisa falar, pois só o brilho do olhar é capaz de te transmitir tantas coisas, que qualquer palavra dita acaba por se tornar quase supérflua ou desnecessária. O meu vo Vercedino. Puxa, como eu gostava (gosto) dele! Com aquele jeito que tinha um que de tímido e que hoje me dou conta que era pleno de sabedoria. Trago comigo lembranças do seu jeito, do seu sorriso, do seu carinho. Não tenho lembranças de longas conversas. Talvez, entre nós, elas não fossem necessárias. Sim, talvez seja ele a ocupar, junto com o lagarto, um espaço no meu Portal Leste, o Portal do Fogo.

Ah, o fogo sagrado… e justamente ele, que é descendente de índios, encontrou ali o seu lugar.

O Portal Sul, a Terra…O cachorro. Fidelidade, servitude. Alguém com a força do guerreiro, que “perde as estribeiras” para defender quem ama. Ah, vó Eleonora! É de ti que estamos falando! Quem, senão ela, para me ajudar a trabalhar o amor incondicional? Aquele amor que não quer reconhecimento. Aquele amor que simplesmente ama. Amor que transparece em gestos, atitudes, mas especialmente em orações. Áquela neta tão amada, que ela não via tão seguido, ela dedicara inclusive um altar. Um altar, um espaço de orações, com o retrato do seu filho, que desencarnara tão precocemente e da sua neta, lembrança viva da sua presença por aqui. A neta que não era muito fã de doces, para o azar desta avó, que era uma doceira “de mão cheia”. A neta que sentia suas bochechas esmagadas a cada reencontro, “achatadas” de modo tão forte a ponto de quase ficar com caimbra. Talvez  ninguém nunca tenha sabido, mas, quando criança, esta neta, ou seja, eu, associava a vó Eleonora com a Dona Benta, do Sítio do Picapau Amarelo. Cabelos brancos, avental, doces, guloseimas, carinho… Ah, uma ùltima coisa, lembremos, como o lobo e São Francisco de Assis: amar e perdoar, são virtudes que devem ser trabalhadas sempre!

Os outros 2 portais se caracterizam pela presença dos avós maternos.

O portal da água, Oeste, o golfinho e o portal do ar, Norte, o beija-flor.

Inicialmente, pensei em associar o portal da água (feminino) à minha nona e o do ar (masculino), ao meu nono. No entanto, observando as características dos meus animais de poder, não apenas me dei conta de que eles possuem muitos fatores em comum, como também percebi que, de certa forma, ambos os meus avós poderiam ser associados a qualquer um dos animais. Assim, optar por colocar cada um deles em apenas um lugar, talvez seja correr o risco de me tornar reducionista. Isto aliás me leva a repensar a tudo aquilo que escrevi anteriormemnte a respeito dos meus avós paternos.

Embora eu tenha associado o meu avô ao lagarto, com seu jeito silencioso e observador e a minha avó ao cachorro, com suas demonstrações de amor incondicional, agora me dou conta de que meu avô também possuía aquela característica tão comum aos cachorros, a fidelidade e a servitude, assim como a vó Eleonora, como o lagarto, tinha sido uma daquelas pessoas que seguira a sua estrada, investira no seu sonho, partindo, sem olhar para trás. Como eu, ela também tomara decisões para viver um grande amor. Assim sendo, repensando, prefiro acreditar que ambos se alternem entre estes dois portais, embora talvez cada um deles se fixe mais em um do que no outro. Agora, voltemos aos meus avós maternos.

A imagem do golfinho e a sua ligação com curar a baixa auto-estima da criança, me remete à minha infancia e à presença do nono Pedrinho na mesma. Dizem que a empatia do golfinho o ajuda a entrar no mundo do outro, fazendo com que este se sinta escutado, acolhido, compreendido. Diante de uma criança, por exemplo, ele também vira criança, mas ao mesmo tempo consegue estabelecer regras e limites.

Pelo que me relataram, sob alguns aspectos, o Pedro “nono” foi bem diferente do Pedro “pai”. O Pedro pai, pessoa frágil, cujos mergulhos na profundidade do seu ser (incentivados pelo totem do golfinho) acabavam despertando emoções e sentimentos os quais ele pensava não ser capaz de lidar, acabando muitas vezes por desenvolver quadros depressivos e o Pedro “nono”, que se deixava levar por aquela neta, se deixava envolver naquele mundo infantil onde ele desempenhava tantos papéis: o amigo, o “aluno” (Sim, ele brincava de escola com a neta. Ele era o aluno e ela a professora), o companheiro de jogos (escova, canastra) e canções (o Hino, as músicas italianas…), a personagem de tantas histórias (sua neta o fantasiava). A gentileza, a pureza, a sutileza. Características do golfinho e do noninho.

Existem no entanto algumas características do golfinho que me fazem pensar na nona Itália. Embora eu não a tenha conhecido pessoalmente, algumas das histórias que me contaram a seu respeito me levam a associá-la a este totem.

O golfinho está associado à empatia, a se desprender de si mesmo e se colocar no lugar do outro. Ele ajuda a mergulhar nas profundezas de si mesmo e, em seguida, nas profundezas do outro, ajudando-o na busca da cura emocional e do verdadeiro despertar.

Ora, perdi as contas de quantas vezes em família vieram á tona lembranças da minha nona que se dedicava aos outros! Quantas histórias sobre a sua bondade, o seu desprendimento, a sua alegria! A alegria divina, o golfinho! No entanto, também não posso não associar o nono e  nona ao ùltimo dos portais, ou seja, o Norte, o ar.

Confesso que a primeira imagem que me vem em mente quando penso ao beija-flor, que é o meu animal de poder do portal Norte, é a figura do meu nono, pouco antes de desencarnar. Há tempos ele vinha carinhosamente sendo chamado de “passarinho” e a sua libertação do corpo de carne foi como um passarinho que saía da gaiola, rumo á liberdade, rumo á felicidade.

O beija-flor, que leva sempre alegria para as pessoas. Assim também o era o noninho! O “Pedro avô”, era aquele tipo de nono cuja lembrança nos leva sempre a sorrir. Pensar nele nos remete á histórias, vivências, a uma convivência repleta de amor. O beija-flor. A aparente fragilidade, a delicadeza, a sutileza. A energia da criança.

Já quando penso no que me contaram a respeito da minha nona, acabo associando a ela algumas características do animal de poder beija-flor, como por exemplo o fato de ele ser a manifestação mais pura do amor divino. Ser sempre um ponto de luz, com sua alegria genuína, profunda, divina. Com suas asas abertas, formando um losango, ele é mensageiro dos 4 portais. Com os braços abertos, a nona era sempre pronta a acolher, na sua casa, mas especialmente no seu coração, quem quer que fosse. Flexível e intuitiva, ela se adaptava á qualquer situação.

Para encerrar, vou procurar fazer um pequeno resumo do que escrevi anteriormente.

Os avós paternos, ocupam os portais do Leste e do Sul, ou seja, do Fogo e da Terra. No meu caso, junto ao lagarto e ao cachorro. Assim como estes animais de poder, meus avós paternos se caracterizavam por serem pessoas que seguiram o seu caminho sem olhar para trás. Pessoas fiéis, especialmente aos seu valores e princípios e dotadas de sabedoria e amor incondicional. Pessoas que escutavam a intuição e o coração.

Já meus avós maternos, “ocupantes” dos portais Norte (ar) e Oeste (água), se caracterizavam, acima de tudo, pela alegria genuína, pelo amor divino, pela pureza. Por aquela luz que possuíam dentro de si, pela empatia, por aquele movimento fraterno que esteve sempre presente dentro da minha vida.

Hoje, agradeço ao xamã Tkaynã pela oportunidade de obter tais conhecimentos relacionados aos meus ancestrais, aos meus animais de poder, lagarto, cachorro, golfinho e beija-flor, pelas lições, intuições e pela proteção Divina e agradeço especialmente aos meus amados avós, Vercedino, Pedro (Piereto), Eleonora, Itália, pelo vosso legado, pelo vosso afeto, pelo vosso amor incondicional e principalmente pela vossa presença na minha vida, inclusive agora, como verdadeiros protetores, mestres, amigos, mentores espirituais. Gratidão eterna! Enquanto eu estiver cumprindo a minha missão por aqui, seguiremos nos encontrando durante o sono!

Marian

Eu, aos 15 anos,com a vó Eleonora e o vô Vercedino
Eu e o noninho! (Pedro Festugato)

Minha nona Itália e meu nono Pedro com meu primo André

Mais um encontro!

30 maio

Há algumas semanas,  sonhei de novo com o tio Ruben. Não cheguei a comentar com ninguém, mas hoje deu vontade de escrever a respeito. Aliás,  faz alguns dias que penso em colocar,  mais uma vez, as minhas reflexões no papel. (Papel, aqui, num sentido metafórico,  visto que, na verdade,  a “folha” nada mais é que a tela do telefone celular).

Então. A minha convicção,  mais uma vez, é que não foi um sonho, mas um encontro.

Dizem que,  no Mundo Espiritual,  escolhemos a “forma” como gostaríamos de nos apresentar, ou melhor,  nos parecer (fisicamente falando), ou seja, moldamos o nosso Perispirito de acordo com uma escolha que acredito ser subjetiva, a qual certamente reflete um período/época da nossa encarnação que para nós foi importante ou significativo.

Assim por exemplo,  eu imagino que o meu nono, mesmo tendo desencarnado aos 92 anos, ao reencontrar aquela que, na última encarnação,  tinha sido a sua esposa,  tenha resolvido “adotar” a aparência mais jovem. Acredito que alguns, inclusive,  optem por adotar a aparência que possuíam não na última encarnação,  mas em encarnações anteriores.

Tudo isso para dizer que eu encontrei o Bibi, um encontro breve, rápido,  no qual, porém, à diferença dos nossos últimos dois encontros, ambos já relatados aqui no blog, a sua aparência tinha mudado. Ele estava bem mais jovem, rosto liso, sem rugas. Cabelos bem escuros. Me veio em mente uma fotografia em que ele está comigo e com o Luciano no “Campinho”. (Vou postar a foto para que vocês vejam). Me dei conta,  no entanto,  que o tio Ruben que encontrei demonstrava ser ainda mais jovem do que o daquela época. Lembrei então dos seus tempos de  Aliança Francesa, dos bailes de Carnaval,  das aventuras com os amigos,  por exemplo, daquela vez em que subiram no teto da Igreja de São Pelegrino, que estava em construção…
O mais interessante disto tudo é que, mesmo ele tendo uma aparência bem mais jovem de quando eu o conheci,  eu sabia que era ele. E, mais uma vez,  só tenho que deixar aqui registrada a minha gratidão.
O Bibi faz parte dos meus pensamentos praticamente sempre. No entanto,  não de forma pesada, triste,  obsessiva. Simplesmente ele é (falo de propósito no presente) uma pessoa tão presente na minha vida, que lembrar dele, pensar nele, acontece de forma automática. Pode ser por algum comentário,  por um pequeno gesto do dia-a-dia, por coisas aparentemente banais. Hoje, por exemplo, visto que fez um lindo dia, provavelmente iremos  “jantar fora “. Ora, “jantar fora”, literalmente falando. Iremos colocar a mesa na sacada! E,  sem uma razão especial, pensei no Bibi. O  mesmo acontece em diversas situações,  onde tendo a usar frases usadas por ele, por exemplo.  Isto,  no entanto,  já acontecia bem antes do seu desencarne! Ou seja,  estas lembranças,  esta presença dele na minha vida,  nos meus pensamentos,  de forma constante,  na verdade sempre existiu! Aliás,  talvez seja por isso que são lembranças fazem tão bem! Confesso,  no entanto,  que voltar em alguns lugares por aqui onde estivemos juntos,  exerce sim sobre mim um forte efeito emocional. Aliás,  me brotam lágrimas,  aumenta o brilho do meu olhar,  só a imaginar.  São lembranças  que me fazem pensar no quanto cada momento,  por mais insignificante que possa parecer,  é um momento único e especial. Aliás,  ter um tio/pai que aos 88 anos pega o avião e faz milhares de quilômetros só pra vir te encontrar, é  privilégio de poucos!
Vou ficando por aqui,  agradecendo aos nossos Mentores por terem permitido mais este reencontro e  agradecendo ao Bibi por estar na minha vida, por tudo que ele fez por mim enquanto espírito encarnado e por tudo que sei que ele continua fazendo por nós,  lá do Mundo Espiritual.

Obrigada, muito obrigada!

Marian

I fagioli di zia Renée

29 abr

Ogni volta che preparo i fagioli, ricordo quando li ho preparati per la prima volta. Quella era forse una delle sfide più interessanti per chi era andato a vivere da sola e aveva iniziato a stancarsi di cucinare sempre gli stessi piatti (basilari).

La cosa interessante è che a casa mia tutti i giorni c’erano i fagioli e onestamente non ero una grande fan. Improvvisamente, però, ho iniziato a sentirne la mancanza. Forse il mio corpo stava reagendo per mancanza di ferro, o forse la “mancanza” era legata a un altro tipo di mancanza: quella della famiglia, una sorta di nostalgia di quei pranzi che, mentre per molti capitavano solo di domenica ( famiglia tutta insieme, a parlare, a ridere, a convivere …), per me, per noi, succedeva ogni giorno. In quei momenti osservavo il modo di essere di ognuno, i loro gusti, le loro storie, le loro peculiarità.

Sono cresciuta. Sono andata all’università, mi sono trasferita in un’altra città. E un giorno ho deciso di fare i fagioli.

Ai giorni d’oggi, quando vogliamo preparare un nuovo piatto culinario, basta digitarne il nome su internet e … voilà!Compaiono dozzine, centinaia di ricette, consigli, foto, video. All’epoca, però, non era così. Per non parlare del fatto che potevo accedere l’Internet solo nella sala computer dell’università e la mia unica e-mail era associata al mio numero di iscrizione. In effetti, questo darebbe un altro testo! (Su Internet non ero Marian. Ero un numero! 9513936). Bene, ma torniamo sull’argomento: i fagioli.

Per imparare a cucinarli ho chiamato una delle persone che per me era la più adatta ad insegnarmi: zia Renée. (Se non avessi chiamato  lei, avrei chiamato Amália).

Ricordo come se fosse oggi, lei che mi spiegava, passo dopo passo, al telefono, mentre io prendevo appunti, in brutta. Poi, ho ricopiato “in bella ” la sua ricetta in un quaderno. E quella ricetta, quel foglio di quaderno, mi accompagna fino ad oggi.

Da allora, ho fatto i fagioli molte volte. Ho adattato la ricetta, che ha finito per acquisire alcune mie caratteristiche. A volte li faccio così, come lei, vegetariani, morbidi, ma molto gustosi. Altre volte cambio le spezie, perché non le trovo sempre qui. In alcuni momenti faccio qualcosa di “più forte”, aggiungo, per esempio, pezzi di salame a cubetti, o della salsiccia … ma la base, il modo di farlo, i “piccoli segreti”, sono sempre i suoi.

Oggi in particolare mi è venuta voglia di mettere tutto su carta, o meglio, sullo “schermo”. La pentola a pressione è sul fuoco, le spezie sono pronte per essere aggiunte, il profumo è già nell’aria.

Quando il testo sarà pubblicato, i fagioli saranno già pronti. Questo perché voglio mettere anche un’immagine di essi.

Non so se zia Renée si ricorda di avermi insegnato a preparare questo piatto che sa di casa, sa di famiglia, sa di memoria. Un piatto che porta tanti ricordi, non necessariamente legati direttamente ad esso, ma a momenti vissuti. Inoltre non so se lei ricorda il modo molto particolare in cui me lo ha insegnato: con una telefonata.

Penso che sarà un piacere per lei leggere questo testo, così come è stato per me scriverlo. I ricordi devono essere conservati, soprattutto quelli belli. Uno dei modi che abbiamo di farlo, in modo che non vengano dimenticati, è cercando di renderli eterni, attraverso storie, articoli o raccontandoli ad altre generazioni.

“I fagioli di zia Renée” sono più di semplici fagioli, sono la metafora di una vita (la mia, la nostra) piena di amore e gratitudine.

Marian

Animali di potere: parliamo del mio guardiano del Ovest!

29 abr

È giunto il momento di parlare del mio quarto animale di potere, o animale guida, il guardiano del Portale Ovest, rappresentante dell’elemento acqua.

Dicono che le acque siano legate all’emozione. Se pensiamo a quanto essa sia un elemento che si adatta, che cambia, che vive in un “flusso” costante, ha molto senso paragonarla, associarla ai sentimenti.

Come le acque, a volte siamo lago. Calmi, capaci di riflettere lo sguardo dell’altro nel nostro stesso sguardo. Tuttavia, di tanto in tanto abbiamo bisogno di “muovere”, noi stessi, le nostre emozioni, perché l’acqua stagnante per lungo tempo crea melma e attira le zanzare. Ed è qui che entra in gioco l’importanza dei venti, che ci muovono, come sfide che la vita ci presenta, o il sole, che ci trasforma in vapore. E all’improvviso siamo nuvola. Assorbiamo tutto e ci gonfiamo, ci gonfiamo … E ci trasformiamo in pioggia. Ah, com’è bello poter piovere! Lasciare scorrere le lacrime. Che sollievo dà! Le lacrime sono la pioggia del cuore. Quando sono di tristezza, hanno il potere di bagnare terre aride, dentro di noi o dell’altro, provocando sollievo e permettendo a nuovi semi di germogliare. Quando sono di felicità o di nostalgia, sono come la pioggia fresca sulla terra bagnata, sono come il profumo che emana un giorno di primavera.

A volte siamo fiume. A volte non siamo fiume, ma dobbiamo imparare ad esserlo. Dobbiamo imparare dai fiumi a “lasciare scorrere”. Dobbiamo imparare che non passiamo mai due volte nello stesso posto, emotivamente parlando. Perché ogni volta ci sarà qualcosa di nuovo, perché il mio IO di oggi è diverso da quello di ieri. Inoltre, come i fiumi, dobbiamo renderci conto che ognuno di noi ha il suo tempo. Che non abbiamo bisogno di essere spinti, precipitati … Come i fiumi, dobbiamo imparare a correre da soli. Al nostro ritmo. E lo stesso vale per gli altri. Forse il mio fiume scorre più veloce del tuo. Forse presto atterrerò in mare. Forse diventerò mare.

Ah, il mare … come lui, possiamo essere calma, o agitazione. Il mare, così immenso, sembra non conoscere limiti, però anche lui li ha. E tante volte, per quanto ci sentiamo “liberi” di esprimere idee ed emozioni, ognitantoi ci rendiamo conto che  c’è qualcosa che ci limita: sono barriere coralline, canali, golfi, atolli. Siamo noi stessi, è l’altro, è quel bisogno di adeguarsi, di adattarci. Con coraggio, però, abbiamo scelto di non ristagnare. Perché il nostro sogno non è quello di tornare ad essere lago. Il nostro sogno è essere Oceano.

Sì, siamo Oceani! Siamo infiniti! Siamo tempesta, siamo calma, siamo tutto, siamo umani, siamo divini!

Il portale delle acque, il portale delle emozioni? Forse. Questa in realtà è stata una mia deduzione. Chi mi conosce sa che amo “viaggiare nella maionese”[1].

Dicono che sono “tutta acqua”, cioè pura emozione. Per l’astrologia, sono un segno di acqua, con un ascendente acqua e una luna acqua. WOW!! Secondo le matrici afro-brasiliane, sono figlia di Iemanjá. Sì, la regina del mare!

Ogni volta che parlo di mare, mi riferisco all’oceano. Questo perché, brasiliana come sono, per me l’Oceano è il mare. Solo quando mi sono trasferita qui in Europa mi sono resa conto che, sin da piccola, non facevo il “bagno di mare” (o nel mare), ma il bagno di Oceano! (O nel Oceano).

Quando prendiamo un attitudine che cambia radicalmente la nostra vita, lasciandoci alle spalle tante cose, questo non significa che non ci porteremo insieme la “saudade”.. La “lucertola selvaggia che vive in me”, o meglio, la mia guida protettrice del Portale Est, mi ha aiutato a lasciare quella “vecchia me” alle spalle e andare alla ricerca del nuovo. Il cane mi ha aiutato a continuare ad amare e prendermi cura di coloro che amo, anche da lontano. La tecnologia aiuta moltissimo e la possibilità, ad esempio, di fare videochiamate, vi avvicina, aiuta a ridurre la nostalgia e la solitudine. Le nostre conversazioni sono sempre piene d’amore. Trasportiamo messaggi, attraverso conversazioni, scritti e anche nei sogni, con il colibrì come messaggero. C’è però una cosa che mi manca molto, qualcosa che mi manca così spesso  che tante volte mi fa lacrimare: il mare.

Il mare mi manca così tanto che ricordo che, certa volta (una delle prime volte in cui sono andata in spiaggia da queste parti), mentre dall’interno della macchina ho iniziato a vedere il mare, le lacrime scorrevano senza fermarsi. Ho bisogno del mare. Mi sono resa conto che non ho nemmeno bisogno di essere lì a lungo. Bastano poche ore e le mie energie si rinnovano, le mie emozioni emergono.

Oggi, mi chiedo se questa mia connessione così forte con il mare / oceano non possa essere collegata al mio animale d potere del Portale Ovest.

Sicuramente avete notato che, a differenza degli altri animali, il cui nome “ho rivelato” già nel titolo, per questo  invece sto facendo una certa “suspense”. Chi mi conosce può già immaginare che animale sia. In effetti, se ci penso, chiunque abbia letto il mio primo testo di questa serie sa benissimo di chi si tratta. Questa volta però ho deciso di scrivere così, in un altro modo.

Quando lo sciamano mi ha detto chi era il mio animale di potere acquatico, la mia reazione è stata:

“Davveroi Non ci credo! Non è possibile! Ho sempre amato … (e qui ho pronunciato il nome dell’animale). Sorprendente!! “

Lo sciamano sorrise e io lo guardai attraverso lo schermo del cellulare, affascinata. Tra tante possibilità, il mio guardiano è proprio lui … lui, che mi piace tanto, lui, il quale ho addiritura una collezione … Ricordando qui che in nessun momento ne avevo parlato con l’indio riguardo a questo!

Sì! Il mio guardiano del portale ovest è il delfino !!

Stavo qui cercando di ricordare (o scoprire) come è nato il mio amore per i delfini. Sapete che non riesco a ricordare? So solo che all’improvviso loro sono entrati nella mia vita. Forse i primi sono stati un delfino di peluche e il suo piccolo, che ho portato dalla Disney. Dopo di lro sono comparsi delfini di ogni genere, in legno, in cristallo, in metallo, apribottiglie, quadri, porta incensi, orecchini, campanelli eolici, ecc. A mia insaputa una delle mie guide , sul totem del delfino, stava agendo, insegnandomi, protegendomi. Ma quali sono le lezioni che il delfino è venuto a insegnarmi e quali sono le caratteristiche, i “doni” che suscita in me?

Una delle cose più interessanti emerse nella mia consulenza sulla ricerca dei miei animali di potere è stato il fatto, già menzionato nei testi precedenti, che, dei miei 4 animali, 3 di loro avevano caratteristiche molto simili, per non dire uguali. A parte la lucertola selvaggia, la cui funzione era / è quella di aiutarmi a lavorare sul rinnovamento, sul distacco, tutti gli altri rappresentano tenerezza, conforto, accoglienza, compassione.

Ci sono molte cose davvero interessanti sul delfino, o meglio, sul delfino come “animale di potere” di cui vorrei parlare. Prima di tutto però, visto che non credo alle coincidenze, c’è una cosa che devo dire: anche mia madre ha il delfino come uno dei suoi animali di potere!

A proposito di questo “madre e figlia delfini”, ho trovato una storia super interessante, che mi ha ricordato la nostra storia! Ho letto su un sito web che “Le femmine di delfino danno alla luce un unico figlio, con diversi membri del branco intorno a lei, aiutandola a tirare fuori il cucciolo. Possono proteggerlo da qualsiasi pericolo imminente “(…)

Ebbene, chiunque mi conosca sa quanto sia fertile la mia immaginazione! Pertanto, non ho potuto fare a meno di pensare a mia madre (delfino) che ha dato alla luce la sua unica figlia e ai tanti “membri” del gruppo (zio Ruben, zia Renée, Amália, il mio nonno, ecc.), aiutandola a proteggermi. Ah, quante verità troviamo nelle metafore della vita! Anche curioso che sia l’unico animale di potere che abbiamo in comune!

Andiamo quindi alle caratteristiche del nostro amico del mare?

Ricordate quando ho parlato del colibrì e quanto era praticamente impossibile esserne indifferenti? Credo che lo stesso valga per il delfino! Come il colibrì, anche il delfino ha una gioia divina!

Le persone il cui animale di potere è il delfino hanno caratteristiche come la gentilezza, la purezza e la sottigliezza.

Il delfino risveglia in noi l’empatia e aiuta a curare la scarsa autostima, soprattutto nei bambini.

Chi possiede il delfino come animale di potere ha, soprattutto con i bambini e le persone con bisogni speciali, un rapporto molto speciale. Questo perché il totem delfino li aiuta a lasciarsi andare e mettersi nei panni degli altri. La loro empatia li aiuta ad entrare nel Mondo dell’Altro, facendoli sentire ascoltati, accolti, compresi. Quando si relazionano ai bambini, sono, come i delfini, sorridenti, allegri, giocherelloni e, allo stesso tempo, riescono a stabilire regole, limiti, a farsi capire, farsi ascoltare, farsi obbedire.

Il delfino e il polpo hanno una saggezza unica. Inoltre, una delle caratteristiche più belle che il delfino trasmette a chi lo ha come uno dei suoi animali di potere è il dono della guarigione.

Il delfino ci invita a tuffarci, a tuffarci senza paura nel profondo dell’essere. Tuffarci nelle nostre acque interne. Ci invita a lasciar fluire le emozioni. Immergerci in noi stessi, conoscerci profondamente, così da poter usare questo stesso dono per immergerci nelle profondità dell’altro, aiutandolo nella ricerca della guarigione emotiva, del suo risveglio.

Mentre metto queste frasi su carta, mi è venuto in mente un estratto di “Vicino al cuore selvaggio”, di Clarice Lispector:

“Suppongo che comprendermi non è una questione di intelligenza e sì di sentire, di entrare in contatto… O tocca, o non tocca. Arrenditi, come mi sono arresa io. Sprofondati in quello che non conosci come mi sono sprofondata io. Non preoccuparti di capire, vivere va oltre qualunque comprensione”

Sembra sia questo quello che cerca di dirci il delfino: perdi la paura, tuffati! Hai il dono di guarire, di risvegliare i sorrisi!

Con questo, chiudo questa piccola serie di testi, parlando della mia esperienza nella ricerca dei miei 4 animali del potere, attraverso una consultazione sciamanica, effettuata con Tkaynã, sciamano delle tribù Kariri-Xokó e Funiô.

Ora, la cosa più importante è: cosa mi rimane di questa esperienza?

Anche se inizialmente ho “intrapreso” questa ricerca spinta principalmente dalla curiosità, ben presto questa è stata sostituita dalla certezza che, in realtà, a guidarmi in questa “ricerca”, attraverso l’intuizione, sono stati i miei mentori spirituali, spiriti protettivi che, presentandosi in le vesti di tali animali, non solo mi hanno ricordato chi sono veramente e, soprattutto, a che scopo sono qui, ma mi hanno fatto riflettere sui sentieri già tracciati e su tutto ciò che devo ancora costruire. Mi hanno fatto ricordare caratteristiche che mi sono peculiari, ma che sembravano addormentate, nello stesso tempo che sembravano  fossero arrivati nel momento esatto in cui comincio a riflettere sulla ricerca di nuove strade, su cambiamenti, sulla possibilità di, come la lucertola selvaggia, “lasciarmi andare”, liberandomi da una strada che potrebbe non essere più mia e seguire una nuova strada, distribuendo, come il colibrì, la gioia divina e, come il cane, diffondendo l’amore di cui il Mondo ha tanto bisogno. Per fare questo, come il delfino, dovrò imparare ad immergermi, senza paura, in questo mare immenso che esiste dentro di me. Imparare, più che a ascoltare, a sentire. Senti la vibrazione. La vibrazione del pianeta, dell’intero Universo, le onde percepite dalla lucertola, dal cane, dal colibrì e anche dal delfino. La vibrazione della mia stessa energia, del mio spirito, del mio cuore. Questo porterà sicuramente a dei cambiamenti. Cambiamenti che arriveranno al momento giusto. Il che significa anche esercitare la pazienza, la tolleranza e la gratitudine. Fidarsi dell’Universo, fidarsi di me stessa, arrendersi, senza però cercare di far “acellerare” il  flusso del fiume.

Ricordo che la prima volta che ho parlato dei miei portali, li ho visti con molta, molta luce. Un bel sentiero illuminato. Tuttavia, troppa luce oscura la vista. E questo ciò che riguarda l’attesa. Come la barca che, per effettuare la traversata in sicurezza, attende che le acque si calmino. Come quando ci immergiamo in piedi, perché non riusciamo a vedere il fondo o, tornando alla questione della visione, come quando passiamo da un luogo più buio a uno più luminoso: dobbiamo dare tempo alle nostre pupille di adattarsi. Così è anche per i cambiamenti nella nostra vita, soprattutto quelli in cui uno dei principali fattori coinvolti è l’emozione.

Oggi la cosa più importante che posso dire è grazie. Grazie a Tkaynã, per la bellissima opportunità di farmi conoscere i miei 4 animali del potere e, attraverso loro, di saperne di più su me stessa,  il mio modo di essere, i miei doni, le mie difficoltà e sfide. Per questo ringrazio anche loro, i miei Animali del Potere, questi spiriti guida, che, come dice il nome, mi guidano, soprattutto attraverso i sogni, l’intuizione. Loro che mi proteggono, rispettando però le mie scelte, il mio libero arbitrio.

Oggi posso dire che quello che ho imparato da questa esperienza si può riassumere nelle seguenti parole: distacco, tenerezza, accettazione, amore, gioia, intuizione e gratitudine.

Marian


[1] Espressione, modo di dire in portoghese che significa dire una cosa senza logica, inventare.