Ciao papà!

20 out

Ciao papà!

Ieri è stato il giorno del tuo compleanno. Se tu fossi ancora qui, avresti compiuto 75 anni. Tu, però, te ne sei andato prima. A 31 anni, sei partito per il Mondo degli Spiriti.

Dicono che quando si da la disincarnazione, non so se subito o poco dopo, uno può scegliere la “forma”, o meglio, come vuole presentarsi. (Se com’era quando ha disincarnato, se più giovane, o addirittura avere l’aparenza che aveva in una vita precedente). Detto questo, io immagino ad esempio che il nonnino, quando è arrivato là, abbia preferito utilizare la sua apparenza più giovane e che il suo incontro con la nonna sia stato un incontro di una coppia di fidanzati. Forse lui ha plasmato anche il cappello e la “fatiota” bianca che di solito metteva quando andava a trovarla. Magari anche il suo cavallo sia apparso!

Ecco. Tu invece, io immagino esattamente con l’età che avevi quando sei disincarnato. 31 anni. Con la mia fertile immaginazione, ieri ti ho visualizato cellebrando il tuo compleanno facendo una delle cose che ti piacevano di più: giocando a calcio. Ho immaginato le persone che facevano il tifo, tanti spiriti afini che, come te, oggi si trovano lì nel Mondo Spirituale, fra cui il nonno e la nonna (tuoi genitori), i tuoi cognati Chico, Waldyr, Paulo, zia Mary, lo zio frate. Il papà della Lizi! L’Amantino di Amália! La signora Eleonor e il signore Opilhar. Lo zio Roberto in realtà sembra essere anche lui nella tua squadra. Lo Gilmar, figlio del Py. E Davi, papà della Simone. (Ho saputo che siete diventati grandi amici lì nel vostro mondo!)

Così mi sono messa a creare la tua squadra nella mia immaginazione. Spiriti afini che forse avevano disincarnato anche loro circa con quella fascia di età, oppure che avevano optato per “mostarsi” più o meno con quell’età.

All’improviso, penso a uno spirito di molta luce che ha disincarnato, anche lui, più o meno in quell’età. Tu a 31, lui a 33. Automaticamente mi viene in mente tutta la fede e l’amore incondizionale che la tua, la nostra famiglia possiede. E sì papà, ti confesso: ti ho visto giocare a calcio con Gesù! E eravate nella stessa squadra!

Il risultato della partita? Ah, questo non lo so! In cielo, però, le stelle hanno formato uno dei più belli spetacoli mai visti, meglio di qualunque spetacolo pirotecnico che noi qui possiamo essere in grado di creare. E, ad un certo punto, ho visto diverse fasce di luce che uscivano dal cuore di ognuno degli spiriti lì presenti! Le luci andavano dritto nel tuo cuore, come fossero il tuo regalo di compleanno e poi si multiplicavano e si spargevano, perché sapendo che donare è il migliore presente che uno può fare a se stesso, avevi optato per distribuire questa energia d’amore.

Noi, in questo piano, forse non abbiamo guardato la partita. (O forse sì?). Il flusso di energia, però, abbiamo ricevuto e l’emozione che mi avvolge in questo momento è la prova che, anche se questa è una storia di finzione, in essa c’é presente anche un po’ di realtà.

Ancora una volta: buon compleanno papà!

Marian

Oi pai!

20 out

Ontem foi teu aniversário. Se estivesses por aqui, terias completado 75 anos. Tu, no entanto, partiste antes. Aos 31 anos , partiste para o Mundo Espiritual.

Dizem que quando desencarnamos, não sei bem se logo no início ou pouco depois, podemos escolher a “forma”, ou melhor, como queremos aparentar.(A de quando desencarnamos, a de quando éramos criança, ou até adotar a aparência que tínhamos em uma existência anterior). Assim, imagino por exemplo que o noninho, quando chegou lá,optou pela sua forma mais jovem e seu reencontro com a nona foi, assim, o reencontro de um casal de namorados. Talvez tenha plasmado inclusive o chapéu e o terno branco com o qual ia encontrá-la na época do namoro. Quem sabe até o cavalo tenha aparecido por lá!

Então. Tu, eu imagino exatamente com a idade que tinhas quando desencarnaste. 31 anos. E, com a minha fértil imaginação, ontem te visualizei comemorando o teu aniversário fazendo uma das coisas que mais gostavas: jogando futebol. Imaginei o pessoal na torcida, tantos espíritos afins que, assim como tu, hoje se encontram aí no Mundo Espiritual. Dentre eles, o vo, a vó, teus cunhados Chico, Waldyr, Paulo, a tia Mary, o tio frei. O pai da Lizi! O Amantino da Amália! A dona Eleonor e o seu Opilhar. O tio Roberto na verdade parece ser do time também. O Gilmar, filho do Py. E o Davi, pai da Simone. (Soube que vocês se tornaram grandes amigos por aí).

Assim fui criando o teu time na minha imaginação. Espíritos afins, espíritos, talvez, cuja idade do desencarne tenha sido próxima à tua, ou que tenham optado por plasmarem-se naquela faixa etária.

De repente, penso a um espírito de muita luz que desencarnou, também ele, mais ou menos naquela idade aí. Tu aos 31, ele, aos 33. Automaticamente me vem em mente a fé e o amor incondicional que a tua, a nossa família possui. E sim, pai, te confesso: te vi jogar futebol com Jesus!! E vocês estavam no mesmo time!

O resultado da partida? Ah, isso eu não sei! No céu, no entanto, as estrelas formaram um espetáculo dos mais belos já vistos, melhor do que qualquer show pirotécnico que nós, aqui, somos capazes de criar. E de repente vi tantos fachos de luz saindo dos corações de cada um daqueles espíritos!  E as luzes iam na tua direção, como fossem teu presente de aniversário e dali se multiplicavam e se espalhavam pois, sabendo que doar é o melhor presente que podemos fazer a nós mesmos, tinhas optado por distribuir esta energia de amor.

Nós, deste plano, talvez não tenhamos assistido a partida. (Ou talvez sim?). O fluxo de energia, no entanto, recebemos e a emoção que me envolve neste momento é a prova de que, embora esta seja uma história de ficção, um quê de verdade também se faz presente.

Mais uma vez: feliz aniversário, pai!

Marian

Sobre a pandemia! (Desta vez com poesia)

22 ago

Escrever sobre a pandemia

Em forma de poesia.

Explicar, de forma leve,

O que tenho observado.

O texto não será breve,

Mas será bem explicado.

 

Que fique claro, no entanto,

Que misturo ciência e intuição.

Que trago dados concretos,

Sentimentos e a minha percepção.

 

Estávamos em fevereiro,

Em pleno carnaval

E já fazia algum tempo

Que o vírus estava dando sinal.

 

Um inimigo invisível,

Contra quem teríamos que combater

Sabíamos tão, tão pouco sobre ele,

Que não sabíamos o que fazer.

 

O primeiro problema era este

E não soubemos como lidar.

Enquanto muitos já o temiam,

Outros insistiam em o ignorar.

 

Sentindo-se ignorado,

Foi como se ele quisesse se “vingar”

E de repente, em pouquissimo tempo,

Ele começou a se espalhar.

 

Muitos erros foram cometidos,

Por grande parte da população.

A esperança, no entanto

É que isto pudesse servir de lição.

 

Ok, o vírus existe, mas a cidade não pode parar.

Não somos grupo de risco, por que não podemos ir ao bar?

O foco é na minha cidade, parece que querem nos isolar

Suportarei a saudade? Não, não! Melhor eu tentar escapar!

 

Hoje não sabemos

O quanto isto influenciou.

Talvez não tenha incidido diretamente,

Mas com certeza a raiva aumentou.

 

Negação, raiva, barganha,

Depressão e aceitação,

São coisas que observei.

Sobre isto, no entato,

Em outro texto eu já falei.

 

Mas agora, que tal ao tema voltar?

Ainda tenho muitas coisas para contar.

 

Num dos momentos mais difíceis,

Com centenas e centenas de mortes por dia,

Eu tentava alertar

Sobre a gravidade da pandemia:

 

Escrevendo no meu blog,

Participando de lives

E escrevendo depoimentos

Nas redes sociais.

 

Eu dizia, “fiquem em casa,

Para o vírus não se espalhar.

Não brinquem, a coisa é séria,

Muitos irão se contaminar”.

 

Muitos me deram ouvidos.

Por alguns, no entanto, fui xingada,

Chamada de pessimista

E de tola exagerada.

 

O tempo foi passando,

A coisa por aqui se tranquilizou.

Enquanto isso, no outro hemisfério,

O problema se agravou.

 

Após meses de lockdown,

Parecíamos mais preparados

E com a chegada da nova estação,

Nos sentimos aliviados.

 

Aos poucos as coisas

Pareciam estar voltando ao normal,

A cidade reabria

E sobravam leitos no hospital.

 

Cautela, muitos diziam!

Melhor não se empolgar!

Podemos sim voltar às ruas,

Mas cuidados devemos tomar.

 

Tínhamos tido a oportunidade

De construir uma nova realidade,

Revendo nossos valores,

Retraçando prioridades.

 

No começo, tudo isto

Parecia acontecer.

Novas formas de solidariedade, de afeto,

Pareciam, dia após dia, nascer.

 

Com o passar do tempo, no entanto,

Isto também ficou para trás

E novamente, o individualismo

Pareceu nos contaminar.

 

Desrespeito às normas,

Passamos à observar

E  as medidas de segurança

Muitos pareciam de novo ignorar.

 

Mesmo com os pedidos

De ficarem por aqui,

Muitos não deram ouvidos

E decidiram partir.

 

E eis que de repente,

Uma nova onda começou

E o número de contágios,

Novamente aumentou.

 

Desta vez, o que preocupa

São os jovens contaminados.

Porque os  idosos, mais espertos,

Tomaram todos os cuidados.

 

Outra coisa preocupante

É que desta vez, os focos são vários,

Enquanto na primeira onda,

Eles eram concentrados.

 

Quanto mais o vírus se espalha,

Mais fica  dificil controlar.

Se continuarmos sem ter bom senso,

Onde é que iremos parar?

 

A volta às aulas em setembro,

Gera já preocupação.

Será que mesmo sem vacinas,

Encontraremos uma solução?

 

Serve um bom planejamento

E as regras respeitar.

Tanto nós quanto o governo,

Devemos juntos trabalhar.

 

Tudo que vem acontecendo,

Me coloca a pensar.

Quando é que tudo isto

Irá realmente terminar?

 

Será que com tudo o que passamos,

Não aprendemos nenhuma lição?

Que do ponto de vista evolutivo,

Nossos esforços foram em vão?

 

Acredito na vacina

Como a melhor solução,

Mas só ela não adianta,

Se não mudarmos a vibração!

 

Quando é que aprenderemos

A escutar o coração?

E que na vida, o que mais importa

É o “ser” e não o milhão?

 

Há tempos a humanidade

Não sofria tanto de solidão

Era previsto, que o “mal do século”

Seria a depressão.

 

Dentre tantos motivos

Do vírus aqui estar,

Talvez um deles seja

Aprender a se olhar.

 

Talvez seja o momento

De olharmos mais para dentro,

Entendermos o nosso próprio ser

E tanto os sonhos quanto as dores

Buscarmos compreender.

 

Lembrarmos que somos humanos,

Que somos seres imperfeitos

E buscarmos um equilíbrio

Entre qualidades e defeitos.

 

Muitos dizem que a função do vírus

É o planeta limpar,

Mas do que adianta limparmos a Terra,

Quando a lama está no nosso próprio lar?

 

Não me refiro à nossa casa,

Nem à do vizinho ao nosso lado,

Mas do nosso lar interno,

Do coração  “enlamaçado”!

 

Tantas coisas que guardamos!

Raivas, culpas, sofrimentos!

Por que espaços não deixamos,

Para outros sentimentos?

 

Vamos lá, é esta a hora!

É sempre tempo de aprender!

A fazermos uma limpeza interna

Em todos os aspectos do nosso ser!

 

Pensamento é energia

Que enviamos ao Universo!

Vibremos então energia boa

E que a solução esteja perto.

 

Não tenhamos, porém,

Nossas mentes “bitoladas”,

Porque só o pensamento, sem a ciência

Não adianta quase nada!

 

Em se tratando deste vírus,

Cabe aqui a gente lembrar

Que a fé e a ciência

Devem juntas trabalhar!

 

Que continuem as pesquisas,

As buscas por um medicamento.

Tenhamos fé que a vacina

Chegará a qualquer momento!

 

Enquanto isto  não acontece,

Nao devemos esquecer

De fazermos a nossa parte,

Seja eu, seja você!

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Verso una (nuova) normalità?

8 ago

Quando questa pandemia è iniziata qui in Italia, ho scritto la mia testimonianza su Facebook, ho partecipato a due incontri “live” raccontando la mia esperienza e ho scritto alcuni testi sul mio blog. Nei testi ho fornito una lettura molto personale e particolare sulla situazione che stavamo vivendo e soprattutto ho cercato di dimostrare le cose positive che potevamo ricavare da tutto ciò che stava accadendo.

Tra le molte riflessioni che ho fatto in quel momento, una di quelle che trovo più interessanti è stata quella in cui ho associato il modo in cui le persone in generale stavano affrontando la pandemia con le fasi di elaborazione del lutto di Kluber-Ross.[1]

Parlavo del modo come molti negavano l’esistenza della pandemia o la sua gravità, il che ha finito per contribuire notevolmente ad un aumento esponenziale del numero di casi; parlavo della rabbia, espressa nei modi più svariati: contro il virus, contro i “cinesi”, contro quelli che sono scapati dalla zona rossa, contro l’italiano che si è recato in Brasile; rabbia di quelli che uscivano,perché dovevano restare a casa; rabbia con coloro che restavano a casa, perché “io” ero costretto a uscire. (A causa del lavoro, per esempio). La rabbia, il più delle volte, si proiettava sull’altro.

Ho parlato anche delle inumeri tentativi di fare un “patto”, di “negoziare” con il virus, con l’altro, con se stesso, il che si rifletteva soprattutto nei comportamenti a rischio: “Faccio solo un salto veloce al parco”, “ci vediamo al bar, ma siamo solo un piccolo gruppo di amici  e oltretutto,non siamo nel gruppo a rischio ”, ecc …

Ai tempi, inoltre, si interrogava sulla necessità e sull’efficienza dell’uso delle maschere. Oggi, diversi studi dimostrano la sua efficacia, purché sia ​​usata correttamente. Forse se ne avessimo tenuto conto fin dall’inizio, avremmo avuto un quadro un po’ meno spaventoso.

Oltre a questi, avevo anche parlato della depressione, alimentata dal bisogno forzato di isolamento sociale, la tristezza di dover vivere una sorta di lutto. Ho commentato che la necessità di un cambiamento radicale nel comportamento ci costringeva a “piangere”il nostro comportamento precedente,ad ellaborare un lutto, anche se temporaneo. Che questo era un comportamento normale, che era normale sentirsi tristi, persi, immotivati. Come con qualsiasi processo di lutto, tuttavia, sapevo che avremmo gradualmente raggiunto la fase di accettazione.

Quella fase sembra essere iniziata nel momento in cui ci siamo resi conto che il virus era lì, costringendoci a cambiare il nostro comportamento. Avevamo bisogno di metabolizzare le informazioni, farci qualcosa di concreto, adottare comportamenti specifici per prevenire noi stessi. In effetti, misure relativamente semplici, che mi hanno fatto dubitare del motivo per cui hanno generato così tanto stress. Forse perché hanno richiesto un cambiamento nel comportamento, un cambiamento nell’atteggiamento? Forse perché ci rendevano direttamente responsabili, mentre prima potevamo “gettare” responsabilità sull’altro? Forse per il fatto che, nel caso di un virus completamente nuovo, dovevamo essere consapevoli che per molti versi sarebbe rimasto estraneo e, come tale, difficile da controllare? Ma nella vita quante altre cose sono così, incontrollabili?

In quel periodo, ho commentato l’importanza di cercare informazioni, ma non troppe e sempre da fonti affidabili. Ho detto anche di provare a cercare di spegnere la televisione, cambiare canale, guardare dei cartoni animati, distrarsi, cercare altri interessi. Di cercare di evitare il bombardamento di notizie, i pettegolezzi, tutte le cose che servivano solo ad aumentare l’ansia e i conflitti di interesse. Informazioni disconnesse e pesanti che non portavano a niente e finivano solo per nuocerci, soprattutto da un punto di vista emotivo.

Nei miei testi, parlavo della necessità di cercare un nuovo tipo di “normalità” all’interno di quella situazione che ci sembrava così anormale. Avevo anche commentato che, in effetti, non avevamo idea di quando sarebbe finita l’intera situazione e che non avevamo praticamente alcun controllo su di essa. Potevamo, tuttavia, avere il controllo sui nostri atteggiamenti e arrivare ad avere (almeno un po’) di controllo sulla nostra salute, specialmente sulla nostra salute mentale.

Pensando alle cose positive che ci portava la pandemia, parlavo delle grandi reti di solidarietà che si erano formate, dei vicini che cantavano dai balconi, dalle finestre. Parlavo a proposito di gruppi Whatsapp, di Happy Hours via Skype, di famiglie che avevano più tempo per stare insieme. Suggerivo alle persone di fare cose per le quali prima non avevano tempo, incluso riunirsi per raccontare storie, rivedere foto, ricordi. (Con chi abitava nella stessa casa, o virtualmente). Parlavo di provare a fare attività fisica, leggere, scrivere. Guardare un film, prendersi cura del giardino, provare nuove ricette. Parlavo di importanti cambiamenti nel comportamento sociale, di altruismo, di mettersi nei panni dell’altro, di cambiare punti di vista. Parlavo dell’importanza di ciascuno di fare la propria parte, di cercare aiuto, di fare terapia (virtuale), di prendersi cura si se stessi! Di vedere quel momento come un’opportunità. Opportunità di scambio,di amore.

Per me, stavamo vivendo un periodo di accettazione, adattamento. Stavamo affrontando una nuova realtà e cercando di adattarci ad essa. Stavamo ancora metabolizzando le informazioni. Nuove percezioni, riletture. Accettare quella realtà, che pensavo fosse nuova, ma temporanea, era qualcosa che consideravo fondamentale.

Ho cercato di fare di questo periodo un’opportunità (per stare più in famiglia, “riscoprire” me stessa, imparare a mettermi nei panni dell’altro. Un’opportunità per riflettere, cambiare il mio punto di vista su alcune cose, rivedere le priorità e smantellare i pregiudizi. Un’opportunità per cercare nuovi equilibri.

Credevo che tutto, specialmente i miei sentimenti, di rabbia, paura, impotenza, sarebbe passato, se solo li avessi lasciati fluire. Sapevo (o immaginavo di sapere) che tutto questo non era  legato specificamente alla fine della pandemia, ma al fatto che stavo gradualmente riuscendo a distinguere tra ciò che potevo e ciò che non potevo controllare. Stavo imparando a vivere l’oggi, l’adesso, entro le possibilità che quel momento mi offriva. Lo stesso sembrava accadere alle persone in generale. E siamo andati avanti con la vita, da soli, scaricando app, creando e guardando “lives”.

Il tempo però è passato e ci siamo stancati. Non c’erano più canzoni o flashmob sui balconi, non avevamo più pazienza per le “code online”. Avevamo già completato la “sfida di fitting” di 30 giorni di ginnastica funzionale, fatto yoga, provato le ricette più bizzarre, riordinato la casa, spostato i mobili. Eravamo già stanchi di “videoconferenze di famiglia”. Con il numero di persone infette in calo e il peggioramento della situazione economica,il governo ha creato alcune misure per la “riapertura”.

La vita “normale” sembrava riprendere, passo dopo passo. Prudenza, dicevano alcuni. Libertà, dicevano altri. L ‘”apertura” stava avvenendo gradualmente, passo dopo passo. Innanzitutto, eravamo liberi di visitare parenti stretti. Dopo, di andare a fare la spesa (e non solo per comprare alimenti). Poi,i ristoranti sono stati riaperti, inizialmente solo per procurarsi il cibo e dopodiché, anche per mangiare a pranzo / cena, purché fosse al aperto. È stato richiesto l’uso di maschere, alcol gel e il mantenimento della distanza sociale. Stavamo affrontando quella che potremmo chiamare una nuova realtà. Alla luce di tutto questo, cosa è successo?

Io in particolare, quando ho ripreso ad uscire, era per andare al parco o nei luoghi aperti. Anche così, indossavo sempre una mascherina. Oggi esco anche senza la mascherina (è permesso), ma ce l’ho sempre nella mia borsa, accanto a una confezione di  alcol gel. Continuo a fare acquisti online e praticamente da febbraio (salvo rarissime eccezioni) non prendo i mezzi pubblici. Il vantaggio è che ho pedalato di più e, dato che sono una persona che non ama esercitarsi, questo può essere un buon modo per tenermi in forma.

Per quanto riguarda la popolazione in generale, ho osservato in questi giorni le reazioni più disparate e questo mi preoccupa. Persone che scendono in piazza come se nulla fosse cambiato, ignorando ogni misura precauzionale. Persone che hanno paura di uscire di casa. Persone che hanno fatto l’opposto di quello che raccomandano e persone che ti guardano storto se ti togli la mascherina per andare in bicicletta, ad esempio. Alcune persone sembrano stiano vivendo un nuovo grande processo di negazione. Non rispettano la distanza, non usano la mascherina come richiesto (in luoghi chiusi, in luoghi aperti quando non è possibile mantenere la giusta distanza). Altri intanto hanno paura di riprendere la propria vita.

Accettare l’esistenza della pandemia e adattarci ad essa, sebbene difficile, era qualcosa che sembravamo essere in grado di fare. Tuttavia, oggi mi rendo conto che ciò che ci ha aiutato è stata la speranza che, prima o poi (meglio se fosse prima), tutto quell’incubo sarebbe finito. “Andrà tutto bene”, dicevamo. E immagini di arcobaleni si impossessavano di case, piazze, pareti di ospedali. Ma il tempo è passato e la pandemia non è finita. Gli incontri online e i canti sui balconi pian piano sono diminuiti, fino a scomparire. Avevamo organizzato e riorganizzato le cose a casa, completatto diversi programmi di fitness online, provato le più strane e assurde ricette. Avevamo sperato che l’arrivo dell’estate avrebbe portato via il virus. Tuttavia, ciò non è accaduto.

Il numero dei contagiati è diminuito, gli ospedali sono riusciti a organizzarsi e, grazie a questo, c’è stata, un passo alla volta, quella “libertà” di cui parlavo sopra. Preoccupa però la mancanza di buon senso che, ancora una volta, si può percepire. Abbiamo ancora delle misure restrittive da adottare e il fatto che una parte della popolazione continui ad ignorarle ci sta portando delle conseguenze molto negative. Siamo lontani dal raggiungere i numeri raggiunti in precedenza, ma, ogni giorno, il numero di persone positive al virus aumenta un po’di più. Sì, con la “riapertura” il numero dei casi è nuovamente aumentato. Questo ormai era saputo,ci si aspettava, ma se ognuno facesse la sua parte, forse l’aumento dei casi sarebbe avvenuto in modo più controllato e non in questo modo esponenziale. Si sapeva anche che la malattia avrebbe iniziato ad attaccare un nuovo profilo della popolazione. Quelli più giovani, poiché le persone precedentemente considerate “a rischio” o erano morte o stavano prendendo le dovute precauzioni. E questo ha aumentando ulteriormente i problemi economici.

Quello che mi rattrista particolarmente in tutto ciò è pensare che le persone, invece di aver utilizzato quei momenti di “sosta obbligatoria” per riflettere sui propri atteggiamenti, rivedere valori e trasformare il mondo in cui vivono in un luogo migliore, più solidale, più altruista, come abbiamo sentito tante volte, nei discorsi più vari,  appena hanno avuto la minima possibilità di poter tornare alla vita normale, non solo sono tornati a comportarsi come facevano nel periodo pre-pandemico, dove l’avere era più importante dell’essere, ma tornarono anche a preoccuparsi solo dell’ombelico stesso. Ma nonostante tutto, ho ancora speranza. Se l’ottimismo sia qualità o difetto? Ah, questo non lo so! So solo che continuo a crederci. Ho BISOGNO di credere. Tuttavia, cerco anche di essere realistica. Sono consapevole del fatto che se continuiamo ad agire in questo modo (senza limiti, senza rispetto), le possibilità di dover affrontare un nuovo periodo di lockdown sono grandi. Oltretutto, so che anche se il virus completa il suo ciclo e poi se ne va, è improbabile che non torne a farci visita in un futuro prossimo. Quindi, metto il mio ottimismo, la mia speranza, nella scoperta di un vaccino. E nella consapevolezza di ognuno di noi del fatto che il pianeta sta attraversando un momento di grande trasformazione. Credo ancora che siamo in un periodo di transizione planetaria, necessaria per la nostra evoluzione spirituale. Tuttavia, confesso che non è facile accettare tutto con rassegnazione. Non è facile osservare l’ignoranza e, soprattutto, l’egoismo. Finché l’ego continuerà a occupare il posto più importante in tanti cuori, questa battaglia (che è esterna, ma soprattutto interna), richiederà ancora molto tempo per finire.

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[1] Per maggiori dettagli leggette il testo: “Coronavirus ed emozioni”

Rumo à uma (nova) normalidade?

8 ago

Quando esta tal pandemia começou por aqui, escrevi alguns depoimentos no Facebook, participei de duas lives falando a respeito e relatando a minha experiência e escrevi alguns textos no meu blog. Nos textos, dava uma leitura bem pessoal e particular sobre a situação que estávamos vivendo e especialmente buscava demonstrar o que de positivo poderíamos tirar de tudo isso que vinha acontecendo.

Dentre as tantas reflexões que fiz na época, uma das que considero mais interessantes foi aquela em que eu associava o modo com que as pessoas em geral estavam enfrentando a pandemia com as fases de elaboração do luto de Kluber- Ross. [1]

Eu falava sobre a negação da existência da pandemia ou da sua gravidade, o que acabou contribuindo consideravelmente para um aumento exponencial no número de casos; sobre a raiva, expressa nas mais variadas maneiras: contra o vírus, contra os “chineses”, contra as pessoas que escaparam da zona vermelha, contra o italiano que viajou pro Brasil; raiva daquele que saía, porque devia ficar em casa; raiva daquele que ficava em casa, porque “eu” era obrigada a sair. (Por causa do trabalho, por exemplo). Raiva, na maior parte das vezes, projetada no outro. Também falava sobre a barganha, as tentativas de “negociar” com o vírus, com o outro, consigo mesmo, o que se refletia especialmente nos comportamentos de risco:“ vou só dar um pulo ali no parque”, “nos reunimos em um grupo de amigos num bar, mas não somos do grupo de risco”, etc…

Nesta época, aliás, se questionava sobre a necessidade e eficiência do uso das máscaras. Hoje, vários estudos demonstram a sua eficácia, desde que seu uso seja feito de maneira correta. Talvez se tivéssemos desde o início levado isto em consideração, tivéssemos tido um quadro menos assustador.

Além destas, eu também tinha observado a depressão, alimentada da necessidade forçada de isolamento social, a tristeza por estar vivenciando de certa maneira um luto. Eu comentava que a necessidade de uma mudança radical de comportamento estava nos obrigando a fazer um “luto” do nosso comportamento anterior, mesmo que temporário. Eu colocava que aquele era um comportamento normal, que era normal sentir-se triste, perdido, desmotivado. Como em todo processo, porém, eu sabia que, aos poucos, chegaríamos à fase da aceitação.

Aquela fase parece ter começado no momento em que nos demos conta de que o vírus estava aí, nos obrigando a mudar o nosso comportamento. Precisávamos metabolizar as informações, fazer algo de concreto com elas, adotar comportamentos específicos para nos prevenirmos. Medidas, aliás, relativamente simples, o que me fazia questionar por que geravam tanto stress. Talvez porque exigiam uma mudança de comportamento, uma mudança de atitude? Talvez porque nos tornavam diretamente responsáveis, enquanto antes, podíamos “jogar” a responsabilidade no outro? Talvez pelo fato de que, em se tratando de um vírus totalmente novo, precisávamos estar conscientes de que sob muitos aspectos ele continuaria sendo um estranho e, como tal, difícil de controlar? Mas na vida, quantas outras coisas são assim, incontroláveis?

Naquele período, comentei sobre a importância de buscar informações, mas sem exageros e sempre em fontes confiáveis. Sobre procurar também desligar a televisao, mudar o canal, voltar a assistir desenhos animados, se distrair, buscar outros interesses. Tentar evitar o bombardamento de notícias, as fofocas, os relatos que só faziam aumentar a ansiedade e as disputas de interesse. Informações desconexas, pesadas, que acabariam só nos prejudicando, especialmente do ponto de vista emocional.

Nos meus textos, eu falava sobre a necessidade de  buscar um novo tipo de “normalidade” dentro desta situação que nos parecia tão anormal. Também comentava que, na verdade, não tínhamos a mínima ideia de quando toda esta situação iria terminar e que não tínhamos praticamente nenhum controle sobre a mesma. Podíamos, no entanto ter controle sobre as nossas propria atitudes e vir a ter (um pouco) de controle sobre a nossa saúde, especialmente sobre a nossa saúde mental.

Pensando nas coisas positivas que a pandemia estava trazendo, falava sobre as grandes redes de solidariedade que se formaram, sobre vizinhos que cantavam das sacadas, das janelas. Sobre grupos  de Whatsapp, sobre Happy Hours via Skype, sobre famílias tendo tempo para ficarem juntas. Sugeria fazer as coisas que antes não se tinha tempo, dentre as quais se reunir a contar histórias, rever fotos, lembranças. (Com quem morava na mesma casa, ou virtualmente). Falava sobre procurar fazer atividade física, ler, escrever. Ver filme, cuidar do jardim, experimentar receitas novas. Falava sobre mudanças importantes no comportamento social, sobre altruismo, sobre se colocar no lugar do outro, mudar o ponto de vista. Eu divagava sobre a importancia de cada um fazer a sua parte, sobre buscar ajuda, sobre terapia (virtual), sobre se ocupar! Sobre ver este momento como uma oportunidade. Oportunidade de trocas, de amor.

Para mim, estávamos vivendo um período de aceitação, adaptação. Estávamos diante de uma nova realidade e buscávamos nos adaptar a ela. Estavamos ainda metabilizando as informações. Novas percepções, releituras. Aceitar aquela realidade, que eu julgava nova, porém temporânea, era algo que eu via como fundamental.

Eu tentei fazer dela uma oportunidade (para estar mais em família, me “redescobrir”, aprender a me colocar no lugar do outro). Uma oportunidade para refletir, mudar o ponto de vista sobre algumas coisas, rever prioridades e desmontar preconceitos. Uma oportunidade de buscar novos equilíbrios.

Eu acreditava que tudo, especialmente os meus sentimentos, de raiva, de medo, de impotência, iriam passar, iriam esvanecer, bastava que os deixasse fluir. Eu sabia (ou imaginava saber) que tudo isto não estava ligado especificamente ao fim da pandemia, mas ao fato que eu, aos poucos, ia conseguindo fazer uma diferenciação entre o que eu podia e o que eu não podia controlar. Eu estava aprendendo a viver o hoje, o agora, dentro das possibilidades que aquele momento me oferecia. O mesmo parecia estar acontecendo com as pessoas em geral. E seguíamos a vida, em isolamento, baixando aplicativos, fazendo e assistindo “lives”.

O tempo foi passando e a gente foi cansando. Não se viam mais cantorias ou flashmobs nas sacadas, não tínhamos mais paciência para as “filas online”. Já tínhamos completado o “desafio fitting” de 30 dias de ginástica funcional, feito yoga, esperimentado as receitas mais bizarras, arrumado a casa, mudado os móveis de lugar. Já estávamos cansados dos “encontros de vídeo em família”. Com o número de contagiados baixando e a situação economica piorando, algumas medidas de “reabertura” foram sendo tomadas.

A vida “normal” parecia estar sendo retomada, passo a passo. Prudência, diziam alguns. Liberdade, diziam outros. A “abertura” foi se dando aos poucos, passo a passo. Primeiro, éramos livres para visitar parentes próximos. Depois, para ir fazer compras. Depois, reabriram restaurantes, inicialmente apenas para ir buscar comida, depois, para almoçar/jantar, desde que fosse ao aberto. Era solicitado o uso de máscaras, de álcool gel e o mantenimento da distância social. Estávamos diante do que poderíamos chamar de uma nova realidade. Diante de tudo isto, o que tem acontecido?

Eu particularmente, quando voltei a sair de casa, foi para ir em parques ou lugares abertos. Mesmo assim, sempre de máscara. Hoje em dia, até saio na rua sem máscara (é permitido), mas a tenho sempre na bolsa, junto à uma embalagem de álcool gel.  Sigo fazendo compras online e praticamente desde fevereiro (tirando raríssimas excessões) não pego transporte público. A vantagem é que tenho andado mais de bicicleta e, como sou uma pessoa que não ama fazer exercícios, este pode ser um bom modo para me manter em forma.

Sobre a população em geral, tenho observado as mais diversas reações e isto me preocupa. Gente que sai às ruas como se nada tivesse mudado, ignorando qualquer medida de precaução. Gente que tem medo de sair de casa. Gente que tem feito o contrário do que recomendam e gente que olha torto se tiras a máscara para pedalar. Algumas pessoas parecem estar vivendo um grande novo processo de negação. Não respeitam o distanciamento, não usam a máscara como solicitado (em lugares fechados, em lugares abertos quando não se pode manter a devida distância). Enquanto isso, outros temem retomar a própria vida.

Aceitar a existência da pandemia e nos adaptarmos à ela, embora difícil, foi algo que parecia termos conseguido fazer. No entanto, hoje me dou conta de que o que nos ajudava era a esperança de que, cedo ou tarde (melhor se fosse cedo), todo aquele pesadelo iria terminar. “Andrà tutto bene”, dizíamos. E imagens de arco-iris tomavam conta das casas, praças, paredes de hospitais. Mas o tempo foi passando e a pandemia não terminou. Os encontros online e as cantorias das sacadas foram diminuindo, até esvairem. Tínhamos organizado e reorganizado as coisas em casa, feito programas completos de ginástica online, experimentado as mais estranhas e absurdas receitas. Tínhamos alimentando a esperança de que a chegada do verão levaria o vírus embora. Porém, isso não aconteceu.

O número de contagiados diminuiu, os hospitais conseguiram se organizar e, graças a isto, houve, aos poucos, a tal “liberdade” que citei acima. Preocupa, no entanto, a falta de bom senso que, de novo, temos observado. Ainda temos medidas restritivas a tomar e  o fato que uma parte da população continue ignorando-as tem trazido consequências muito ruins. Estamos longe de atingir os números que alcançamos anteriormente, mas, a cada dia, o número de pessoas positivas ao vírus sobe um pouquinho mais. Sim, com a “reabertura”, o número de casos voltou a aumentar. Isto era sabido, era esperado, mas se cada um fizesse a sua parte, talvez o aumento de casos se desse de forma mais controlada e não desta forma exponencial. Também sabíamos que a doença passaria a atacar um novo perfil da população. Pessoas mais jovens, já que as pessoas anteriormente consideradas “de risco” ou tinham morrido, ou estavam tomando as devidas precauções. E isto veio a aumentar ainda mais os problemas econômicos.

O que me entristece particularmente nisso tudo, é pensar que as pessoas, ao invés de terem usado aqueles momentos de “parada obrigatória” para refletirem sobre as suas atitudes, para rever valores e transformar o mundo em que vivem em um lugar melhor, mais solidário, mais altruísta, como tantas vezes ouvíamos, nos mais variados discursos, apenas se depararam com a mínima possibilidade de poder retomar à vida normal, não apenas voltaram a se comportar como faziam no período pré- pandemia, onde o ter era mais importante do que o ser, mas voltaram a se preocupar apenas com o próprio umbigo. Mas apesar de tudo, eu sigo tendo esperança. Se otimismo é qualidade ou é defeito? Ah, isso eu não sei! Só sei que sigo acreditando. Eu PRECISO acreditar. Tento, no entanto, também ser realista. Estou ciente do fato que, se continuarmos agindo assim (sem limites, sem respeito), as possibilidades de precisarmos enfrentar um novo período de lockdown são grandes. Além disso, sei que, mesmo que  o vírus complete seu ciclo e depois vá embora, dificilmente ele não tornará a nos visitar num futuro próximo. Então, deposito o meu otimismo, a minha esperança, na descoberta de uma vacina. E na tomada de consciência de cada um de nós do fato que o planeta está passando por um momento de grande transformação. Ainda acredito que estamos em um período de transição planetária, necessário para a nossa evolução espiritual. No entanto, confesso que não tem sido fácil aceitar tudo com resignação. Não tem sido fácil observar a ignorância e, acima de tudo, o egoismo. Enquanto o ego continuar ocupando o lugar mais imporante dentro de tantos corações, esta batalha (que é externa, mas sobretudo interna), ainda irá demorar muito para terminar.

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[1] Para mais detalhes, leiam o texto: “Coronavirus e emoções”

I Mandala

19 maio

Ho deciso di riprendere il mio vecchio libro di colorare i Mandala. Era passato tanto tempo dall’ultima volta che avevo dipinto uno di quei mandala!

Il mandala rappresenta l’armonia dell’Universo. Rappresenta un cerchio completo, un’immagine di perfezione.

La natura è piena di mandala. Basta saper osservare. Ad esempio il sole. Il grande re stellare, un cerchio perfetto. Un mandala perfetto. I fiori. La frutta, la verdura …

Disegnare i mandala, costruirli, sulla sabbia, con delle conchiglie, con delle pietre, con qualsiasi materiale si possa avere a portata di mano, o semplicemente dipingerli,colorarli, è un lavoro che richiede tempo, pazienza e dedizione. Inoltre, se vogliamo approfondire questa riflessione, creare mandala è far emergere il nostro inconscio, è proiettare aspetti profondi del nostro essere su quella figura, è come spogliarsi, è un processo che richiede più da noi di quanto possiamo percepire. E la cosa più interessante è che tutto ciò accade (o sembra accadere) in un modo leggero, spontaneo e senza pretese.

Oggi ho deciso di colorare uno di quei mandala del libro. Forse il fatto che non siano stati disegnati da me renda questo “lavoro” un po’meno terapeutico. O forse no. Forse colorare un mandala così,quando ne hai voglia, con calma, pazienza, concentrazione, senza doversi giustificare, senza fretta, è proprio quello che ha di più terapeutico in tutto ciò. Perché lì, non abbiamo resistenze, non abbiamo limiti, non abbiamo regole. Dobbiamo semplicemente lasciar scorrere.

Una cosa interessante che mi ha fatto pensare è che, all’inizio del libro, scrivono un po’ sull’origine dei mandala, i loro benefici per la psiche, ecc, ecc. e, ad un certo momento, “suggeriscono” di colorare i mandala andando dai bordi al centro. Bene, sono solo io a fare di questo suggerimento un motivo di riflessione?

Se i mandala rappresentano l’unità, l’equilibrio, l’armonia del TUTTO, la totalità, allora,nel momento in cui li coloro, proietto su di essi cose del mio essere. Posso quindi dire che sono lì rappresentata, giusto? Ora, pensando a una triade perfetta, potrei pensare chelì ci sono … chi lo sa? Id, Ego e Superego? Cosciente, preconscio e inconscio? Spirito, perispirito e corpo? Corpo, mente e anima / spirito? Potrei passare ore e ore a vagare su questo tema. La mia domanda, tuttavia, si riferisce a qualcos’altro.

Iniziare dai bordi. Perché? Perché le cose più profonde, più interne, più intime, devono essere protette dalla “carcassa” dell’ego, della coscienza? Perché, come ci è stato insegnato durante l’infanzia, se il cibo è troppo caldo, dobbiamo iniziare a mangiare dai bordi, in modo che il resto del cibo possa raffreddarsi? Perché il “centro” del mandala è il NOSTRO centro e ha bisogno di una buona struttura esterna perché possa essere rivelato?

Non penso che sarei qui a pormi tutte queste domande se, come indicato nel libro, dipingessi i miei mandala esattamente così, seguendo questa semplice regola. Il fatto è che, da quando ho comprato questo libro, ho dipinto 27 mandala. E ogni volta, senza eccezione, li ho colorati dall’interno verso l’esterno.

Forse per me colorare i mandala non sia così collegato a girarsi verso l’interno a poco a poco. Forse, per me, abbia a che fare con “sbocciare”. Mi viene in mente l’immagine di alcuni fiori che abbiamo piantato nei vasi sul nostro balcone. Fiori che sbocciano ogni giorno. Sono fiori che si aprono all’alba e si chiudono a fine giornata.

Forse colorare i mandala “dall’esterno verso l’interno” sia un modo di partire dall’espansione e arrivare all’introspezione. Forse sia un modo per concentrarsi. Un modo per calmare i pensieri e il cuore. Bene, se è così, forse sono già abbastanza introspettiva e per me serva esattamente il contrario: un esercizio di espansione!

Forse il mio spirito mi stia chiedendo di prestare maggiore attenzione su di sè. Forse il mio nucleo, la mia anima, stia cercando di mostrarmi quale dovrebbe essere la mia priorità d’azione.

Se la “regola” per dipingere, cioè costruire un mandala è andare dall’esterno verso l’interno, fare il contrario è mostrare che forse, in alcuni momenti, è necessaria una decostruzione. La decostruzione, a mio avviso, è diversa dalla distruzione. La distruzione mi dà un’idea di qualcosa che finisce nel nulla. La guerra distrugge. Perché il poco che ne rimane è praticamente nulla. Una decostruzione, al contrario, può dare origine a una nuova costruzione. Decostruire è rompere dogmi, paradigmi, rompere paure e resistenze, è lasciar fluire. De(costruire) è come (s)coprire. È  sollevare il mantello, guardare sotto il velo. È sbocciarsi , è un risvegliarsi. E questo risveglio può essere un risveglio interiore.

Forse il fatto qui sia esattamente questo. Iniziare “dall’interno” forse significhi esattamente focalizzare il mio sguardo sul più intimo, il più profondo del mio essere. Forse sia permettermi di sbocciare, di svolgermi lentamente, dall’interno verso l’esterno. Forse rivele una caratteristica che molti dicono mi sia peculiare: il fatto che non indosso maschere. Che mi rivelo, mi mostro, in tutto, specialmente nello sguardo. Che in tutto ciò che faccio, lascio un po’ di me stessa. Quello che non dimostro, scrivo. Se questa è una buona cosa oppure no, non viene al caso in questo momento.

Il punto qui è che forse, invece di “cominciare a mangiare per i bordi”, io preferisca andare dritto nel profondo, indipendentemente dal fatto che mi bruci o meno. Sono un libro aperto, forse sono più anima che corpo. Sono trasparente, sono un cristallo che riflette la luce del sole. Sono qualcuno alla ricerca di evoluzione. Anzi,forse ultimamente mi stia dedicando poco alla mia camminata spirituale.

Forse aver ripreso proprio oggi questo libro da colorare i mandala,sia stato un segno, un’ispirazione, un’intuizione. Forse il “iniziare dal centro”, o “dall’interno”, sia un messaggio dal mondo spirituale per me perché io “torni a guardare dentro”. Perché è lì, nel “mio” centro, che si trovano le risposte a tutti i miei dubbi.

Marian de Souza

Ah, un addendum: mi sono resa conto, sempre guardando quel libro, che avrei dovuto mettere la data in cui ho colorato ogni mandala. Perché credo che il modo in cui li ho dipinti, i colori che ho usato, rivelano molto sul mio stato d’animo, il mio spirito, quello che stavo vivendo in quel momento, ecc … Peccato che non hanno la data! (In quello di oggi, l’ho messa!).

Un’ultima cosa: il libro è del 2015. Cioè, i primi mandala sono stati colorati da me 5 anni fa!

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Mandalas

19 maio

Resolvi pegar o meu velho livro de Mandalas para colorir. Fazia tanto tempo que eu não pintava uma daquelas mandalas!

A mandala representa a harmonia do Universo. Representa um círculo completo, imagem da perfeição.

A natureza é repleta de mandalas. Basta sabermos observar. Por exemplo, o sol. O grande astro rei, um círculo perfeito. Uma mandala perfeita. As flores. Frutas, verduras…

Desenhar mandalas, construí-las, na areia, com conchas, com pedras, com qualquer material que se possa ter à disposição, ou simplesmente pintá-las, é um trabalho que exige tempo, paciencia e dedicação. Além disso, se quisermos ir mais profundo nesta reflexão, fazer mandalas é deixar aflorar o nosso inconsciente, é projetar na tela aspectos profundos do nosso ser, é como nos desnudarmos, é um processo que exige de nós mais do que podemos perceber. E o mais interessante, é que tudo isso se dá (ou parece se dar) de uma forma leve, espontânea, despretenciosa.

Hoje resolvi colorir uma daquelas mandalas do livro. Talvez o fato que elas não tenham sido desenhadas por mim torne este “trabalho” um pouco menos terapêutico. Ou talvez não. Talvez colorir uma mandala assim, quando dá vontade, com calma, paciência, concentração, sem cobranças, sem pressa, seja justamente o que há de mais terapêutico nisso tudo. Porque ali, não temos resistências, não temos limites, não temos regras. Temos simplesmente que deixar fluir.

Uma coisa interessante e que me fez pensar é que, no início do livro, eles escrevem um pouco sobre a origem das mandalas, seus benefícios sob a psique, etc, etc, etc e, em um certo momento, “sugerem” colorir as mandalas indo das bordas para o centro. Bom, sou só eu que faço desta sugestão um motivo de reflexão?

Se as mandalas representam a unidade, o equilíbrio, a harmonia do TODO, então, no momento em que eu, ao colori-las, projeto coisas do meu ser. Posso então afirmar que eu estou ali representada, justo?  Agora, pensando em uma tríade perfeita, eu poderia pensar que ali estao… quem sabe? Id, Ego e Superego? Consciente, pre-consciente e incosciente? Espírito, perispirito e corpo? Corpo, mente e alma/espírito? Eu poderia passar horas e horas divagando sobre esta questão. O meu questionamento, no entanto, se refere a outra coisa.

Iniciar pelas bordas. Por quê? Porque as coisas mais profundas, mais internas, mais íntimas, precisam estar protegidas pela “carcaça” do ego, da consciência? Porque, como nos ensinaram na infância, se a comida está muito quente, devemos começar a comer pelas bordas, para que dê tempo do resto esfriar? Porque o “meio” da mandala é o NOSSO centro e ele precisa de uma boa estrutura externa para poder ser revelado?

Acho que eu não estaria fazendo todas estas perguntas se, como dito no livro, pintasse as minhas mandalas exatamente assim, seguindo esta simples regra. Acontece que, desde que eu comprei este livro, eu já pintei 27 mandalas. E todas as vezes, sem exceção, eu as colori de dentro para fora.

Talvez para mim colorir mandalas não esteja tão ligado a voltar-se aos poucos para o interior. Talvez, para mim, tenha a ver com desabrochar. Me vem na cabeça a imagem de algumas flores que temos plantadas nos vasos da nossa sacada. Flores que desabrocham todos os dias. São flores que se abrem com o nascer do sol e se fecham ao findar o dia.

Talvez colorir as mandalas “de fora para dentro” seja uma maneira de partir da expansão e chegar à introspecção. Talvez seja uma maneira para centrar-se. Uma forma para acalmar os pensamentos e o coração. Bom, se é assim, talvez eu já seja suficientemente introsepectiva e para mim sirva justamente o oposto: um exercício de expansão!

Talvez meu espírito esteja pedindo que eu lhe dê mais atenção. Talvez meu âmago, minha alma, esteja tentando me mostrar qual deve ser a minha prioridade de ação.

Se a “regra” para pintar, ou seja, construir uma mandala é partir de fora para dentro, fazer ao contrário é mostrar que talvez, em alguns momentos, seja necessária uma des-construção. Desconstrução, a meu ver, é diferente de destruição. Destruição me dá uma ideia de algo que acaba em nada. A Guerra destrói. Porque o pouco que “sobra” dela, é praticamente nada. Uma desconstrução, ao contrário, pode originar uma nova construção. Desconstruir é romper dogmas, paradigmas, romper medos e resistências, é deixar fluir. (Des)construir é como (des)cobrir. É levantar o manto, olhar por baixo do véu. É desa(brochar), é despertar. E este despertar, pode ser um despertar para dentro.

Talvez o fator aqui seja exatamente este. Começar “de dentro”, talvez signifique exatamente concentrar o meu olhar no mais íntimo, no mais profundo do meu ser. Talvez seja me permitir desabrochar aos poucos, de dentro para fora. Talvez revele uma característica que muitos dizem me seja pecular: o fato de que eu não uso máscaras.  Que me revelo, me mostro, em tudo, especialmente no olhar. Que em tudo aquilo que faço, deixo um pouco de mim. O que não demonstro, escrevo. Se isto é bom ou ruim, não vem ao caso neste momento.

O que vem ao caso aqui é o fato de que talvez, ao invés de “comer pelas bordas”, eu prefira ir direto ao fundo, sem me importar se irei me queimar ou não. Sou livro aberto, sou mais alma do que corpo talvez. Sou transparente, sou cristal que reflete a luz solar. Sou alguém em busca de evolução. Aliás, talvez ultimamente eu esteja me dedicado pouco à minha caminhada espiritual.

Talvez ter pego justamente hoje este livro de colorir mandalas, tenha sido um sinal, uma inspiração, uma intuição. Talvez o “começar do centro”, ou “de dentro”, seja um recado do Mundo Espiritual para eu “voltar a olhar para dentro”. Porque é ali, no “meu” centro, que se encontram as respostas para todas as minhas dúvidas.

Marian de Souza.

Ah, um adendo: me dei conta, sempre olhando o tal livro, que eu deveria ter colocado a data em que colori cada mandala. Porque acredito que o modo como as pintei, as cores que usei, revelam muito sobre o meu estado de ânimo, de espírito, o que eu estava vivendo na época, etc… Uma pena não terem data! (A de hoje,eu coloquei!).

Uma última coisa: o livro é de 2015.Ou seja, as primeiras mandalas foram por mim coloridas há 5 anos!

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Storie sul mio nonno

1 maio

In una delle occasioni in cui mia madre è venuta a trovarmi, ha lasciato qui con me una copia aggiornata dell’albero genealogico della nostra famiglia, sul lato dei Festugato. L’elenco dei nomi cominciava dai miei trisnonni, fino a raggiungere l’ultima generazione, che non è più mia, ma quella dei figli dei miei cugini.

Insieme a questa lista, ho trovato, anche queste un regalo di mia madre, una copia di due vecchie fotografie. Da allora ho iniziato a pensare alle molte storie di famiglia che meritano di essere registrate, in modo che non cadano nell’oblio. Sì, sarebbe possibile scrivere un libro, magari sotto forma di racconti, per essere una cosa piacevole da leggere. Per ora, tuttavia, mi limiterò a raccontare un po ‘la storia e i ricordi del mio nonno materno.

Per alcuni, può sembrare curioso che io abbia intitolato questo testo come “Storie sul mio nonno” e non “Storie su mio avô” anche nella versione in portoghese. (Cosa che potrebbe passare inosservato a chi leggerà direttamente il testo tradotto in italiano).

Il fatto è che l’ho sempre chiamato “nonno”! “nono”! Nonno o “nonnino”, in un affettuoso diminutivo. Per me, “avô“ era il padre di mio padre. Quindi andiamo avanti.

Il mio nonno si chiamava Pedro Festugato, o Piero Giacomo Giovanni, come sosteneva di essere il suo nome di battesimo. Era il terzo di 9 figli: Angela (Angelina), João (Joanin), Pedro (Pedrinho), Luiza, Giacomo, Arlindo, Sétimo, José (Gieppe), Antonio. Suo padre, Giuseppe, arrivò in Brasile l’8 dicembre 1891, all’età di 14 anni. Figlio maggiore, è arrivato con la sua famiglia, suo padre Giovanni (40), sua madre Angela (35) e i suoi fratelli Antonio (10), Domenica (8), Eugenio (6), Anna Maria (5), Maria (che purtroppo è morta durante il viaggio, a solo 1 anno di età) e Amélia (2 mesi). In Brasile, ebbe altri 3 fratelli: Domenico, Octavia e João Maria, che purtroppo morì all’età di 8 anni.

A proposito del “nonno Bepe”, ci sono certamente molte storie, che saranno, come detto in precedenza, per un’altra volta.

La percezione del tempo è una cosa interessante. Stavo per scrivere che ho vissuto con il mio nonno Pedro per molti, molti anni. Però se ci penso, mi rendo conto che, in effetti, forse non sono stati  così”tanti” anni. Tuttavia, sono stati anni intensi che hanno lasciato un segno (bello) nel mio cuore.

La leggenda narra, o meglio, mia madre mi ha  raccontato detto che il nonnino soffriva di depressione. Quando era in crisi, era la nonna che, grazie alla vendita dei suoi dolci e torte (che dicono fossero meravigliose), sosteneva la famiglia. Inoltre, lei ricorda che, nei momenti peggiori delle sue crisi depressive, lui, la nonna e mia madre andavano alla loro casa in spiaggia, a Rondinha. Restavano lì, isolati, per diversi mesi. Quel posto, che per me ha un tocco magico, gli faceva sentirsi meglio. Anni dopo, grazie alle storie della sua vita che lui stesso mi avrebbe raccontato, avrei capito i motivi per cui ha finito per soffrire di stati così depressivi.

Il ricordo, o meglio, i ricordi più antichi che ho dei miei incontri con il mio nonno, sono all’ospedale di Carlos Barbosa. Ricordo i viaggi fin lì, fate ad ogni domenica. Le curve della strada che mi hanno facevano sempre stare male, le ortensie ai lati della strada, “l’aereo dell’acqua”. (Mi spiego: ogni venerdì, andavamo a Porto Alegre, per andare al Centro Spiritista Francisco Xavier. Sulla strada, passavamo per Canoas, dove c’è una base aerea. Quindi, dalla strada, si vedeva, in una piazza, un una specie di statua di un aeroplano (o era un vero aeroplano?). Per me quello era un punto di riferimento, perché significava che eravamo quasi arrivati. Il fatto è che anche sulla strada per l’ospedale di Carlos Barbosa, dove andavamo la domenica, c’era una “statua” di un aeroplano, ma questa volta, nel mezzo di una specie di “fontana”. Da qui il sopranome “aeroplano d’acqua”.

Dicono che ho adempiuto questo “rituale” di andare a visitare mio nonno da prima ancora di iniziare a camminare. Ovviamente, questa parte non me la ricordo. Ricordo tuttavia che lui mi faceva un po’paura. Forse a causa della pettinatura dei suoi capelli lisci tirati all’indietro o di quei pesanti occhiali con la montatura nera. So solo che gli davo (senza una particolare voglia, lo confesso), un bacietto leggero sulla guancia e mi mettevo seduts sul suo letto, (di solito egli era seduto sulla sedia), in attesa che mi venisse detto che potevo andare in giardino e giocare. Ecco il mio ricordo di quel periodo: il giardino dell’ospedale, con le statue di Biancaneve e dei sette nani. Sì, questa era la parte migliore del viaggio! Ricordatevi, ero una bambina!

Prima di raccontare del suo ritorno a casa nostra, o meglio, a casa sua, vorrei tornare indietro nel tempo, ai motivi per i quali è stato necessario il suo ricovero. Ricordando che sono storie che mi sono state raccontate e che alcuni ricordi, carichi di emozione, possono portare delle verità che magari non corrette al 100%.

Come accennato in precedenza, il mio nonno spesso era depresso. Fragile, si ammalava facilmente, il che portava a pensare, logicamente, che sarebbe morto prima della mia nonna, persona forte, combattente, laboriosa e coraggiosa. Il destino, tuttavia, ha voluto che le cose accadessero diversamente.

Un giorno, la mia nonna è uscita per andare alla messa, come sempre. Il tempo passava niente di tornare a casa. All’epoca, mia madre, che è la figlia più piccola, era l’unica che viveva ancora con i suoi genitori. Ad un certo punto, suo padre commentò qualcosa del tipo: “Che strano che tua madre non sia ancora tornata. Non è che è andata a visitare Marlene? (Marlene è mia zia). Senti,magari prendi un taxi e vai a casa sua per vedere se tua madre è lì ”. E così fece.

Quando era in taxi, non ricordo se ha sentito alla radio, se è stato il tassista a commentare o entrambe. Tutto quello che so è che ha saputo che una signora era stata investita da una jeep della polizia di fronte alla Cattedrale quando stava uscendo dalla chiesa dopo la  Messa. Ed è così che la mia nonna è disincarnata. Ed è stato da quel momento che, per il mio nonno, la vita è diventata una cosa senza importanza. Inizialmente hanno cercato di farlo a rimanere a casa sua. Quando, tuttavia, si abbandonò a se stesso, anche iniziando a fare i bisogni negli angoli della casa, il ricovero è sembrato essere l’unica soluzione.

Cinque anni dopo, mia madre si sposatva. Lui è venuto alla cerimonia, sebbene non l’abbia accompagnata all’altare. Chi lo ha fatto è stato suo fratello e padrino Ruben, il“Bibi”, che, guardate com’è la vita, 42 anni e 6 mesi dopo, avrebbe ripetuto lo stesso gesto, questa volta per accompagnare me all’altare. Ed entrambe abbiamo avuto, inoltre, la nostra unione benedetta dallo stesso frate, mio ​​zio Ronaldo.

Circa un anno dopo, mio ​​padre morì a causa di un infarto del miocardio. Un’altra crisi colpì il mio nonno, che si sentiva in colpa per “essere ancora vivo”, colui che “non serviva a nulla”. Ontretutto, mia mamma era addiritura incinta!

L’affetto con cui veniva curato in quell’ospedale fece la differenza. Inoltre, la presenza costante dei suoi figli, che lo visitavano ogni settimana, in particolare mia madre, zia Renée, zio Ruben e zia Mary, poiché le altre figlie vivevano nel nord-est, sono stati dei punti a suo favore.

Ricordo che, un giorno, lui è venuto a vivere “a casa nostra”. Secondo mia madre, tutto è stato deciso così, all’improviso. Riferisce che, durante una delle nostre visite di routine, egli ha chiesto alle sue figlie quando lo avrebbero portato a casa. Loro (penso che mia madre e mia zia Mary, ma non sono sicura) si guardarono l’una l’altra e replicarono: proprio ora! Ed è così che siamo tornati, tutti insieme, nella nostra casa di Caxias do Sul.

Nella nostra casa, che in realtà era la casa del nonno, ci siamo quindi messi a vivere io, mia madre, mio ​​cugino André, i cui genitori si erano trasferiti nel Nordest, mio ​​zio Ruben e il nonno Pedrinho. Sebbene inizialmente la sua presenza per me fosse qualcosa di nuovo e strano, a poco a poco non solo mi sono abituata, ma soprattutto mi sono affezionata a quel vecchiettoo che, con il tempo, ho scoperto di essere dolce, divertente e pieno di storie da raccontare. A proposito, un giorno si resero conto che non aveva bisogno di portare quegli occhiali pesanti per tutto il tempo, ma solo per leggere. Piccoli gesti come toglierli gli occhiali e cambiarli la pettinatura mi hanno già fatto perdere la “paura” che avevo di lui.

Col passare del tempo, sono diventata sempre più attaccata a lui. Naturalmente continuava a tenere dentro di sé i resti di uno stato depresso, e in certi momenti sembrava andare in “trance”, dicendo cose senza senso, lamentandosi, brontolando o soffrendo di incubi.

Più volte durante la notte, l’ho incontrato che camminava avanti e indietro nel corridoio del sallotto, dicendo il requiem in latino. Ricordo che mi avvicinavo a lui e lo riportavo a letto, dicendogli che andava tutto bene e ripetevo con lui un Padre Nostro, in modo che diventasse più tranquillo. (Chissà se, visto tutta la sua sensibilità, in quel non era veramente in contatto con il mondo spirituale).

Oltre a questo, ripeteva costantemente, anche durante il giorno, frasi come “Io sono un morto vivo”, o cose del genere.

Ogni mattina, uno di noi gli portava la colazione a letto. Poi, più vicino all’ora di pranzo, lo aiutavamo ad alzarsi. Lo chiamavamo, lo vestivamo, lui si lavava la faccia e uno di noi lo petinava e gli faceva la barba. Lo aiutavamo anche a fare la doccia. Per mangiare mangiava da solo, anche se spesso lamentandosi. Come un bambino, protestava, “brontolova”, ma alla fine finiva per mangiare. O il cibo era salato (” puro sale”, diceva), o bruciato o troppo dolce. Praticamente non abbiamo mai preso molto sul serio le sue lamentele, il che ha reso le cose molto più leggere da affrontare. Inoltre,io, da bambina, “stimolavo” le sue lamentelle, soprattutto dopo che ho iniziato a rendermi conto che lui dava ascolto a tutto ciò che dicevo. Quindi, lui era SEMPRE d’accordo con me, anche quando inventavo che il “dessert” era troppo salato.

Una mattina, mia zia, che viveva nel Nord-est ed era in vacanza da noi, decise di fare una “sorpresa” e andare a servire la colazione al suo amato papà. Peccato che, a differenza di noi (io, mia madre, Bibi, zia Renée e Amália, che era la signora che lavorava a casa nostra, la mia “madre nera”), non fosse abituata alle “scene” che era solito fare. In effetti, un talento sprecato, avrebbe dovuto fare teatro!

Lo ricordo come fosse oggi. Mia madre e io stavamo dormendo in una delle stanze dell’attico (probabilmente avevamo prestato la nostra ai miei zii). Improvvisamente, entra zia Marlene, disperata: “Ana! Il nonno è diventato cieco!”.

Confesso che non ho preso molto sul serio quella storia, ero abituata alle sue lamentelle frequenti. Tuttavia, “cieco” era una novità anche per me.

Mia madre era già scesa. Poco dopo, anch’io scendo e vado in camera sua. Era seduto sul letto, con il vassoio della colazione sul tavolo di fronte a lui. Mi siedo accanto a lui, lo guardo (lui mi guarda reciprocamente) e chiedo: “Nonno, chi sono io?”. Lui, con la più grande “faccia lavata”, mi guarda e dice: “Non lo so, non vedo!”. Poi però, mia madre entra nella stanza, indossando una maglietta. Lui la guarda e dice “Cosa c’è scritto lì?” e poi legge ad alta voce la frase della maglietta! Ora … provate ad immaginare la faccia di mia zia !!

Un altro episodio legato alla “colazione” si è verificato molti anni dopo, a Torres. Un giorno, Alice, la signora che lavorava per mia zia, ha voluto anche lei fare una “sorpresa” e dare la colazione per al nonnino. Va notato qui che io, mia madre, mia zia, le persone con cui lui era “abituato” per così dire, potevano “insistere” perché lui mangiasse, anche portando le fette di pane vicino alla sua bocca. Alice, tuttavia, per lui, chi era? Solo la … governante!

Ho questa scena  ben presente perché ero arrivata proprio mentre lei insisteva che lui mangiasse. (Penso che anche Saulo, mio ​​cugino, abbia assistito alla scena, ma non ne sono sicura). Ricordo che lei diceva: “Mangia nonnino, mangia nonnino” … e lui che gemeva, a denti stretti. Fino a quando lei non ha deciso di prendere il pane e provare a metterglielo in bocca. Su questa insistenza, lui la guardò seriamente e lanciò un grido: “KÁÁÁÁÁÁÁÁÁ !!!” e lei si allontanò, spaventata. (Siamo stati noi, a quel punto già pre-adolescenti, a rassicurarla). Dopo di che, con me, lui ha mangiato.

Il modo in cui si riferiva alle persone era il più sincero possibile. Dei miei amici e compagni di scuola, ha sempre voluto conoscere l’origine, o meglio, il cognome. “Figlio di chi quell li”? E rispondevano sempre: “Figlio del vecchio… (e dicevano il suo cognome)”. Alla fine, anche io mi sono abituatoa a rispondere in quel modo. Quindi, ad esempio, quando Lizi, una delle mie migliore amiche,veniva a casa mia, io dicevo: è “nipote” dell vecchio Viappiana!

A proposito di sincerità, riporto alcuni episodi che dimostrano cosa intendo:·

  • 1: una volta, una compagna di scuola di mia madre è venuta a farci visita (Mia mamma faceva l’insegnante). Dopo che se ne è andata, il commento, non ricordo se fatto da mio zio o mia madre: “Simpatica lei, non è vero nonnino?” E la sua risposta: “Fumma come un turco!”·
  • 2: quando qualcuno a tavola andava a servirsi e riempiva il piatto (anche quando eravamo a casa di altre persone): “Chi è qui quel piatin Lí?” (Di chi è quel “piattino” lì?) E poi: “Ah, lui si “tratta”, veramente!!”·
  • 3: quando mio cugino  venuto da noi per presentare la sua ragazza (ora moglie),il nonno non disse assolutamente nulla. Non aprì la bocca. Ore dopo, mentre era in camera a mettere il pigiama, guardò mia zia (o mia madre, non ricordo bene) e commentò: “Carina, vero?”. Da lì in poi, Dani è diventata “Bonitinha”!(Carina?)·
  • 4. Quando mia cugina Cátia, che si sposò un anno dopo di mio cugino André, chiamò per dare la notizia della sua gravidanza, il suo commento fu: “Ma che dire di André che non si muove?” (Cioè, non ha detto “che bello”, “congratulazioni”, niente! Al giorno d’oggi, penso che si potrebbe persino creare un hashtang: #nonninoosincero)

Ho trascorso praticamente tutta la mia infanzia e la maggior parte della mia adolescenza con lui. Dopo quella “resistenza iniziale” da parte mia, la nostra relazione è diventata gradualmente qualcosa di magico e incantevole. Era il mio compagno, il mio amico, il mio “difensore”. Come è tipico dei “nonni”, faceva di tutto per farmi piacere, anche se a volte facesse qualche piccola “protesta”.

Mi è sempre piaciuto giocare a fare l’insegnanate. Inizialmente giocavo con le mie bambole e, durante le vacanze, con le bambole e i miei cugini. Ma perché usare le bambole se avevo il “nonnino”?

Ogni pomeriggio, quando tornavo dalla scuola, preparavo, su un quaderno, dei “compiti” da risolvere. Quindi, mentre svolgevo i miei compiti scolastici, lui faceva i suoi. Portoghese e Matematica. Dopo tutto, gli piaceva la matematica, era stato un contabile. Portoghese  lo faceva sotto protesta. (Gli facevo anche del “dettato”!). E qui faccio una pausa, per parlare della sua calligrafia. Ragazzi, veramente… lui aveva una scrittura bellissima!

Oltre ai “compiti”, facevamo anche altre attività, come giocare a scopa o a briscola / bisca. In effetti, mi ha insegnato lui a giocare. La “scopa” che giocavamo a casa nostra, a proposito, era diversa da quella che mio marito giocava qui in Italia. Nel nostro gioco, per raccogliere le carte dal tavolo dovevamo raggiungere una somma di 15 punti.

Con mio nonno, ho anche imparato a cantare alcune canzoni in dialetto. Ricordo un LP che avevamo a casa e quanto fosse felice quando lo mettevamo. Ad oggi conosco ancora a memoria i testi di canzoni come Il mazzolin di fiori, La Verginella, La bella Violeta, Santa Lucia, ecc. E la mia preferita, quella della piccola formichina! Non ricordo il nome, ma ricordo che diceva più o meno così:

“Che bel nasin che ha il formighin! Che brut nason che ha il formigon! E la formiga la va sulla spiga, la prende il grano e poi se ne vá… la và. La và… E la formiga la va sulla spiga, la prende il grano e poi se ne và (…)

Traduzione: che bel musetto ha la formichina! Che brutto nasone ha il formicone! E la formica si arrampica sulla pannocchia, prende il grano e poi se ne va via. Eccola, eccola … E la formica si arrampica sulla pannocchia, prende il grano e poi se ne va via (…)

Oltre alle canzoni, è stato con lui che ho imparato a cantare l’inno nazionale.

Un’altra cosa che mi piaceva molto era fargli indossare dei costumi. Costumi, parrucche, qualsiasi cosa potete immaginare. In questo gioco, spesso venivo accompagnata dalla mia amica Liziane!Sapete quelle amiche che sono “sempre” insieme? Così eravamo noi due! Quando lei non era a casa mia, io ero da lei! E il nonnino, ogni tanto chiedeva “di nuovo”. il suo nome (Con il cognome, ovviamente). Uno di quei giorni, lei ha detto: “Liziane Scheer Viapiana”. Lo ha ripetuto alcune volte, perché lui diceva: “Eh? Eh? ”. Quindi, ad un certo momento, lui dice: “Servia?” E così, da quel giorno in poi, “Lizi” divenne “Servia”.

Anni dopo, lui è diventato anche molto legato alla mia amica Simone, figlia della “tedesca”, come si riferiva a sua madre Teresa, a causa dei suoi capelli biondi. (Durante la mia adolescenza, era lei a venire spesso da noi. Lizi ed io eravamo andate a studiare in scuole diverse e per questo ci siamo un po’ allontanate).

In quel periodo, era normale per me andare a casa di Simone per studiare e finire per restare a cena. E lì, a tavola, c’era sempre qualche storia del nonnino da raccontare. Sì, era un tesoro, amato da tutti!

Tornando quindi ad alcuni episodi della mia infanzia e adolescenza.

Ricordo che mi difendeva sempre e ovviamente io me ne “approfittavo”. A volte mia madre mi diceva qualcosa, io brontolavo, lui si rivolgeva a lei e diceva: “Perché le fai questo?”

Ricordo quando ho avuto l’epatite e dovevo restare “in isolamento” in camera. Anche se gli avevano detto che doveva stare lontano, ogni due per tre lui veniva fino alla porta della stanza per “spiarmi”, chiedermi come stavo. Una bellissima scena da vedere! Lui camminava lentamente e respirava con la bocca semiaperta. Io sentivo i suoi passi e il suono che faceva mentre si avvicinava “Eh, eh, eh ….”.

Ricordo che se mi capitava di andare a letto prima di lui, lui veniva nella mia stanza, si abbassava vicino al mio viso e diceva sussurrando: “Stai dormendo?” (Di solito ero sveglia, ma non aprivo gli occhi, perché quel gesto mi divertiva)

A proposito di divertimento: il mio nono trascorreva il pomeriggio seduto su una poltrona, con una coperta sulle ginocchia, facendo un sonnellino o guardando la TV. Camminava fino in cucina a pranzo o a cena apoggiato a qualcuno da noi, a passi di “lumaca”. Succedeva però che a volte, per una ragione o per l’altra, uscivamo tutti e lui restava a casa solo con Amália, che, a differenza di zia Renée, che trascorreva i suoi pomeriggi sedutia lì nella stanza con lui, spesso a lavorare a maglia, aveva molte cose da fare. Quindi, ovviamente, non poteva stare lì nella stanza a fargli compagnia! Bene allora.

La nostra casa è interessante. Accanto alla porta d’ingresso, c’è una “striscia” di vetro, che ci consente di vedere cosa sta succedendo all’interno. (Parlo nel presente perché la casa esiste ancora, oggi sono i miei zii che vivono lì). Di solito “sbirciamo” dentro prima di aprire la porta per entrare. Ai tempi del mio nonno, infatti, era consuetudine “bussare alla porta, o meglio, al vetro”  lui venisse ad aprirci. Prima di bussare, tuttavia, gardavamo dentro un attimino e … incredibile !! Dov’era il nonnino? In piedi, con addosso gli occhiali, a leggere la corrispondenza e le bollette che erano in cima allo scaffale, a controllare le notizie sul giornale, ecc. Poi, in serata, dal “nulla”, diceva: “Ruben, hai pagato quel conto che scade il 10?”

Lasciavamo passare alcuni minuti e suonavamo il campanello (o bussavamo alla porta). Alla velocità della luce, si voltava rapidamente, andava in tutta fretta e furia a riprendere la coperta che aveva lasciato appoggiata sulla poltrona e veniva ad aprire la porta come se si fosse appena alzato. (Inutile dire che il tragitto  di”ritorno” alla sua sedia impiegava tre volte il tempo del tragitto della sedia alla porta nel momento in cui non sapeva che qualcuno lo stava guardando, vero?)

Ancora riguardo a episodi divertenti, ce ne sono altri che forse non tutti troveranno divertenti, ma io, avendoli vissuti durante l’infanzia / pre-adolescenza, li ho presenti nella mia mente in un modo leggero e divertente.

Un pomeriggio, la madrina di mia madre, Dona Maria Viana, è venuta a fare merenda da noi. Questa visita speciale meritava sicuramente uno spuntino speciale. Quindi, quel pomeriggio, c’erano i “quindins! (Dolcetti a base di tuorlo d’uovo, cocco e latte condensato). Peccato che i quindins, per chi ha la dentiera come il nonnino, a volte possano essere un po ‘”appiccicosi”. Bene, potete già immaginare cosa sia successo, giusto? Sì! Il quindim si è attaccato alla protesi!

Il nonnino, tuttavia, credo non volesse restare senza assaporate quei deliziozi dolcetti. Quindi, senza esitazione, ha semplicemente rimosso la dentiera e si è messo a “succhiare” l’intero quindim che era rimasto appiccicato, proprio lì a tavola!

Un altro episodio divertente: una volta, mio ​​zio Paulo, un cuoco eccellente, specialmente quando si tratta di pesce e frutti di mare, ha preparato, tra le altre cose, i calamari. Sembra, tuttavia, che quel giorno, per errore, li avesse cotti troppo. E quelli che mangiano i calamari sanno che, se si cucinano troppo, tendono a diventare un po ‘gommosi. Ok. Abbiamo pranzato, tutto ok. Noninno nella sua sedia / poltrona (Eravamo sulla spiaggia, ma anche lì aveva una poltrona dove sedeva!), all’improvviso, dal nulla,verso metà pomeriggio, vediamo che inizia a masticare. “Cosa stai mangiando noninno”? Lui apre leggermente la bocca e, con la lingua leggermente fuori, cerca di mostrarci … i calamari !

E quando siamo tornati dalla Disney, io e mia mamma, con una videocamera? Ricordo che stavo registrando durante la cena. Mia mamma: “Noninno, guarda lì che Marian sta “filmando” (registrando)! “Fumando ??”

E l’episodio di luiche leggendo la maglietta di mio cugino? “Sex Pistols!” Cosa vuol dire? E mia madre: “Sei pistole”.

Per alcuni anni ho usato un aparecchio mobile sui miei denti. Una mattina, ho dimenticato di indossarlo e ho finito per andare a scuola senza. Il mio nonno, quando andò in bagno e vide che il mio apparecchio era rimasto lì, dentro la custodia, esclamò: “Ha dimenticato la sua dentiera! Ha dimenticato la sua dentiera!”

Ah, mi sono appena ricordata di un altro episodio sulla “sincerità”. In effetti, più che sincero, era diretto.

Stavo tornando a casa dopo le vacanze. All’epoca, avevo un canarino. Quando sono arrivata, mio ​​zio, mia zia, Amália, tutti mi dicevano: “Come stai? Come sono andate le vacanze? ”. “Wow, come sei abbronzata”, ecc., Ecc., Ecc. Invece lui, il nonno, mi guarda e mi fa:”L’uccellino è morto!” Decisamente, #nonninosincero!

Il nonnino aveva il dito indice della mano destra storto. La ragione? Aveva provato ad aprire una bottiglia con un coltellino swizzero, che li ha scivolato e ha finito per tagliarli il nervo.

Il nonnino aveva vissuto storie tragiche. Oltre alla perdita della moglie in un modo così inaspettato e brutale, aveva vissuto un episodio nella sua famiglia che sembrava uscito da uno di quei film drammatici o di tipo thriller. Questa storia, tra l’altro, che lui mi ha raccontato più di una volta, immaginavo fosse accaduta quando era ancora un bambino. Oggi, tuttavia, avendo in mano la fotografia in cui appare con tutti i fratelli, mi rendo conto che è successo quando era già sposato e che, contrariamente a quanto ho sempre pensato, lui non ha assistito a ciò che è accaduto personalmente, ma ha saputo quello che era successo da ciò che gli è stato riferito, probabilmente dai fratelli. (Almeno penso sia stato così). Andiamo alla storia:

“Un giorno, suo fratello Antonio voleva uscire, ma suo padre non lo aveva permesso. (Non conosco i dettagli). Era il figlio più giovane e probabilmente anche il più ribelle. È interessante notare, infatti, che nella fotografia dei fratelli, la cui copia ho qui con me, è l’unico che sembra “trattenere una risata”. Bene, egli decise di uscire comunque,  di nascosto da suo padre. Ha quindi concordato con suo fratello Sétimo che, al suo ritorno, avrebbe bussato leggermente alla finestra perché lui li aprisse la porta. Solo che Settimo finì per addormentarsi e non ascoltò quando suo fratello bussò. Suo padre, tuttavia, si svegliò al rumore di qualcuno che cercava di entrare in casa. Sicuro che i bambini dormissero tutti, ha pensato che ci fosse un ladro. Senza pensarci due volte, prese la pistola che possedeva e sparò, uccidendo suo figlio. Avrebbe poi trascorso il resto della sua vita pieno di sensi di colpa e di rimorso, anche se sembra che, in un modo o nell’altro, “abbia imparato” a conviverci, perché i ricordi di mia madre su di lui sono di un nonno, soprattutto, molto giocoso). Settimo, il fratello che “si addormentò”, finì per impazzire e ed è morto ancora giovane, in un sanatorio”.

Non conosco alcuna storia sulla “madre” del nonno, né so se fosse ancora viva quando è successa questa storia. Dei fratelli e sorelle di mio nonno, forse ho conosciuto Joanin, ma non ne sono sicura. Ricordo molto bene “Zia” Luisa, che viveva in una piccola casa di legno e che, d’inverno o d’estate, aveva sempre il fuoco a legna acceso, perché preparava sempre delle marmelate di pesche, ficchi, uva…. In effetti, era “conosciuta” come quella che preparava le marmellate alle pesche senza rimuovere il nocciolo, perché “davano più sapore”. Ricordo che quando andavamo a trovarla, chiedevo sempre di restare in cortile, perché  dentro casa faceva così caldo! Ricordo anche lo “zio” Arlindo, che veniva spesso da tni a trovare il nonno. Anche lui, dolcissimo! E ora, guardando questa foto, lui con la mano appoggiata sul braccio del mio nonno, vedo come, da sempre, loro erano uniti!

Tornando al nonnino, la cosa interessante è che ricordo episodi relativamente banali, come quella volta in cui si è tagliato quando ha fatto cadere il coperchio di vetro di un baratolo e il sangue continuava a fuoriuscire. (Sono stata io a fargli il bendaggio col cerotto),o la volta in cui due Testimoni di Geova hanno suonato il campanello e lui le ha aperto la porta e poi  queste qua non se ne andavano più e hanno iniziato a spaventarlo dicendo cose insensate sulla “Fine del mondo” . Ricordo che ero ancora una bambina e le “affrontai”, dicendo che non credevamo in nulla di tutto ciò, ecc. Ecc. Ecc. Ecc.

Come sicuramente avete potuto notare, ero molto, molto legata a lui. Col passare del tempo, quella bambina che inizialmente aveva “paura” del suo nonno, trascorreva gran parte della sua giornata baciandolo e abbracciandolo!

Non avendo subito alcuna “perdita” diretta, dal momento che mio padre era disincarnato prima della mia nascita, mi ritrovavo spesso a pensare: come sarà quando lui morirà?

Era stata una giornata come qualsiasi altra. La sera, come al solito, mio nonno ha iniziato a ripetere: “Andrò a letto. Andrò a letto ”. E noi rispondevamo: “è ancora presto, aspetta un po ‘di più!”. E lui insisteva. Fino a quando lo guardo e dico: “è ancora presto nonno, mangia una caramella!” “Posso avere una caramella?” Chiese. Io, in quel momento, non avrei mai immaginato che quelle sarebbero state le ultime parole che lo avrei sentito pronunciare.

La mattina dopo, come al solito, mia zia gli portò la colazione. Lui ha mangiato e poi è tornato a letto, come faceva sempre. Più tardi, quando è andata a chiedergli di alzarsi, mia zia lo trovò disteso sul letto. Un ictus lo aveva colpito, paralizzandolo tutto un lato e impedendogli di parlare. Fu così che, per alcuni mesi, la “vita” che prima ocorreva in soggiorno, si trasferì nella sua stanza.

Un divano, la TV, e lui che veniva curato, nutrito. Non gli è mai mancato nulla, tanto meno affetto. Mia zia ha finito per trasferirsi a casa nostra, per aiutare a prendersi cura di lui. Era la fine di febbraio 1994.

Ricordo il modo in cui ci guardava. Ci rendevamo conto che capiva, anche se non riusciva a comunicare! Ed è stato all’alba alla fine di aprile che è venuto a disincarnare.

Ricordo che avevamo preso un’infermiera per passare le notti con lui, perché anche mia zia aveva bisogno di riposare. Quella notte lei mi disse: “Tuo nonno non sta bene”, a cui ho risposto: “Lo so, l’ho capito”. E quella stessa notte ho sognato. No, non l’ho sognato. Ho sognato che ero a scuola e raccontavo che lui era morto. Molto probabilmente, mentre lo raccontavo nel sogno, lui, nella “vita reale”, si “disconnetteva” dal suo corpo fisico.

Non ho visto il “disincarne” di mio nonno, ma deve essere stato momento molto bello.

Che vuol dire, bello il momento della morte?

Mia zia da tempi lo aveva sopranominato “uccellino” perché, oltre ad essere più magro, il fatto che non indossasse più la dentiera, che ovviamente non era più necessaria, faceva con che le sue labbra sembrassero il becco di un uccellino.

Quella notte, quando si resero conto che era peggiorato (respiro rapido, tachicardia, cose così), mia madre ha telefonato alle mie altre zie che, all’epoca, erano tornate a vivere a Caxias. Mia mamma,la zia Renée e lo zio Ruben erano già lì. Quindi sono venute tutte a casa nostra, accompagnate dai mariti: zia Lourdes con lo zio Chico, zia Marlene con lo zio Pedrinho e zia Mary con lo zio Paulo. Ad un certo punto, sembrava il nonno stesse meglio (il famoso miglioramento della morte?)e le zie hanno detto ai loro mariti che potevano andare a casa. Lui è rimasto quindi circondato dai suoi 6 figli.

La mia famiglia è sempre stata molto unta e uno ha sempre rispettato le scelte dell’altro. Tutti abbiamo una fede irremovibile, ma ognuno di noi ha la sua. Quindi, quella notte, ciò che è stato osservato è stato un momento di eccezionale sincretismo religioso. Sfortunatamente, non ho assistito alla scena, ma deve essere stata una cosa del genere: zia Mary, pregando, non so se con il rosario o no, ma non fa differenza. Padre Nostro, Ave Maria … Zia Marlene che legge ad alta voce la “Sutra Sacra” della Seicho-no-ie, “Pioggia di nettare della verità”. Zia Lourdes, mentalizzando l ‘”OM” dello Yoga, mia madre probabilmente imponendo le mani, dando un “passe”, trasmettendo energia. Bibi laggiù, a guardare. Il respiro del nonno, inizialmente agitato, si indebolì gradualmente fino a quando la zia Renée, ispirata da un mentore del Piano Spirituale, disse: “Vola, uccello! Vai ad essere libero! ”. Lui sospirò e se de andò. Ha disincarnato con un’espressione di tranquillità e pace. Sembra che stesse solo aspettando quella “autorizzazione”, quella frasi: “Può andare, staremo bene!”

Mi sono svegliata al suono dei cassetti che si aprivano e si chiudevano. “Una cravatta, dove c’é una cravatta?” Non hanno dovuto nemmeno dirmi che era morto. Lo sapevo già.

Quel giorno sono andata a scuola normalmente. Ero indecisa se partecipare o meno al funerale. Mia madre mi aveva lasciato libera: “Decidi tu figlia, fai ciò che il tuo cuore ti dice”. E ad un certo punto, tuttavia, ho preso la decisione. Sono andata alla segreteria della scuola e ho chiesto di tornare a casa.

Ovviamente, il coordinatore mi ha chiesto se avevo un’autorizzazione per scritto sul diario. No, non ce l’avevo. “No, non ce l’ho, ma mio nonno è morto e volevo andare al funerale”. Mi hanno liberata immediatamente.

Il'”clima” alla veglia del nonnino era così pacifico, così armonioso, che un ragazzino di strada entrò nelle cappelle, si sedette su una delle sedie e commentò: “Che strano questo funerale, nessuno piange!”

Già. Emozione sì,tanta. Pianto disperato, no. Dopotutto, lui stava bene, in pace. Eravamo tutti in pace.

Dopo quel giorno, lo avrei sognato ancora e ancora, per molti, molti anni. Sono quasi sicura che quelli non fossero semplici sogni, ma che fossero veri incontri. Tutto indica che, visto il nostro legame così forte, io, nel sonno, andavo in spirito al piano spirituale dove lui si trovava. Mai, dopo questi incontri / sogni, mi sono svegliata triste, nostalgica o con una brutta sensazione. Succedava giusto il contrario! Mi svegliavo così bene, così calma, che a volte avevo addiritura bisogno anche di alcuni minuti per fermarmi e rendermi conto che … si, lui era VERAMENTE disincarnato! Lui non era più qui!

Ora, è da un po’ che non lo sogno più. Chi sa se è perché è già reincarnato! O, chissà, prima o poi ci rivedremo ancora!

Ah, prima di parlare di come immagino sia stato il suo “rientro” nel mondo spirituale, lasciatemi raccontare un’altra storia di quando lui era giovane.

Questo episodio rissale a molto tempo fa, quando il mio nonno e la mia nonna erano ancora fidanzati. Lei viveva nella periferia della città, in un quartiere chiamato Galópolis. Il mio nonno andava fino a casa sua, o meglio, a casa dei suoi genitori, a cavallo. Metteva i suoi vestiti migliori, “fatiota” (abito) bianco, cappello. Un giorno, proprio mentre attraversava un ponte, il cavallo si è spaventato con qualcosa.Ed ecco, cavallo e cavaliere che finiscono nel fiume! Eppure è andato lo stesso a trovare la fidanzata! Ora, provate a immaginare la scena: invece di un ragazzo tutto elegante, vestito di bianco, lei si trova di fronte un ragazzo tutto infangato!

Per concludere, vorrei parlare un po’di più della “disincarnazione” del mio nonno, o meglio, di ciò che mi ha fatto affrontare tutto in un modo, per così dire, sereno e tranquillo. (Questa parte della storia, a differenza di tutto il resto, non può essere dimostrata. Ciò non significa, tuttavia, che sia meno reale).Allora.

Sicuramente essere stata creata nella dottrina spiritista e credere, in parole semplici, nella “vita dopo la morte” mi ha aiutato molto. Allo stesso tempo in cui pensavo: “come sarà senza la sua presenza vicino a me”, pensavo anche: “wow, ma i suoi genitori sono morti, TUTTI i suoi fratelli, tutti gli 8 fratelli sono morti, sua moglie è morta. È “rimasto” solo lui! Sì, ci sono i suoi figli, i suoi nipoti, ma sono tutti cresciuti, hanno le loro vite… Non sarebbe egoista da parte mia non volere che lui se ne andasse?”

Ricordo che un giorno, da bambina, ho iniziato a pensare alla morte, o meglio alla disincarnazione. Sono giunta alla conclusione che era come se quella persona stesse per viaggiare, o meglio, trasferirsi in un posto lontano, dove non avevano un telefono. Inoltre, poiché era un luogo più remoto, la posta non poteva arrivare. Quindi non potevano dare notizie, ma sapevamo che stavano bene. (Non potevo immaginare che le notizie sarebbero arrivati, sotto forma di sogni, psicografie o intuizioni).

Ho sempre immaginato il rientro  del mio nonno nel mondo degli spiriti con una scena come questa: lui torna al suo aspetto giovanile, viene accolto a braccia aperte dalla mia nonna, il suo grande amore. Ho persino immaginato li che gli offre, dopo un caloroso abbraccio, un bel pezzo di torta! (“Plasmada”, ovviamente). Per coloro che non lo sanno, “plasmare” è l’azione con cui gli spiriti modellano la materia sottile, riproducendo oggetti, cibi, ecc.).

Ora, con due sue foto qui davanti a me, una al suo matrimonio e un’altra ancora più giovane, insieme a tutti i suoi fratelli, immagino che abbia scelto di rimanere esattamente così. Vedo le sue sorelle e suo fratello maggiore che lo abbracciano, l’altro fratello che lo da un colpetto sulle spalle e i 4 più piccoli, felici, festeggiando e ballando intorno a lui. Tutto allegri, giocando, sorridendo, “matando a saudade” il cui tempo non cancella.

Il ritorno, molti anni dopo, di una delle sue amate figlie nel regno spirituale, deve essere stato qualcosa del genere. Esempio di gentilezza, carità e amore incondizionato, sono sicura che la zia Mary sia stata accolta da lui e dalla nonna con tutto l’amore del mondo!

A volte penso che si sia persino reincarnato. Chi lo sa? Tutto è possibile!

Nel suo passaggio qui e negli anni in cui abbiamo potuto convivere, ha lasciato un’eredità molto speciale. Non dimenticherò mai le cose che ho vissuto con lui. Dalle mie “avventure”, dai giochi e, soprattutto, da quello che resterà per sempre nei ricordi del mio cuore. Il nonno, il nostro amato noninno, è sempre presente nella mia vita. Non è stato possibile per lui conoscere il mio amato marito (almeno non qui sulla Terra), ma chissà, forse loro due si sono già “incrociati” da qualche parte, in Universi correlati!

Marian Festugato de Souza

P.S: una nostra carrissima amica mi ha fatto  ricordare una sua  altra particolarità: quando lui parlava al telefono, con le mie zie, cugini, amici, ecc, diceva sempre: “Com’è  là”?” E, subito dopo, probabilmente rispondendo alla  domanda: “Tu come stai?”, la sua risposta era sempre la stessa: “Vamos Indo!” (Come potrei tradurre… forse..Si va avanti?)

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Histórias sobre o meu nono

1 maio

Numa das vezes em que a minha mãe veio me visitar, deixou aqui comigo uma cópia atualizada da árvore genealógica da nossa família, pelo lado dos Festugato. O elenco de nomes começava nos meus tataravós, até chegar à última geração, que não é mais a minha, mas a dos filhos dos meus primos. Pois bem.

Junto à este elenco, encontrei, também presente da minha mãe, uma cópia de duas velhas fotografias. A partir daí, comecei a pensar nas tantas histórias de família que merecem ser registradas, para que não caiam no esquecimento. Sim, daria para escrever um livro, quem sabe em forma de pequenos contos, para ser uma coisa de agradável leitura. Por enquanto, porém, me limitarei a contar um pouquinho a história e as lembranças do meu nono materno.

Para alguns pode parecer curioso já o fato de eu ter entitulado o presente texto como “ Histórias sobre meu nono” e não “Histórias sobre o meu avô” também na versão em português. (Coisa que talvez possa passar despercebido àqueles que forem ler o texto traduzido em italiano).

Acontece que eu sempre o chamei de “nono”! Nono ou “noninho”, num diminutivo carinhoso. Para mim, vô era o pai do meu pai. Vamos então ao que interessa.

Meu nono se chamava Pedro Festugato, ou Piero Giacomo Giovanni, como ele dizia ser seu nome de batismo. Era o terceiro de uma prole de 9 filhos:  Angela (Angelina), João (Joanin), Pedro (Pedrinho), Luiza, Giacomo, Arlindo, Sétimo, José (Gieppe), Antonio. Seu pai, Giuseppe, chegou ao Brasil no dia 8 de dezembro de 1891, aos 14 anos. Filho mais velho, desembarcara junto à sua família, seu pai Giovanni (40) e sua mãe Angela (35) e seus irmãos Antonio (10), Domenica (8), Eugenio (6), Anna Maria (5), Maria (que infelizmente foi a óbito durante a viagem, com apenas 1 ano de idade) e Amélia (2 meses). Já no Brasil, teve mais 3 irmãos: Domenico, Octavia e João Maria, que infelizmente faleceu com apenas 8 anos de idade.

Sobre o “nono Bepe”, certamente existem muitas histórias, que ficarão, como dito anteriormente, para uma outra vez.

A percepção do tempo é uma coisa engraçada. Eu estava para escrever que convivi com meu nono Pedro por muitos, muitos anos. Agora, porém, se paro para pensar, me dou conta de que, na verdade, talvez não tenham sido “tantos” anos assim. Foram, no entanto, anos intensos, que deixaram uma marca (linda) no meu coração.

Reza a lenda, ou melhor, minha mãe me contou que o noninho sofria de depressão. Quando entrava em crise, era a nona que, graças à venda de seus doces e tortas (que diziam serem maravilhosas), sustentava a família. Além disso, ela lembra que, nos momentos piores de suas crises depressivas, ele, a nona e a minha mãe iam até a casa da praia, na Rondinha. Ficavam lá, isolados, por diversos meses. Aquele lugar, que para mim tem um quê de mágico, o fazia sentir-se melhor. Anos depois, graças à histórias de sua vida que ele mesmo iria me contar, eu compreenderia os motivos pelos quais ele acabara sofrendo de tais estados depressivos.

A lembrança, ou melhor, as lembranças mais antigas que tenho de encontros meus com meu nono, são no Hospital de Carlos Barbosa. Lembro das viagens até lá todos os domingos. As curvas da estrada que me faziam ficar sempre enjoada, as hortências na beira da estrada, o “avião da água”. (Explico: todas as sextas-feiras, viajávamos para Porto Alegre, para irmos ao Centro Espírita Francisco Xavier. No caminho, passávamos por Canoas, onde existe uma base aérea. Assim, da estrada, avistávamos, em uma praça, uma estátua de um avião.  (ou era um avião de verdade?). Para mim aquele era um ponto de referência, pois significava que estávamos quase chegando.  Fato está que no caminho para o hospital de Carlos Barbosa, para onde íamos aos domingos, também tinha uma “estátua” de um avião, mas, desta vez, no meio de uma espécie de “xafariz”. Daí “avião da água”.

Dizem que eu cumpria este “ritual” de ir visitar o meu nono desde antes ainda de começar a caminhar. Obviamente, desta parte eu não lembro. Lembro porém que eu tinha um pouco de medo dele. Talvez devido aos cabelos penteados para trás, ou àqueles óculos de armação preta e pesada. Sei que eu lhe dava (sem muita vontade, eu confesso), um beijo de leve na face e sentava um pouco na sua cama (ele geralmente estava sentado na cadeira), só esperando que me dissessem que eu podia ir brincar no jardim. Eis a minha lembrança daquela época: o jardim do hospital, com as estátuas da Branca de Neve e os Sete Anões. Sim, esta era a melhor parte do passeio! Lembrem-se, eu era criança!

Antes de contar a volta dele pra nossa, ou melhor pra sua casa, gostaria de voltar um pouco no tempo, para os motivos pelos quais foi necessária a sua internação. Lembrando aqui que são histórias que me foram relatadas e que algumas lembranças, carregadas de emoção, podem trazer verdades que não sejam 100% corretas.

Como citado anteriormente, meu nono era depressivo. Frágil, adoecia com facilidade, o que levava a pensar, logicamente, que iria falecer antes da minha nona, pessoa forte, lutadora, trabalhadora e corajosa. Quis o destino, no entanto, que as coisas acontecessem de outra maneira.

Certo dia, minha nona saiu para ir à missa, como sempre fazia. O tempo foi passando e nada de ela voltar para casa. Na época, a minha mãe, que é a filha mais nova, era a única que ainda morava com os pais. Seu pai, então, comentou algo como: “Que estranho que a tua mãe ainda não voltou. Será que ela não foi visitar a Marlene? (Marlene é minha tia). De repente, pega um táxi e vai até a casa dela pra ver se a tua mãe está lá”. E assim ela fez.

Quando estava no táxi, não lembro se escutou na rádio, se foi o taxista que comentou ou ambas as coisas. Só sei que ela ficou sabendo que uma senhora tinha sido atropelada por um jipe da polícia na frente da Catedral quando estava saindo da igreja depois da missa. E foi assim que a minha nona desencarnou. E foi a partir daquele instante que, para meu nono, viver virou algo sem nenhuma importancia. Inicialmente tentaram fazer com que ele continuasse na sua casa. Quando, porém, ele abandonou a si mesmo, passando inclusive a fazer as necessidades pelos cantos da casa, a internação pareceu ser a única solução.

Cinco anos depois, minha mãe se casava. Ele compareceu à cerimonia, embora não a tenha acompanhado ao altar. Quem o fez foi seu irmão e padrinho Ruben, o Bibi que, olhem como é a vida, 42 anos e 6 meses depois, repetiria o mesmo gesto, desta vez para me acompanhar ao altar. E ambas tivemos, além disso, a nossa união abençoada pelo mesmo frei, meu tio Ronaldo.

Mais ou menos 1 ano depois, meu pai desencarnou por um enfarte do miocárdio. Mais uma crise abateu-se sobre o meu nono, que sentia-se em culpa por “ainda estar vivo”, ele que “não prestava para nada”. Ainda por cima, minha mãe estava grávida!!

O carinho com que ele vinha sendo tratado naquele hospital fez toda a diferença. Além disso, a presença contante dos filhos, que toda semana iam visitá-lo, especialmente minha mãe, a tia Renée, o tio Ruben e a tia Mary, já que as outras filhas moravam no Nordeste, contou muitos pontos a seu favor.

Eu lembro que, um certo dia, ele passou a morar “lá em casa”. Segundo a minha mãe, tudo foi decidido assim, num instante. Ela relata que, em uma das nossas visitas de rotina, ele perguntou para as filhas quando elas iriam levá-lo para casa. Elas (acho que a minha mãe e a tia Mary, mas não tenho certeza) se olharam e responderam: agora mesmo! E foi assim que voltamos, todos juntos, para a nossa casa em Caxias do Sul.

Na nossa casa, que na verdade era a casa do nono, passamos então a morar eu, minha mãe, meu primo André, cujos pais tinham se transferido para o Nordeste, meu tio Ruben e o nono Pedrinho. Embora inicialmente a sua presença para mim era algo novo e estranho, aos poucos fui não apenas me abituando, mas especialmente me apegando àquele velhinho que, com o tempo, descobri ser doce, divertido e cheio de histórias para contar. A propósito, certo dia se deram conta de que ele não precisava  usar aqueles óculos pesados o tempo todo, mas apenas para ler. Pequenos gestos como tirar os óculos e mudar o penteado já fizeram com que eu perdesse o “medo” que eu tinha dele.

Conforme o tempo ia passando, eu ia me apegando a ele cada vez mais. Ele ainda guardava dentro de si, obviamente, resquicios de um estado depressivo, e em certos momentos parecia entrar em “transe”, dizendo coisas sem nexo, lamentando-se, resmungando ou sofrendo de pesadelos.

Diversas vezes, durante a noite, me deparei com ele caminhando pra frente e pra traz no corredor da sala, rezando o réquiem em latim. Lembro que eu ia até ele e o conduzia de volta para a cama, dizendo-lhe que estava tudo bem e o acompanhando em um Pai Nosso, de modo que ele ficasse mais tranquilo. (Quem sabe, visto a sua sensibilidade, se naquele momento ele não estava realmente em contato com o Mundo Espiritual).

Além disso, repetia constantemente, inclusive durante o dia, frases como”eu sou um morto vivo”, ou coisas deste tipo.

Todas as manhãs, uma de nós ia levar o café da manhã pra ele na cama. Depois, mais perto da hora do almoço, o ajudávamos a levantar. O chamávamos, o vestíamos, ele ia se lavar o rosto e uma de nós lhe penteava e lhe fazia a barba. Também o ajudávamos com o banho. Comer ele comia sozinho, embora muitas vezes sob prostesta. Como uma criança, ele protestava, “brontolova”, mas no fim acabava comendo. Ou a comida estava salgada (“puro sal”, dizia ele), ou queimada, ou doce demais. Nós praticamente nunca levávamos muito a sério as suas reclamações, o que tornava as coisas bem mais leves de serem enfrentadas.  Além disso eu, criança, “dava corda”, especialmente depois que passei a perceber que ele dava ouvidos a tudo aquilo que eu dizia. Assim, ele concordava SEMPRE comigo, inclusive quando eu inventava que a “sobremesa” estava muito salgada.

Certa manhã, minha tia que morava no Nordeste e estava passando as férias conosco, resolveu fazer uma “surpresa” e ir ela servir o café ao seu amado pai. Pecado que, ao contrário de nós (eu, minha mãe, o Bibi, a tia Renée e a Amália, que era a senhora que trabalhava lá em casa, a minha “mãe preta”), ela não estava acostumada com as “cenas” que ele costumava fazer. Aliás, um talento desperdiçado, ele devia ter feito teatro!

Lembro como se fosse hoje. Estávamos, eu e a minha mãe, dormindo em um dos quartos do sótão (provavelmente tínhamos deixado o nosso para os tios). De repente, entra a tia Marlene, desesperada: “Ana! O nono tá cego!”.

Confesso que eu não levei muito a sério aquela história, acostumava que estava com suas queixas frequentes. No entanto, “cego” era uma novidade inclusive para mim.

Minha mãe já tinha descido. Pouco depois, eu também desco e vou até o quarto dele. Ele estava sentado na cama, com a bandeja do café da manhã apoiada na mesinha à sua frente. Me sento ao seu lado, olho pra ele (que me olha reciprocamente) e pergunto: “Nono, quem sou eu?”. Ele, com a maior “cara lavada”, me olha e diz: “Não sei, eu não enxergo!”. Em seguida, porém, entra no quarto a minha mãe, vestindo uma camiseta. Ela olha pra ela e diz: “O que está escrito ali?” e, em seguida, le, em voz alta, a frase da camiseta! Agora…tentem imaginar a cara da minha tia!!

Um outro episódio referente ao “café da manhã” aconteceu muitos anos depois, em Torres. Um dia, Alice, a senhora que trabalhava para a minha tia, também quis fazer uma “surpresa” e dar ela o café da manhã pro noninho. Convém aqui salientar que eu, a minha mãe, a minha tia, pessoas com quem ele estava “acostumado” por assim dizer, podíamos tranquilamente “insistir” para que ele comesse, levando inclusive as fatias de pão próximas à sua boca. A Alice, no entanto, para ele, quem era? Simplesmente a… governanta!

Tenho bem presente esta cena porque eu tinha chego bem na hora em que ela estava insistindo para que ele comesse. (Acho que o Saulo, meu primo,  também presenciou a cena, mas não tenho certeza). Lembro dela falando: “Come noninho, come noninho”… e ele gemendo, com os dentes cerrados. Até que ela resolveu pegar o pão e tentar dar na sua boca. Diante desta insistencia, ela a olhou sério e soltou um grito: “KÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!”, ao que ela se afastou, assustada. (Fomos nós, ali já pré-adolescentes, a tranquilizá-la). Depois disso, comigo, ele comeu.

O modo como ele se referia às pessoas era o mais sincero possível. Dos meus amigos e amigos de escola, ele queria sempre saber a origem, ou melhor, o sobrenome. “Figlio di chi quell lí”? Traduzindo:  “é filho de quem aquele ali?” ao que sempre lhe respondiam: “Filho do velho…(e diziam o sobrenome)”. No fim, até eu me acostumei a responder assim. Então, por exemplo, quando a Lizi, uma das minhas melhores amigas, ia lá em casa, eu dizia: é “neta” do velho Viappiana!

Falando em sinceridade, relato alguns episódios que demonstram ao que me refiro:

  • 1: certa vez, uma colega de escola da minha mãe foi nos visitar. (Minha mãe era professora). Depois que ela foi embora, o comentário, não lembro se feito pelo meu tio ou pela minha mãe: “Simpática ela, né noninho?” E a resposta: “Fuma como um turco!”.
  • 2: quando alguém ia se servir e enchia o prato (inclusive quando estávamos na casa de outras pessoas): “Chi è lo qui quel piatin lí?” (De quem é aquele “pratinho” ali?) e, em seguida: “Ele se trata, hein? Poxa!!”
  • 3: quando meu primo passou lá em casa para apresentar a namorada (hoje esposa), ele não falou absolutamente nada. Não abriu a boca. Horas depois, quando estava colocando o pijama, ele olhou para a minha tia (ou a minha mãe, não lembro direito) e comentou: “Bonitinha ela, né?”. E daí, a Dani passou a ser a “Bonitinha”!
  • quando a minha prima Cátia, que se casara um ano depois do meu primo André telefonara pra dar a notícia da sua gravidez, o seu comentário foi: “Mas e o André que não se mexe?” (Ou seja, não foi que legal, parabéns, nada! Nos dias de hoje, acho que até daria para criar uma hashtang: #noninhosincero)

Passei praticamente toda a minha infância e grande parte da minha adolescência com ele. Após aquela “resistência inicial” da parte minha, aos poucos a nossa relação foi se transformando em algo mágico e encantador. Ele era meu parceiro, meu amigo, meu defensor. Como é típico dos “nonos”, fazia de tudo para me agradar, embora às vezes “protestasse” de leve.

Eu sempre gostei de brincar de escola. Inicialmente brincava com meus bonecos e, nas férias, com eles e meus primos. Mas por que usar os bonecos se eu tinha o “noninho”?

Todas as tardes, quando eu voltava da escola, eu preparava, em um caderno, “temas” para ele resolver. Assim, enquanto eu fazia os meus deveres da escola, ele fazia os seus. Português e Matemática. Matemática ele gostava, afinal, tinha sido contador. Português ele fazia protestando. (Até “ditado” eu fazia!). Aqui, uma pausa, para falar sobre a sua caligrafia. Gente! Que escritura linda!!

Além dos “temas”, também fazíamos outras atividades, como jogar escova ou briscola/bisca. Aliás, ele foi quem me ensinou a jogar. A “escova” que jogávamos lá em casa, aliás, é diferente daquela que o meu marido jogava aqui na Itália. Na nossa, para recolher as cartas da mesa precisávamos somar 15 pontos.

Foi também com o meu nono que aprendi a cantar algumas canções em dialeto. Lembro de um lp que tínhamos em casa e o quanto ele ficava feliz quando o colocávamos pra rodar. Até hoje sei de cor músicas como Il mazzolin di fiori, La Verginella, La bella Violeta, Santa Lucia, ecc… E a minha preferida, aquela da formiguinha! Não lembro o nome, mas lembro que era mais ou menos assim:

“Che bel nasin che ha il formiguin! Che brut nason che ha il formigon! E la formiga la va sulla spiga, la prende il grano e poi se ne vá… la và. La và… E la formiga la va sulla spiga, la prende il grano e poi se ne và (…)

Traduzindo: que belo narizinho que tem a formiguinha! Que nariz feio tem o formigão! E a formiga sobe na espiga, pega o grão e vai embora. Lá vai ela, lá vai ela…. E a formiga sobe na espiga, pega o grão e vai embora (…)

Além das canções, foi com ele que aprendi a cantar o Hino Nacional.

Outra coisa que eu gostava muito de fazer era fantasiá-lo. Fantasias, perucas, tudo aquilo que vocês possam imaginar. Nesta brincadeira, minha amiga Liziane era uma grande companheira!

Sabe aquelas amigas que estão “sempre” juntas? Assim éramos nós duas! Quando ela não estava na minha casa, era eu quem estava na dela! E o noninho, vira e mexe, perguntava “de novo” o nome dela. (Com o sobrenome, logicamente). Num desses dias, ela falou: “Liziane Scheer Viapiana”. Repetiu algumas vezes, pois ele dizia: “Hein? Hein?”. Então, num certo momento, ele faz: “Sérvia?” E assim, a partir daquele dia, a “Lizi” passou a ser a “Sérvia”.

Anos depois, ele se apegou também muito à minha amiga Simone, filha da “alemoa”, como ele se referia à sua mãe Teresa, por causa dos cabelos loiros. (Na adolescência, era ela quem ia seguido lá em casa. Eu e a Lizi, tendo ido estudar em escolas diferentes, acabamos nos afastando).

Naquele período, era comum eu ir até a casa da Simone para estudar e acabar ficando pra janta. E ali, na mesa, sempre tinha alguma história do noninho para contar. Sim, ele era um querido, amado por todos!!

Voltando então a alguns episódios da minha infância e adolescência.

Lembro que ele sempre me defendia e eu, obviamente, “me aproveitava” disso. Às vezes a minha mãe me dizia algo, eu resmungava, ele se virava pra ela e dizia. “Por que tu fazes assim com ela?”

Lembro de quando eu tive hepatite e precisei ficar “em isolamento” no quarto. Embora tenham dito para ele que precisava ficar afastado, vira e mexe ele vinha até a porta do quarto “me espiar”, perguntar como eu estava. Uma cena linda de se ver! Ele caminhava devagarinho, e respirava com a boca semi-aberta. Eu escutava os seus passos e o som que fazia enquanto se aproximava “Eh, eh, eh….”.

Lembro que se eu por acaso fosse deitar antes dele, ele ia até o meu quarto, se abaixava pertinho do meu rosto e falava baixinho: “Estás dormindo?” (Geralmente eu estava acordada, mas não abria os olhos, pois aquele seu gesto me divertia)

Falando em diversão: meu nono passava a tarde sentado em uma poltrona, com uma manta no joelho, cochilando ou vendo tv. Caminhava para ir até a cozinha na hora do lanche ou na hora do jantar  de braço com alguém de nós, a passos de “lesma”. Acontece que, às vezes, por um motivo ou outro, todos saíamos, e ele ficava em casa apenas com a Amália que, ao contrário da tia Renée, que passava as tardes sentada ali na sala com ele, muitas vezes fazendo tricô, tinha muitas coisas para fazer. Então, logicamente, não podia ficar ali na sala o fazendo companhia! Pois bem.

Nossa casa é interessante. Ao lado da porta de ingresso, tem uma “faixa”, uma “tira” de vidro, que nos permite enxergar o que está acontecendo do lado de dentro. (Falo no presente porque a casa ainda existe, hoje em dia são meus tios que vivem lá). Temos por hábito”espiar” para dentro antes de abrir a porta para entrar. No tempo do meu nono, aliás, era de praxe “bater na porta, ou melhor, no vidro” para que ele viesse nos abrir. Antes porém de bater, dávamos uma olhada, e… pasmem!! Onde estava o noninho? Em pé, de óculos, lendo as correspondências e as contas que ficavam em cima da prateleira, conferindo as notícias do jornal, etc. Depois, à noitinha, “do nada”, comentava: “Ruben, pagaste aquela conta que vence dia dez?!

Deixávamos passar alguns minutos e  tocavamos a campainha (ou batíamos na porta). Na velocidade da luz, ele se girava ligeiro, ia rapidinho pegar a manta que tinha deixado apoiada na poltrona e vinha abrir a porta, como se tivesse recém levantado. (Não precisa nem dizer que o trajeto”de volta” à sua poltrona demorava o triplo do tempo do trajeto da poltrona até a porta no momento me que ele não sabia de estar sendo observado, não é mesmo?).

Ainda sobre episódios engraçados, existem outros que talvez nem todos achem engraçado, mas eu, tendo-os vivido durante a infância/Pré adolescência, os tenho presente na minha mente de forma leve e divertida.

Certa tarde, a madrinha da minha mãe, dona Maria Viana, tinha vindo lanchar conosco. Estava visita especial merecia, certamente, um lanche especial. Assim, naquela tarde, tínhamos quindins. Pena que quindins, pra quem usa dentadura como o noninho, às vezes podem ser meio “grudentos”. Bom, já dá pra imaginar o que aconteceu, não é mesmo? Sim! O quindim grudou na dentadura!

O noninho, no entanto, acredito que não estava afim de ficar sem saborear aqueles deliciosos quindins. Então, sem exitar, simplesmente tirou a dentadura e “chupou” todo o quindim, ali mesmo, na mesa do café!

Outro episódio engraçado: certa feita, meu tio Paulo, excelente cozinheiro, especialmente em se tratando de peixes e frutos do mar, preparou, dentre outras coisas, lula. Parece, no entanto, que naquele dia, por engano, elas tinham ficado cozidas demais. E quem come lula sabe, se se cozinham demais, tendem a ficar meio borrachudas, tipo chiclete. Ok. Almoçamos, tudo ok. Noninho na sua cadeira /poltrona (Estávamos na praia, mas lá também ele tinha uma poltrona onde ficava sentado!), de repente, do nada, mais ou menos no meio da tarde, observamos que ele começa a mastigar. “O que o senhor está comendo noninho”? Ele abre um pouquinho a boca e, com a língua um pouquinho pra fora, tenta nos mostrar… a lula!!

E quando voltamos da Disney eu e minha mãe, com uma filmadora? Lembro eu filmando na hora do jantar. “Noninho, olha pra lá que a Marian está filmando”! “Fumando??”

E o episódio dele lendo o que estava escrito na camiseta do meu primo? “Sex Pistols!” O que quer dizer? E a minha mãe, na mesma hora: “Seis pistolas”.

Durante alguns anos, usei aparelho móvel nos dentes. Uma manhã, esqueci de colocá-lo e acabei indo para a escola sem. Meu nono, quando foi ao banheiro e viu que o meu aparelho tinha ficado lá, dentro do estojo, exclamou: “Ela esqueceu a dentadura! Ela esqueceu a dentadura”!

Ah, acabei de lembrar de um outro episódio sobre “sinceridade”. Aliás, mais do que sincero, ele era direto.

Eu estava voltando pra casa depois das férias. Na época, eu tinha um canarinho. Quando cheguei em casa, meu tio, minha tia, a Amália, todos me diziam: “Tudo bem? Como foram as férias?”. “Nossa, como estás bronzeada”, etc, etc, etc. Ele, o nono, me olha e me diz: “O passarinho morreu!” É, decididamente, #noninhosincero!

O noninho tinha o dedo indicador da mão direita torto. O motivo? Tinha tentado abrir uma garrafa com um canivete, que escorregou e acabou cortando o nervo.

O noninho tinha vivido histórias trágicas. Além da perda da esposa em um modo tão inesperado e brutal, tinha vivido em família um episódio que parecia saído de um daqueles filmes dramáticos ou tipo thriler. Esta história, aliás, que ele me contou mais de uma vez, eu imaginava tivesse acontecido quando ele ainda era criança. Hoje, no entanto, tendo em mãos a fotografia onde ele aparece com todos os irmãos, me dou conta de que o fato se deu quando ele já estava casado e que, ao contrário do que eu sempre pensei, ele não presenciou o acontecido pessoalmente, mas ficou sabendo a partir do que lhe foi relatado, provavelmente pelos irmãos. (Pelo menos eu acho). Vamos à história:

“Certo dia, seu irmão Antonio queria sair, mas seu pai não tinha permitido. (Não sei detalhes). Ele era o filho mais novo e provavelmente também o mais rebelde. É interessante observar, aliás, que na fotografia dos irmãos, cuja cópia tenho aqui comigo, ele é o único que parece estar “segurando uma risada”. Bom, ele resolveu sair de qualquer jeito, escondido do pai. Combinou então com o seu irmão Sétimo que, ao retornar, bateria de leve na janela, e este lhe abriria a porta. Só que o Sétimo acabou pegando no sono e não escutou quando o irmão bateu. Seu pai, no entanto, despertou com o barulho de alguém tentando entrar em casa. Seguro de que os filhos estavam todos dormindo, pensou que fosse um ladrão. Sem pensar duas vezes, pegou a arma que possuía e disparou, matando o próprio filho. Iria então passar o resto da vida repleto de culpa e remorso, embora pareça que, de uma forma ou outra, “aprendeu” a conviver com isso, pois as lembranças que a minha mãe tem dele são de um nono, acima de tudo, muito brincalhão). Sétimo, o irmão que “pegou no sono”, acabou enlouquecedo e falecendo jovem, em um sanatório.

Não conheço nenhuma história da “mãe” do nono, nem sei se nesta época ela ainda vivia. Dos seus irmãos e irmãs, talvez eu tenha conhecido o Joanin, mas não tenho certeza. Lembro sim muito bem da “tia” Luisa, que morava em uma pequena casa de madeira e que, inverno ou verão, tinha sempre o fogão à lenha aceso, pois preparava sempre pessegadas, uvada, marmelada. Aliás, era famosa por preparar pessegada sem tirar os caroços, porque “davam mais sabor”. Lembro que quando íamos visitá-la eu pedia sempre para ficar no pátio, de tão quente que era dentro de casa. Também lembro do “tio” Arlindo, que ia seguido lá em casa visitar o noninho. Ele também, um querido! E agora, olhando esta foto, ele com a mão apoiada no braço do noninho, vejo o quanto, desde sempre, eles eram unidos!

Voltando ao noninho, o interessante é que lembro de episódios relativamente banais, como a vez em que ele se cortou com uma bomboneira de vidro e o sangue não parava de jorrar. (Fui eu quem fiz o curativo depois), ou a vez em que duas senhoras testemunhas de Jeová tocaram a campainha e ele abriu e depois não iam mais embora, e começaram a assustá-lo falando coisas sem nexo sobre o “Fim do Mundo”. Lembro que eu era ainda criança e as “enfrentei”, dizendo que a gente não acreditava em nada daquilo e etc,etc,etc…

Como já deve ter dado para perceber, eu era muito, muito apegada a ele.  Com o pasar do tempo, aquela criança que inicialmente tinha “medo” do seu nono, passava grande parte do seu dia a beijá-lo e abraçá-lo!

Não tendo sofrido nenhuma “perda” direta, já que meu pai tinha desencarnado antes do meu nascimento, muitas vezes me pegava pensando: como será quando ele falecer?

Aquele tinha sido um dia como outro qualquer. À noitinha, como era de praxe, ele começou a repetir: “Eu vou deitar. Eu vou deitar”. E a gente respondia: “é cedo ainda, espera mais um pouquinho!”. E ele insistindo. Até que eu olho pra ele e digo: “é cedo ainda nono, come uma bala!” “Posso comer uma bala?”, ele perguntou. Eu, naquele momento, jamais poderia ter imaginado que aquelas teriam sido as últimas palavras que eu o teria ouvido pronunciar.

Na manhã seguinte, como de praxe, minha tia levou o café da manhã para ele. Ele comeu e depois voltou pra cama, como sempre fazia. Mais tarde, ao ir chamá-lo para se levantar, minha tia o encontrou caído ao lado da cama. Um derrame atingira o seu corpo, deixando-o paralisado de uma lado e impedindo-o de falar. Foi assim que, por alguns meses, a “vida” da sala se transferiu para o quarto dele. Um sofá, a tv, e ele era cuidado, alimentado. Nunca lhe faltou nada, muito menos afeto. Minha tia acabou se transferindo pra a nossa casa, para ajudar a cuidá-lo. Era final de fevereiro de 1994. Lembro do modo como ele nos olhava. A gente percebia que ele compreendia, embora não pudesse se comunicar! E foi em uma madrugada de final de abril que ele veio a desencarnar.

Lembro que tínhamos pego uma enfermeira para passar as noites com ele, porque a minha tia também precisava descansar. Naquela noite, ela me falou: “Teu avozinho não está bem”, ao que eu respondi: “Eu sei, eu percebi”. E naquela mesma noite eu sonhei. Não, não foi com ele que eu sonhei. Sonhei que eu estava na escola contando que ele tinha falecido. Muito provavalmente, enquanto eu contava no sonho, ele, na “vida real”, se desligava do seu corpo físico.

Eu não assiti ao seu desencarne, mas deve ter sido um momento lindíssimo.

Como assim, o momento da morte ser lindo?

Minha tia há tempos o apelidara de “passarinho”, pois, além de mais magro, o fato de ficar sem usar a dentadura, que obviamente não era mais necessária, fazia com que seus lábios ficassem quase sempre em”biquinho”, exatamente como o bico de um passarinho.

Minha tia há tempos o apelidara de “passarinho”, pois, além de mais magro, o fato de ficar sem usar a dentadura, que obviamente não era mais necessária, fazia com que seus lábios ficassem quase sempre em”biquinho”, exatamente como o bico de um passarinho.

Naquela noite, ao perceberem que ele tinha piorado (respiração acelerada, taquicardia, essas coisas), minha mãe telefonou para as minhas outras tias, que, na época, tinham voltado a morar em Caxias. Minha mãe, a tia Renée e o tio Ruben já estavam lá. Assim, se dirigiram todas lá pra casa, acompanhadas pelos maridos: tia Lourdes com o tio Chico, tia Marlene com o tio Pedrinho e tia Mary com o tio Paulo. Em um certo momento, ele pareceu dar uma melhorada (a famosa melhora da morte?) e as tias disseram para os maridos que podiam voltar para casa. Ele ficou, então, rodeado pelos seus 6 filhos.

Minha família sempre foi muito unida e um sempre respeitou as escolhas do outro. Temos todos uma fé inabalável, mas cada um de nós tem a sua. Assim, naquela noite, o que se observou ali foi um momento de sincretismo religioso excepcional. Eu infelizmente não presenciei a cena, mas deve ter sido algo assim: tia Mary, rezando, não sei se com o terço ou não, mas isso não faz diferença. Pai Nosso, Ave Maria… Tia Marlene rezando a Sutra da Seicho-no-ie, “Chuva de néctar da Verdade”. Tia Lourdes mentalizando o “OM” do Yoga, minha mãe provavelmente fazendo uma impostação de mãos, dando um passe, transmitindo energia. O Bibi ali, observando. A respiração do noninho, inicialmente agitada, foi aos pouquinhos enfraquecendo até que, a tia Renée, inspirada certamente por algum mentor do Plano Espiritual, falou: “Voa, passarinho! Vai ser livre!”. Ele então deu um suspiro e desencarnou. Desencarnou com uma expressão de tranquilidade e paz. Parece que estava só esperando aquela “autorização”, aquele: “Pode ir, a gente vai ficar bem!”.

Acordei com o barulho das gavetas abrindo e fechando. “Uma gravata, onde é que tem uma gravata?”. Nem precisaram me dizer que ele tinha falecido. Eu já sabia.

Naquele dia fui à escola normalmente. Estava indecisa se comparecer ou não ao velório. Minha mãe me deixou livre: “Tu que sabes filha, faz o que o teu coração mandar”. E um certo momento, porém, tomei a decisão. Fui até a secretaria da escola e pedi para ir para casa.

Obviamente, o coordenador me perguntou se eu tinha autorização para sair escrita na agenda. Não, eu não tinha. “Não, eu não tenho, mas é que meu avô faleceu e eu queria ir no velório”. Fui liberada na hora.

O “clima” no velório do noninho era de tanta paz, tanta harmonia, que um menininho de rua entrou nas capelas, sentou em uma das cadeiras e comentou: “Que estranho este enterro, ninguém chora”!!

Pois é. Emoção sim, muita. Choro desesperado, não. Afinal, ele estava bem, em paz. Todos estávamos em paz.

Depois daquele dia, eu iria sonhar com ele muitas e muitas vezes, por muitos e muitos anos. Tenho quase certeza de que não eram simples sonhos, mas que eram sim verdadeiros encontros. Tudo indica que, ligados como sempre fomos, eu, durante o sono, ia em espírito até o plano espiritual em que ele se encontrava. Nunca, após estes encontros/sonhos, acordei triste, nostálgica ou com alguma sensação ruim. Muito antes pelo contrário! Acordava tão bem, tão tranquila, que às vezes precisava até de uns minutos para parar e me dar conta de que… ele tinha MESMO desencarnado! Ele não estava mais aqui!

Agora, faz tempo que não sonho com ele. Quem sabe é porque ele já reencarnou! Ou, quem sabe, uma hora voltaremos a nos encontrar!

Ah, antes de falar como eu imagino que tenha sido o seu “reingresso” no Mundo Espiritual, deixa eu contar uma outra história de quando ele era jovem.

Este episódio ocorreu há muito tempo, quando meu nono e minha nona ainda eram namorados/ noivos. Ela morava na periferia da cidade, em um bairro chamado Galópolis. Meu nono ia até a sua casa, ou melhor, a casa de seus pais, à cavalo. Se vestia todo “chique”, “fatiota” (terno) branca, chapéu. Um dia, exatamente quando estava atravessando uma ponte, o cavalo se assustou. Lá se foram pra dentro do rio cavalo e cavaleiro! E ele foi, mesmo assim, encontrar a noiva! Agora, tentem imaginar a cena: Ao invés de um rapaz todo elegante, vestido de branco, ela se depara com um rapaz todo embarrado!

Para encerrar, gostaria de falar um pouquinho mais sobre o “desencarne” do meu nono, ou melhor, o que fez com que eu encarasse tudo em um modo, por assim dizer, sereno e tranquilo. (Esta parte da história, ao contrário de todo o resto, não pode ser comprovada. Isto não significa, no entanto, que seja menos real).

Então. Certamente ter sido criada dentro da Doutrina Espírita e acreditar, em palavras simples, na “vida após a morte” me ajudou e muito. Ao mesmo tempo em que eu pensava: “como será sem a presença dele perto de mim”, eu também pensava: “puxa, mas seus pais já faleceram; TODOS os seus irmãos, os 8 irmãos já faleceram, sua esposa faleceu. Só “sobrou” ele! Sim, tem seus filhos, seus netos, mas todos já estão crescidos, criados, vivendo as próprias vidas! Não seria egoísmo da parte minha não querer que ele partisse?”

Lembro que um dia, ainda criança, comecei a pensar sobre a morte, ou melhor, a desencarnação. Cheguei à conclusão que era como se aquela pessoa fosse viajar, ou melhor, se mudasse para um lugar bem longe, onde não tinham telefone. Além disso, por ser um lugar mais afastado, o Correio não chegava até lá. Assim, eles não podiam dar notícias, mas sabíamos que estavam bem. (Mal sabia eu que as notícias chegariam, na forma de sonhos, psicografias ou intuiçoes).

Eu sempre imaginei o reingresso do meu nono no Mundo Espiritual com uma cena assim: ele retornando ao seu aspecto jovem, sendo recebido de braços abertos pela minha nona, seu grande amor. Cheguei até a imaginar ela lhe oferecendo, depois de um abraço caloroso, um lindo pedaço de torta! (Plasmado, logicamente). Para quem não sabe, “plasmar” é a ação pela qual os espíritos dão forma à matéria sutil, reproduzindo objetos, comidas, etc).

Agora, com duas fotografias suas aqui na minha frente, uma no seu casamento e outra ele ainda mais jovem, junto à todos os seus irmãos, imagino que ele tenha escolhido ficar exatamente daquela forma. Vejo suas irmas e seu irmão mais velho o abraçando, seu outro irmão lhe batendo nas costas e os 4 menores, felizes, fazendo festa e dançando ao seu redor. Todos alegres, brincando, sorrindo, matando uma saudade cujo tempo não apaga.

O regresso, muitos anos depois, de uma das suas amadas filhas ao plano espiritual, também deve ter sido algo parecido. Exemplo de bondade, caridade e amor incondicional, tenho certeza de que a tia Mary foi recebida por ele e pela nona com todo o amor do mundo!

Às vezes penso que de repente ele até já reencarnou. Quem sabe? Tudo é possível!

Na sua passagem por aqui e nos anos que pudermos conviver, ele deixou um legado muito especial. Jamais esquecerei das coisas que vivi com ele. Das minhas “aventuras”, das brincadeiras e, especialmente, daquilo que ficará para sempre nas memórias do meu coração. O nono, nosso amado noninho, segue presente na minha vida, sempre. Não deu para ele conhecer o meu amado marido (pelo menos não aqui, na Terra), mas quem sabe eles já não andaram se cruzando em Universos afins!

Marian Festugato de Souza

P.S: uma nossa amica muito querida me fez lembrar de uma outra sua  particularidade: quando ele falava no v telefone, com minhas tias, primos, amigos, etc, ele dizia sempre: “Pronto! Com’è la!” E, logo depois, provavelmente  respondendo à  pergunta: “Tudo bem, como estás?” dizia SEMPRE: “Vamos indo!”

 

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Giorno dell’Indio

20 abr

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19 aprile. Oggi è il giorno degli indios.

Ricordo di quando ero bambina e a scuola facevamo dei festeggiamenti. Niente di molto importante, se paragonato alle celebrazioni riservate alla Settimana della Patria o alla Proclamazione della Repubblica, per esempio. In realtà, nient’altro che qualche storia o  canzone, un travestimento, qualche gioco.

 All’epoca, non mi sono mai posta  delle domande a riguardo, nemmeno domande riguardanti le priorità. Nei banchi di scuola, abbiamo imparato poco sui veri proprietari della nostra terra. Abbiamo saputo solo che “si sono lasciati ingannare” dalle “porcherie” “donate” dagli europei e che sono stati “catechizzati” per che le anime potessero essere salvate.

Ehi, aspetta un minuto … che senso ha? Perché le credenze dei conquistatori europei (o sarebbe essere meglio chiamarli esploratori?) dovrebbe avere più valore? Perché Dio è migliore di Tupã, perché il consiglio del Padre ha più valore di quello dello sciamano?

Se Dio è Onnipotente, Onnisciente e Onnipresente, penso che per Lui il modo in cui è chiamato non faccia alcuna differenza. I nostri atteggiamenti invece sì. Quindi torniamo all’argomento principale di questo post, il Giorno degli Indiani.

Non so se il fatto di avere un giorno apposta per essere ricordati sia un aspetto positivo o negativo. Forse entrambi. Sarebbe meglio se non avessimo bisogno di avere un giorno per ricordare coloro che occupavano le terre d’America prima dell’arrivo degli europei. Tuttavia, poiché abbiamo una memoria selettiva, la data finisce per diventare necessaria.

Tornando ai tempi di scuola (intendo quando ero ancora alle elementari), ricordo un “costume”, o meglio, una gonnelina e un top fatti con delle piume giallo- arancioni. Era bellissimo! Ricordo quella canzone: A-uni-cuniti- a -uni. A-uni-cuniti- a-uni. Ai, ai, ai, ipiai, caiene. Aúúúú… .. Aúúúú…. O quella in inglese: One, little two, little three litlle indians… Ricordo anche alcune leggende del nostro folklore e quanto quelle storie mi affascinassero.

Sono italo-brasiliana. 75% di origine europea. Quelli 25% rimanenti, tuttavia, indicano che un po’di sangue indigeno scorre nelle mie vene.

Sembra che mio nonno fosse “bugre”. Per chi non lo sapesse, “bugre” è come venivano chiamati i figli di donne indiane con uomini bianchi, cioè europei. Mi ricordo tantissimo di lui, era di una dolcezza unica. Con la storia della partenza precoce di mio papà, tuttavia, la mia convivenza con i miei nonni paterni è stata molto inferiore riguardo a quella che ho avuto con mio nonno materno, che ha persino vissuto con noi (o eravamo noi quelli che hanno vissuto con lui?) per tanti anni.

Ricordo che andavamo a casa dei miei nonni paterni alle domeniche (non tutte) e in alcuni altri giorni sparsi. Di solito restavamo in cucina (mia nonna era una pasticciera e aveva sempre delle torte e dolcetti da offrire). Non ricordo molto di ciò di cui parlavamo, ma ricordo che mia nonna (e le mie zie) erano più estroverse, “loquaci” come si suol dire, mentre mio nonno era più timido, tranquillo. Spesso lo  trovavo a prendersi cura dei fiori nel piccolo giardino e mi ricordo anche di lui seduto su una poltrona in cucina, più che a parlare, a sorridere e osservare.

Oggi mi rendo conto di quanto poco so della storia familiare di mio padre. Forse perché, trascorrendo molto tempo insieme, mio ​​nonno materno non aveva solo più tempo, ma forse un certo bisogno di raccontare storie della sua vita, forse in modo che quei ricordi non svanissero. Forse perché quando io e mia madre andavamo a trovare la famiglia di mio padre, mia nonna e mie zie passavano così tanto tempo a schiacciarmi le guance e cercare di capire perché non amassi quei dolci fatti con tanto affetto (sono sempre stata più “fan” dei salati), che alla fine finivamo per parlare di cose più “banali”, o forse non banali, ma più “attuali”. Per non parlare del fatto che molte volte, a seconda di chi era presente, solo la mia presenza era causa di così tanta emozione che alcuni parenti, per alcuni istanti, con gli occhi pieni di lacrime, restavano semplicemente senza parole. “Sei il ritratto di tuo padre”, dicevano. E quando dicevo qualcosa di intelligente o ironico, ecco. Era l’ultima goccia. Il fatto è che non so praticamente nulla della storia da questa parte della mia famiglia.

Qualche mese fa, pensando di iniziare a mettere su carta alcuni ricordi e rapporti di famiglia, ho persino chiesto al nostro gruppo familiare di Whatsapp se le mie zie potevano raccontarmi  alcuna storia, qualche ricordo, qualcosa di interessante, bello, divertente. Ma non ho avuto risposta.

È stata mia madre a raccontarmi che mio nonno Vercedino era un “bugre”. (Ed era di Vacaria). Figlio di un uomo bianco (leggi: europeo) con una donna india. Quindi, ho una bisnonna india!

Un’altra storia raccontata da mia madre è che all’inizio i genitori di mia nonna paterna, italiani, erano contrari alla sua storia d’amore con quell’uomo dalla pelle più scura, proveniente dalla campagna. Uomo semplice, onesto, lavoratore. Purtroppo, il mix di razze da sempre continua a suscitare pregiudizi (preconcetti) e discriminazioni. Mia madre dice che mia nonna non si è mai arresa e ha combattuto per lui. Non so se abbia mai lasciato la casa o se avesse appena minacciato di scappare. So solo che il fidanzamento è stata accettato, hanno finito per sposarsi e derano origine ad una famiglia che è un pezzo di me. (Ah, come vorrei avere maggiori dettagli di questa storia!)

Sempre sugli indios. Ha voluto il destino che, anni dopo, mia madre finisse per partecipare ad alcuni incontri di sciamanesimo e finisse per diventare molto, molto amica di uno sciamano di una tribù del Alagoas, chiamata Kariris-Xoko. (Più tardi, ho saputo che questo “Leader spirituale”, come è noto nella sua tribù, guida (e sostiene) gruppi di diverse tribù: Kariri, Xokó, Funi-O. Ed è stato attraverso di lui, o meglio, attraverso mia madre, che ho saputo che nei villaggi non tutti possono uscire per andare in città: quelli che escono, per vendere degli artigianati o  dare dei corsi, come nel caso del Maestro Thydio, lo fanno con l’obbietivo di guadagnarsi da vivere non solo per se stessi e la propria famiglia , ma per tutti i membri della tribù. Cioè, il collettivo va oltre l’individuale.

La mia pelle chiara che però si abbronza facilmente e i miei capelli scuri, forse possono rappresentare un po ‘dell’india che abita in me. Gli occhi chiari, quel “qualcosa” di europeo. Tuttavia, forse ciò che rappresenta maggiormente “l’india che vive in me” non riguarda l’aspetto fisico, ma l’emozione. L’emozione che provo quando sento l’odore della terra bagnata, l’emozione e il luccichio nei miei occhi davanti al sacro di un fuoco, la passione per i delfini, il gusto di ascoltare i suoni della natura. Il canto degli uccelli, il rumore del mare.

Il Giorno degli Indiani è molto vicino al Giorno di Tiradentes, uno dei martiri per l’indipendenza del Brasile. Con la differenza, tuttavia, che il giorno di Tiradentes è una festa nazionale. Questo però non ha a che fare con l’argomento di questo testo, è solo un’informazione in più.

Ritornando al mio “essere india” anche senza esserlo, è sorprendente come il mondo spirituale lavora per far sì che le cose accadino, le persone si incontrino, le storie possano essere vissute e rivissute. Chi avrebbe detto che un giorno mia madre avrebbe conosciuto un “vero indio” e, soprattutto, uno sciamano!

In una delle prime volte in cui mio marito (all’epoca mio fidanzato) è andato in Brasile, questo indio era proprio in città e, guarda caso, abbiamo avuto il privilegio di far benedire la nostra unione. Non c’è stato niente di “pazzo” o strano. Egli ci ha semplicemente dato un “passe” e ci ha chiesto di ripetere ciò che diceva. Era una preghiera, con parole come amore, stare insieme, gioia, pace, salute…

Parlando di storie che si ripetono, ma in un altro modo: mia nonna era disposta a lasciarsi tutto alle spalle per andare con mio nonno. Molti anni dopo, sono stata io a fare un passo simile. Con la differenza, tuttavia, che non ho dovuto affrontare nulla tranne le ore di volo che separano i due continenti. Se ci penso, è un dato di fatto, entrando sempre nell’argomento “storie di famiglia”, che ho fatto il viaggio che, in passato, era stato fatto dai miei bisnonni, ma in senso inverso e, naturalmente, senza le difficoltà e le sofferenze di quel tempo. Questo, tuttavia, è oggetto di un altro testo.

La presenza di sangue indio in me è emersa ancora di più quando, nel 2018, abbiamo tenuto una cerimonia sciamanica per il nostro matrimonio. In effetti, non abbiamo fatto mancare nulla! Teoricamente, ci siamo sposati 3 volte. Matrimonio civile, benedizione religiosa e matrimonio sciamanico. Non ci è mancato amore o protezione!

Confesso che tutte le cerimonie sono state bellissime e indimenticabili, ma nessuna mi ha causato così tanta emozione come la cerimonia sciamanica. Sebbene mia madre abbia preso parte attiva alla celebrazione, non credo che questo sia stato il motivo principale. L’energia e la vibrazione durante le canzoni, le persone che formano un cerchio non separato, ma INSIEME a noi e le incredibili immagini che il fuoco acceso per il rituale formava, parlavano da sole. Molte di quelle immagini, infatti, mi sono resa conto solo guardando, alcuni mesi dopo, delle fotografie. Quella cerimonia fu così, ma così forte, così toccante, che rabbrividisco al pensiero. Le promesse che ci siamo scambiati, la giornata perfetta, l’armonia tra la fine della cerimonia e il rintocco dell’orologio. La sensazione non era quella di una ragazza bianca (che sono) cha fa un rito per mostrarsi al marito europeo. Quello che ho sentito è difficile da descrivere. In quel momento, ho sentito la presenza dei miei antenati ed ero sicura che, sebbene in una percentuale molto piccola, faccio veramente parte di tutto questo, sono anch’io una con il mondo, con la natura, con tutto ciò che viene da Dio.

Quindi, tornando al giorno degli indios. Io me lo ricordo sempre, ma quest’anno in particolare, “contaminata” dalla situazione attuale, la data si è fatta ancora più presente in me. Osservando i cambiamenti verificatisi in natura negli ultimi mesi, non ho potuto fare a meno di pensare a quanto il popolo indigena, così spesso considerato inferiore, sia in realtà un popolo molto più evoluto di quanto possiamo immaginare. Che la vera intelligenza, la vera evoluzione, la vera saggezza, non è quella che sa gestire meglio il denaro, che in realtà è un’invenzione dell’uomo. Non è quella che sfrutta le risorse che vengono offerte fino al limite massimo. La vera saggezza è saper usare ciò che ci viene offerto (dalla natura,  dagli animali, dagli altri) con equilibrio e moderazione.

Guardate bene, non sto parlando di cose come diventare vegetariano o trasferirsi in mezzo al bosco o alla foresta. Sto parlando di imparare a convivere con ciò che è necessario. Sto parlando di valorizzare la saggezza che esiste nella semplicità. Di sfruttare la tecnologia che abbiamo il privilegio di possedere per portare la pace, la conoscenza, per propiziare incontri, fare riunioni. Ora, tornando a parlare in modo specifico della natura: in questi mesi di isolamento, l’inquinamento è diminuito, l’aria è tornata ad essere buona da respirare, gli uccelli hanno tornato a cantare. Animali selvaggi sono stati visti a passeggiare per la città, tranquilli, come se gli fosse stato detto: ok, potete vincere la paura, il mondo è di nuovo vostro. Mamme di anatre in giro con i loro anatroccoli, piccoli cervi che camminano in centro, cicogne e pappagalli che volano qui vicino a casa. Alcune scene che possono persino sembrare bizzarre. Scene che, forse, se avessimo imparato (con gli indiani) a vivere in armonia con tutti gli esseri della natura, potrebbero non essere così strane. In effetti, forse se fossimo stati meno ambiziosi e meno individualisti, la natura stessa ci avrebbe aiutati a combattere questa che, magari, non sarebbe nemmeno diventata una pandemia così grave. Attenti a ciò che sto dicendo: non sto parlando che il virus non sarebbe esistito. Egli fa parte della natura, dell’evoluzione stessa. Tuttavia, sono convinta che se fossimo stati meno egoisti e più grati (con la natura, con gli animali e soprattutto l’uno con l’altro), oggi non saremmo in questa situazione. Una situazione di paura, insicurezza, incertezze riguardo al futuro.

Sembra che questa sia una chiamata dalla Madre Terra, per tornare alle nostre origini. Chiedendoci di purificarci, perché essa sta cercando di fare lo stesso. Forse è tempo di prendere quel vecchio libro di Storia e chiederci: gli indiani, come affrontavano le calamità, le tempeste, le avversità? Soprattutto, credo, con accettazione e gratitudine. Ad ogni tempesta, una lezione.

Oggi, 19 aprile, giorno degli indios, è un giorno per pensarli con gratitudine. E  di ripensare il modo in cui conduciamo le nostre vite. Le nostre priorità, sogni, valori e ambizioni. E io, Marian (Festugato) de Souza, cercherò di andare alla ricerca di maggiori dettagli sulla mia storia, sulla storia della mia vita, sulle mie origini indigene che, mescolate con le mie parti europee, mi hanno fatto essere esattamente quello che sono: un persona, soprattutto, felice.

Per concludere, due piccole letture, senza grandi rituali di preparazione: ora pescerò 2 carte: una, una carta sciamanica, che mi darà un “Animale di Potere”, la cui energia è presente in questo momento in cui scrivo queste parole. L’altra, una carta del Sentiero Sacro, che mi mostrerà la strada da scoprire d’ora in avanti. Eccoci:

Scheda 24: la Cornacchia. (Veramente, esistono coincidenze. La cornacchia è un animale molto presente qui! Ieri, due di loro stavano facendo delle “lunghe chiacchierate”, uno su un’antenna dell’edificio di fronte, l’altra letteralmente sopra le nostre teste). Bene, andiamo a vedere cosa questa carta rappresenta:

 “La cornacchia è un presagio di cambiamento. La cornacchia vive nel vuoto e non è soggetta alle leggi del tempo. I vecchi capi ci hanno avvertito che la cornacchia è in grado di sperimentare simultaneamente le tre dimensioni temporali: passato, presente e futuro. La cornacchia unisce la luce e l’oscurità, percependo sia la realtà interna che quella esterna.”

“Se hai preso la carta della cornacchia,è un segno che dovresti fermarti e riflettere su come vedi il rapporto tra le leggi dell’umanità e le Leggi del Grande Spirito. L’energia della cornacchia ci offre una nozione di ciò che è giusto o sbagliato di gran lunga superiore a quello stabilito dalle convenzioni umane. Se usi l’energia della cornacchia, la tua voce sarà forte nel suggerire soluzioni per ciò che è sbilanciato, disarmonico, irragionevole o ingiusto”. (…)

“Quando permetterai alla tua integrità personale di essere la tua unica guida, il tuo senso di isolamento svanirrà e il tuo potere personale emergerà, per darti forza, coraggio e determinazione a lottare per la tua verità. La prima regola a cui le persone del totem della cornacchia devono obbedire è qella di essere fedeli alle proprie convinzioni personali. (…)

“Difendere la sua verità, cercando di bilanciare passato, presente e futuro nell’adesso. Aiutare a costruire un mondo di pace”.

Scheda 10: Scudo dell’Ovest (introspezione / obiettivi): già il titolo mi fa pensare: incredibile! Stiamo giustamente vivendo un periodo in cui, isolati a casa, siamo automaticamente portati ad essere più introspettivi. O no? Quindi vediamo cosa ci dice questa carta:

“Scudo dell’Ovest, il potere delle donne alla ricerca di risposte.

Luogo della caverna dell’orso femmina, luce ad ovest del Nonno Sole.

L’orizzonte di domani mi darà nuove forze

Per raggiungere i miei obiettivi.

“Capacità di esercitare l’interiorizzazione e l’introspezione. Energia femminile, più ricettiva. “L’utero della donna è il luogo in cui tutte le idee, come i bambini, vengono alimentate e nascono”. > In passato eravamo la generazione futura in relazione ai nostri genitori. Tutto ciò che il futuro riserva è sempre a Ovest, il luogo delle nostre albe. Il posto dove “guardare dentro”(…)

“Quando capiremo che lo spirito di tutte le altre forme di vita vive all’interno dei nostri corpi (cioè che siamo UNO con l’Universo), inizieremo a capire che possiamo guardare dentro, alla ricerca di tutte le risposte”. 

“Le nostre cellule, all’interno dei nostri corpi terreni, custodiscono il ricordo di tutto ciò che è già accaduto. Le risposte sono contenute nel potenziale di conoscenza del nostro spirito”.

 Quindi andiamo all’applicazione:

“Se lo scudo dell’ovest è apparso nella sua sequenza, l’orso femmina ti sta chiedendo di osservare i tuoi obiettivi attuali e capire come influenzeranno il tuo futuro. 

Le risposte che cerchi appartengono al tuo mondo interiore? Altrimenti, potrebbe essere un buon momento per entrare nel silenzio e digerire le domande, in modo che le proprie risposte individuali possano iniziare a emergere. 

La femmina dell’orso ci ricorda anche che lo scudo del Sud è il posto di tutti i domani. Se hai ancora paura dell’ignoto, potrebbe essere  arrivato il momento di dissipare tutte le paure. 

Il coraggio di raggiungere questa chiarezza interiore è la più grande cura che la femmina dell’orso può offrirti. Chiama la femmina dell’orso e riempiti di coraggio, con la finalità di aprirti a cose nuove nella tua vita. 

Come risposta a qualsiasi domanda, lo scudo dell’ovest parla della capacità di raggiungere i nostri obiettivi e del pieno riconoscimento delle nostre forze interiori. 

Lo scudo dell’ovest sottolinea il potere di scoprire e conoscere le nostre risposte. Ricorda che le opinioni degli altri finiscono per mescolarsi con i nostri stessi dubbi, diventando limitazioni, ogni volta che ci dimentichiamo di entrare nel nostro proprio silenzio.

Concludo qui, desiderando che questo testo sia visto come un’opportunità di riflessione.

Marian de Souza.