Relatos de uma vida: Agradecimentos

8 abr

Não podia concluir estes relatos/textos, mistura de fantasia e realidade, sem agradecer. Então, aí vai:

Agradecimentos

Escrever, para mim, sempre foi como uma terapia, antes mesmo que eu me desse conta, talvez, antes mesmo que eu mesma aprendesse a escrever. Textos e rascunhos espalhados por tudo, em velhas agendas, em disquetes que não funcionam mais, em cadernos rasgados perdidos por aí, em bilhetes que sabe-se lá onde foram parar.
Sendo este um livro (ou uma espécie de livro), eu deveria agradecer especialmente àqueles que sempre me incentivaram, minha família, meus professores, minhas amigas, enfim. E à todos eles eu digo, sim, muito obrigada, e não cito nomes, para não correr o risco de deixar alguém de fora.
Agradeço também aos meus pacientes, de ontem, de hoje e de amanhã. Sendo eu uma pessoa para quem o tempo é algo extremamente relativo, me autorizo a agradecer, também, por coisas ainda vindouras.
Acima de tudo, porém, agradeço à Deus, e à todos os espíritos de luz que me circundam, encarnados e desencarnados. Agradeço a cada ser que passou pela minha vida, tantas vezes de forma despercebida, numa simples troca de olhares, num bate-papo teoricamente sem sentido na parada de ônibus, enfim. Porque, afinal, tudo é interligado, e até aquela conversa meio sem sentido teve o seu porquê.
Agradeço, especialmente, por tantos privilégios que me foram concedidos. Por, em uma existência onde vejo tantos espíritos sofredores, a minha dor, quando aparece, ser sempre tão pequena e insignificante. Agradeço por este meu modo otimista de ser e por a vida ter me ensinado a encará-la de forma leve e feliz.
Agradeço pelos momentos de dificuldade e pelo modo como estas aparecem na minha vida, geralmente acompanhadas de coisas positivas. Ou talvez seja simplesmente o meu jeito de enxergar, mas não importa.
Bem, acho que é isto. Espero que tenham gostado desta leitura, uma história meio autobiográfica, meio imaginária, onde a linha que separa estes dois mundos é tão sutil que eles se confundem, se unem, se misturam.

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Relatos de uma vida (Parte 16: Considerações finais, ou: mas tem que ter um final?)

8 abr

Duas são as coisas mais difíceis quando se escreve uma história: escolher um título e elaborar um final. Em se tratando de um livro como este, onde real e imaginário se misturam, onde a personagem, encarando uma terceira pessoa, faz também as vezes de narrador, uma obra onde vida e morte, início e fim estão intimamente ligadas, esta missão é ainda mais complicada.
Sim, a vida é eterna, mas é dividida em etapas, em existências, assim como um livro é dividido em capítulos. Por que o fazemos? Especialmente, para melhor entendimento, para melhor compreensão. Ops… mas isto se refere à vida ou ao livro?
Aos dois! Deste ponto de vista, a diferença é que em um livro chega o momento em que precisamos necessariamente colocar um ponto final. Porque um livro pode ser eterno na medida em que passa de mão em mão, atravessando gerações, mas a história que conta, como toda boa história que se preza, precisa de personagens, de um bom enredo e de um início, um meio e um final. E a vida?
Enquanto espíritos encarnados, especialmente se acreditamos na existência de um “Bem Maior”, e na continuidade da vida, o fato de não termos lembranças de vidas anteriores, pode nos fazer pensar em cada existência como um novo livro, onde os capítulos, de acordo com as nossas escolhas, podem ser divididos em anos, momentos, fases. No entanto, ao reingressarmos ao Mundo Espiritual, nos damos conta de que, na verdade, o Livro não apenas é único, com cada existência correspondendo a um capítulo, mas, acima de tudo, que ele é apenas um pequeno volume na Grande Coleção do criador.
E a nossa história, como irá terminar? Ninguém conhece exatamente o final, mas todos sabem que, visto a inexistência do acaso, acontecerá exatamente o que tem que acontecer e, diante de tudo isto, fica a certeza de que a felicidade poder ser construída e conquistada dia após dia, e que a vida vale muito, muito a pena ser vivida!

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Relatos de uma vida (Parte 15: Saudades)

16 mar

Capítulo XV: Saudade

Pensando a respeito de pessoas, fatos e histórias, ela questionava: “A gente pode sentir saudades do que não viveu”? E afinal, quem disse que o real é mesmo real? Quem garante que os sonhos não são a realidade, e a realidade não passa de um grande sonho? TUDO é real, pois é tudo percebido, vivido ,sentido. Quando “embarcamos” no mundo dos sonhos, seja através do sono, seja através do nosso pensamento, aquele passa a ser real. E a sensação que temos ao acordar de ter vivido aqueles momentos?
E, de repente, de tanto ouvirmos histórias, de tanto nos contarem coisas interessantes, é como se a gente “introjetasse” tais informações e passássemos a nos sentirmos, nos comportarmos de acordo com isto. Quase um mecanismo de identificação projetiva! Mas não é só isso.
Embora não se desse conta (pelo menos não de modo consciente), ela seguia buscando, especialmente durante os momentos em que seu corpo carnal descansava, orientações a respeito da vida, da sua caminhada, das coisas passadas e das coisas vindouras. E, na medida em que crescia, sentia ainda mais forte a presença de espíritos afins os quais, na presente encarnação, não havia sequer encontrado. Como pode isto? Seria obra da sua fértil imaginação? Também. Mas até esta tem uma razão de ser.
Os espíritos familiares ou “espíritos afins”, são espíritos que estão unidos através da energia que emanam, da vibração, das ondas eletromagnéticas do Universo. Vocês já pararam para pensar na razão pela qual, em um universo imenso, com milhões, bilhões, trilhões de pessoas, se aproximam de nós “exatamente” estas? E as afinidades (e semelhanças) com alguns espíritos já desecarnados, como se explica?
Ora, acontece que não é desta vida que existem tais afinidades! Se nesta encarnação temos a vívida impressão de termos “vivido” algo que não vivemos, é porque este encontro já ocorrera. Em outros tempos, em outra dimensão, mas sim, ocorrera sim! E quando a gente se refere à amigas como irmãs de alma, não imagina o quanto é verdadeira tal afirmação!
E eis que, um dia, pensando sobre isto, ela faz a seguinte reflexão:

A gente se dá conta da inexistência do tempo quando passa a sentir saudades de momentos que, em teoria, “jamais vivemos”, de pessoas que “nesta vida” jamais conhecemos. Inicialmente pode parecer estranho, mas depois entendemos que isto ocorre porque esta vida não é a única, ou melhor, únicos somos nós, mas as vidas, são muitas, e os encontros e desencontros acontecem por alguma razão. Confuso? Tento me expressar melhor: sentir saudades de alquém que partiu antes da gente nascer, nada tem de estranho. Porque mesmo que não tenhamos plena consciência disto, um dia, este encontro aconteceu. Por essas e outras que lembro e penso sempre em vocês, Renan de Souza e Itália Cassina Festugato!

De repente ela vai se dando conta que os encontros no Mundo Espiritual, à medida em que o tempo vai passando, se tornam cada vez mais mágicos e alegres. Algumas vezes, ela também toma parte, obviamente, com a devida autorização.

Em um dia de outubro, uma comemoração. E hoje o céu está em festa! Dizem que, para nossos pais, nós jamais deixamos de ser criança. Já posso imaginar a vó Eleonora preparando aqueles doces lindos e caprichados, riquíssimos de detalhes: gatinhos, cachorrinhos menino e menina, etc. E os salgadinhos? Ah, aqueles croquetes redondinhos, com embaixo um pedacinho de pepino pra enfeitar e os pastéis. Para dividir um pouco a tarefa, a torta quem fez foi a nona Itália. Enquanto isto, o vô Vercedino e o nono Piereto jogam uma partida de escova. E o aniversariante? Bem, ele está lá, em oração. Recebendo todos os bons pensamentos, as boas energias e vibrações de tantos espíritos que o querem bem, encarnados e desencarnados. Lembrando obviamente que, estando no mundo espiritual, docinhos e sagadinhos, assim como todo o resto, são “plasmados”, e os ingredientes são pura energia e amor. Então, feliz aniversário pai querido!

O que a nossa personagem não sabia é que a hora da festa seria também um momento de bate-papos e reencontros.
Pouco a pouco os convidados iam chegado. A grande maioria familiares, ou melhor, espíritos que, na última existência terrena, haviam dividido momentos e vivências.
A data havia sido programada há tempos e era esperada com ansiedade por muitos. Não importava muito quem era o celebrado (no caso, o espírito que, encarnado, desempenhara o papel de pai da nossa personagem). O mais importante era a oportunidade que estava sendo oferecida à todos.
Oportunidade? Sim, oportunidade, acima de tudo, de reencontros!
Muitas vezes, acreditando na existência de um Mundo Espiritual, tendemos (e queremos) acreditar que, necessariamente, logo após o desencarne, o espírito passa imediatamente a “viver” junto com aqueles com quem havia convivido durante o período em que esteve encarnado. Assim, pais reencontrariam filhos, famílias seguiriam reunidas, sem nenhum tipo de mudança. Mas, na verdade, nem sempre as coisas são assim.
Particularidades, individualidades, personalidades, diferenças, devem ser consideradas e respeitadas. Carmas, escolhas, missões. Vidas diferentes, papéis diferentes, e também desencarnes que se deram de forma diferente.
O desencarne é um processo individual e, embora ponha um “fim” à todo sofrimento carnal, inicialmente o espírito, apegado às questões terrenas, ainda sente, sofre, pensa e se comporta como um encarnado. Assim sendo, precisa ser curado, muitas vezes hospitalizado, enfim, ajudado. E, ao menos que fosse um Grande Hospital Geral, seria meio estranho colocarem num mesmo quarto, por exemplo, um enfartado e um doente de câncer, por exemplo.
A cada um, a cura ideal, no lugar ideal. Para isto, existem as colônias-hospitais. Obviamente, durante o período em que estão sendo curados/cuidados, recebem sim a visita dos espíritos que lhes são caros, os quais ajudam a orientá-los e confortá-los. Sim, eles estavam lá no momento do desencarne, para recebê-los, abraçá-los e seguirem, então, as suas tarefas.
Durante o período de tratamento, cuja duração é complicada de ser estabelecida, mesmo porque a percepção do tempo é completamente diversa no Mundo Espiritual, existem momentos nos quais sair do lugar onde estão e ir para outras Pátrias espirituais, é justo e inclusive terapêutico.
São diversas as ocasiões nas quais os espíritos afins, mesmo que no momento frenquentando escolas, hospitais, colonias diferentes, acabam por se reunir. Isto pode ocorrer em datas particulares, como Natal, Finados, Páscoa, etc, mas também em datas não necessariamente marcadas por algo em particular. Voltemos então à nossa história.
Como dito anteriormente, aquele seria um momento de encontros, reencontros, alegrias e muita, muita emoção.
O “aniversariante” do dia, que na Terra recebera o nome de Renan, esperava os convidados junto a seus queridos pais e sogros, tendo ao seu lado um querido sobrinho que, por ser extremamente sensível e frágil, acabou, na existência terrena, envolvido por espíritos menos evoluídos, cometendo suicídio. O seu processo de recuperação ainda seria muito longo mas, devido ao seu sincero arrependimento e ao grande amor que sua família nutria, pudera, naquele dia, estar presente na festa.
E assim, aos poucos, as pessoas, ou melhor, os demais espíritos iam chegando, amigos de infância, de longa data, parentes, pessoas a quem ajudara, enfim. Os cunhados, Chico e Waldyr, com os quais iria bater longos papos e a visita tão esperada da querida cunhada Mary, da qual a sua amada filha Marian iria herdar tantas coisas. Como sempre, ela se apresentara extremamente elegante e dona de uma simplicidade e gentileza que lhe são peculiares. E tinha também uma outra convidada muito especial: aquela que, na Terra, fora a mãe de um espírito de muita luz, que iria encontrar, a um oceano de distância, seu espírito afim. Um ao lado do outro, os espíritos Renan e Bice iriam observar, do Mundo Espiritual, o lindo encontro daquelas almas, tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas: Marian e Stefano.
Eis que voltamos a falar na nossa personagem principal. Falando nela, não apenas ela, mas muitos outros espíritos encarnados também apareceram na festa. Obviamente, tiveram que aproveitar o momento em que seus corpos, no plano terreno, estavam adormecidos. E, ao retornarem, para que pudessem seguir no cumprimento de suas missões, foram envolvidos no manto do esquecimento. (Embora uma vaga lembrança e, mais do que isto, uma forte sensação de conforto e paz permaneceria).

Quem disse que Milao é cinza???

Relatos de uma vida (Parte 14: sobre o tempo)

12 mar

Capítulo XIV: sobre o tempo

Pois é. Quando as idéias surgem, não importa o lugar, ela, sempre que possível, tenta colocá-las no papel. Inúmeras são as coisas, fatos e situações que a fazem refletir. Um dos textos que escrevera sobre “O tempo” foi elaborado durante uma viagem de Trensurb à caminho da faculdade. Na época, aquele espírito não fazia idéia que um dia iria descobrir que, de um modo ou outro, suas palavras, suas reflexões, serviriam a contribuir para que outros seres humanos começassem a pensar na possibilidade de um mundo melhor.
O tempo

Quem é este ser tão poderoso chamado tempo? Por que nós, da sociedade ocidental, nos submetemos a ele de tal forma, que muitas vezes parece que estamos vivos só por obrigação? Para cumprir uma tarefa onde, em vários momentos, o que menos importa é o “prazer”? Deve ser mesmo poderoso o “Sr. Tempo”. E cada vez seu poder aumenta mais.
O tempo está acelerando, o mundo parece girar mais rápido. Hoje, tudo já virou ontem. E o amanhã? Ora, o amanhã nunca chega. E quando chega, já passou.
Hoje em dia, as transformações ocorrem em questão de milésimos de segundos. E, nesta rapidez toda, também nós sentimos a necessidade de sermos “rápidos”. Viver tudo ão mesmo tempo, com intensidade, a mil quilômetros por hora. Espera aí, esta história eu já ouvi antes.
Não era justamente a “velocidade”, o “viver dez anos a mil ao invés de mil anos a dez”, o que “inspirava” a “Juventude Transviada”? James Dean, sexo, drogas, rock and roll. Viver o mito. Morte? O que importava! O tempo (sim, já naquela época) passava rápido, tinha que “curtir”. (E quanto jovem morreu sem nem mesmo dar-se conta de que a vida é muito mais do que um copo de cerveja!). Bem, voltando ao fato.
O tempo acelerado vem nos obrigando a sermos mais “dinâmicos”, a nos adaptarmos à realidade que aí está. Quem não estiver disposto a acompanhá-lo, corre sério risco de se tornar espécie em extinção. Milhões, trilhões de mudanças vêm ocorrendo, sem nos darmos conta da “missa a metade”. Mas está por aí. Como já dizia Janis Joplin, “If you got a today, you don’t need a tomorrow. Tomorrow never happens”. O que existe, afinal? O agora? Não, o agora não é mais agora. Já passou. Confuso, não?
Às vezes me ponho a pensar a respeito deste que chamei de “Senhor Tempo”. Ô carinha com voz de comando! Ele consegue nos deixar ansiosos, parece parar, quando temos algo para realizar. Se esperamos por alguém, ele transforma cada segundo em gotas de eternidade. Nos momentos de maior prazer, ele acelera seus ponteiros, num jogo perverso, num típico papel de estraga prazeres. Mas é verdade que ele também nos ajuda. Porque mesmo aquelas coisas que são demoradas, ele faz acabarem. E aquilo que queremos que dure mais, ele deixa uma pontinha de esperança de que possa vir a ocorrer de novo. Ser engraçado, este “Sr. Tempo”. Ele controla nossas ansiedades, expectativas, nervosismo, alegrias, tristezas. Somos mais vulneráveis a ele do que podemos imaginar. Às vezes parece que “não vai dar tempo”. Outras, que o tempo “simplesmente parou”.
Nunca, no decorrer da sua vida, num daqueles típicos dias de corre-corre, você deu uma parada para pensar? Pensar no motivo de tanta ansiedade, nesta necessidade de fazer “tudo ao mesmo tempo agora”, deixando de lado, muitas vezes, sua própria singularidade? Você já se deu conta de como é controlado por uma “força invisível” chamada tempo? Provavelmente já. E você lembra de alguma vez ter delegado a “ele” (o tempo) tal poder? E se você resolvesse viver cada momento “bem”, ao invés de “atropelar tudo”. Que conseqüências isto traria para sua vida?
Como eu sempre digo: “Sem stress!” Somos, sim, escravos do tempo. Mas podemos tentar um acordo com o “dito cujo”. Que ele nos dê um pouco de liberdade para vivermos nossas vidas, cada momento. Pois o tempo, além de poderoso, é valioso. Precioso demais, para simplesmente “deixá-lo passar”.
Não é viver dez anos a mil, mas também não é “laissez faire, laissez passer”. Nem oito, nem oitenta. Só não dá é pra ficar passivo demais diante desta “outorgação temporal”.
Quer saber? Construa você mesmo o seu próprio tempo. Lembre do ontem, pense no amanhã, mas VIVA o hoje. E CARPE DIEM!
Texto escrito no TRENSURB (a maior parte), após leitura do texto sobre o “tempo”, publicado na Agenda Tribo/98- Porto Alegre, 24 de março de 1999.

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Protegido: Relatos de uma vida (Parte 13: várias histórias, um único tema)

11 mar

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Relatos de uma vida (Parte 12: Porque toda pessoa é a pessoa certa!)

9 mar

Capítulo XII: Porque toda pessoa é a pessoa certa!

Falando em projetos, ela desde muito cedo se daria conta que tudo acontece por algum motivo. Mas esta sua certeza se manifestaria apenas em alguns momentos e não em outros. Um dia, já adulta, começaria a se questionar a respeito de algumas “frases feitas” usadas pelas pessoas em alguns momentos específicos, especialmente como forma de “conforto” ou consolação.
Desde criança ela conversa com espíritos. A diferença é que, quando pequena, ela sabia disto. Hoje, no fundo, ela ainda sabe mas, contaminada pelo mundo materialista que a circunda (e que, ao menos por hora, lhe é ainda necessário), hoje ela prefere dizer que conversa sozinha, que fala com o espelho, que quando a sua mente faz grandes e filosóficos diálogos, é ela, é sempre ela, ela apenas.
O que a levou a pensar, a discutir, a refletir e a entender certas coisas de outra maneira foi o fato de que algumas ditas “frases de consolo”, ou frases utilizadas por quem nos quer bem (ou até por nós mesmos), por exemplo quando, do ponto de vista desta encarnação, um relacionamento (seja de amor, seja de amizade) chega ao fim. Quantas vezes ela ouviu (dito para si e também para outros): “Não era a pessoa certa”! Aquele ali? Mas não tinha nada a ver contigo!”
Ora, mas isto vem exatamente de encontro com toda a filosofia na qual ela viveu, cresceu, morreu, renasceu, evoluiu! Porque por mais que exista um livre-arbítrio, não teria sentido viver tantos “momentos sem sentido”! Pois é, nossa amiga talvez esteja deixando os nossos leitores confusos com estas idéias que vira e mexe lhe vêm em mente! O que ela pensou foi:
“Tudo aquilo que acontece na nossa vida é por alguma razão e tem a ver com as nossas escolhas. Escolhas e decisões que foram, na sua maior (ou menor) parte, feitas em um outro momento da nossa existência. Sendo assim, TODAS as pessoas que se aproximam de nós, TUDO o que vivemos em um determinado momento, são importantes para a nossa própria evolução!”.
Ela prefere acreditar, seja falando de amigos,seja falando de amores (ou casos, ou rolos, ou o nome que cada um preferir), que aquela era a pessoa certa para aquele momento. Ela acredita em tarefas inacabadas, em missões interrompidas e que a busca pela real felicidade e o encontro com aquela alma especial, aquela que é “pra valer” a sua alma afim, só poderá se realizar quando ela se der conta disto (de modo consciente ou inconsciente) e, primeiro, colocar um “ponto final” em tudo aquilo que tinha ficado abandonado, esquecido, “não vivido”. E aqueles ali, aqueles seres tão diferentes, tão estranhos, tão, tão tão. Quantas coisas ela ensinou a eles e o que talvez seja ainda mais importante: quanto com eles ela aprendeu! E cresceu! E se permitu! E viveu!
Sim, isto mesmo! Parece que ela descobriu um dos grandes segredos: cada um que se aproxima, ou se afasta, ou vai, ou fica para sempre ,está, de um modo ou outro, lhe ajudando nesta linda e preciosa tarefa de transformar o mundo (incluindo aquele interior) em um lugar ainda melhor.

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Relatos de uma vida (Parte 11: um anjo enviado por Deus)

8 mar

Capítulo XI: Existem pessoas que parecem surgir “do nada”, mas na verdade são anjos enviados por Deus para nos ajudar na nossa missão!

Para algumas coisas não existe uma explicação lógica. São coisas que fazemos seguindo simplesmente o instinto, a inutição, ou chamem como quiser. Um dos episódios diz respeito à uma menina. Uma garota, suas irmãs, sua mãe, seu irmão, seu pai. Enfim, dizem respeito a uma inteira família. Uma família que iria surgir no caminho da personagem desta história e tornar-se inesquecível.
Era uma manhã e, como muitas outras, alguém tocara o interfone pedindo ajuda. Ela não tinha o costume de ajudar todo mundo que tocava o seu interfone, mesmo porque seria impossível. Mas, naquele dia, algo a impulsionou. Ela desceu as escadas, olhou para aquela menina, (uma moça aliás) e falou: “Eu não tenho o hábito de ajudar todo mundo, mas tu, não sei o motivo, mas fui com a tua cara. Eu vou te ajudar”.
Mal sabia ela que, dali, iria se instaurar algo muito especial. Como se aquela garota tivesse virado sua “protegida”, ela, por anos, a ajudou. Na época de Natal, preparava uma cesta especial, garantindo a ceia dela e da família. Com o tempo, conheceu as irmãs, depois a mãe que, curiosa e muito, muito emocionada, um dia, fez questão de ir agradecê-la pessoalmente, pela ajuda, pelo carinho, por tudo que ela, por um longo tempo, fez por eles. Trouxe umas roscas feitas em casa como forma de agradecimento. Falou no marido que, por ter tido um acidente, precisou parar de trabahar. Andava triste, deprimido. Espontaneamente, ela, a nossa personagem, o espírito do qual falamos nesta história, se ofereceu para ajudar. Afinal, como psicóloga, podia fazer algo ou, pelo menos, tentar.
E assim foi. Algumas consultas no consultórioos deixou mais tranquilos e, acima de tudo, mais confiantes. Eram realmente uma família “do bem”. E que delícia receber deliciosos pastéis quentinhos como forma de pagamento!
Aquele outro dia também foi interessante. O garoto, já adolescente, estava numa esquina pertinho da sua casa, vendendo morangos. Ela se aproximou e disse: “Tu és o filho da Jurema, irmão da Ana Paula, né?”. Que susto! Ele deu um “pulo”, olhou meio desconfiado, até ela se apresentar. Sim, era ele que, para ajudar a família, vendia morangos pela estrada. Com isto, permitia que as irmãs continuassem os estudos. E, no final do ano, eis que elas iam lá na casa dela, só pra contar do colégio.
Outra coisa que aquela família tinha de especial? Tantas. O fato de não serem insistentes, mas de entenderem quando ela dizia que, naquele dia, naquela semana, naquele mês, não teria como ajudar.
O momento mais marcante? Tantos, mas em especial o dia em que deu desencontro e a Ana Paula deixou um carta de despedida. Uma carta que ela levou para a Itália e que a emociona sempre. Não precisa nem reler, basta lembrar que as lágrimas brotam. Ela não esconde um pouquinho de tristeza pelo fato de não ter conseguido contatá-las quando esteve no Brasil. (Aquele número de celular, no qual as chamava ou do qual era chamada, não funcionava mais.)
Se ela pudesse exprimir um desejo, seria o de rever aquela família. Receber um abraço daquelas 3 meninas, daquele menino, daquela mãe e daquele pai, seria simplesmente maravilhoso.
Longe, muito longe, do outro lado o oceano. E ela segue pensando, lembrando, rezando por aquelas pessoas. Pessoas que surgiram “do nada” e que significaram tanto!
Surgiram “do nada”? Bem, existem controvérisas. E, um dia, já no plano espiritual, ela iria descobrir que, na verdade, aquela família teve um papel muito, muito importante no progeto de vida que ela mesma tinha traçado antes de encarnar.

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