Falando sobre ela

6 jan

Hoje eu quero falar sobre ela.

Hoje eu quero falar sobre a Ana menina, que ia na casa das madames cobrar pelo pagamento dos doces que a mãe fazia;

Quero falar sobre a Ana jovem, que, dirigindo o seu carro por estradas cheias de lama, ia ensinar, em lugares distantes, com chuva ou com sol,dedicando-se com todo o amor àquelas crianças especiais, cujo maior problema talvez não fosse a falta de audição, mas sim a falta de respeito e amor dos demais para com elas;

Quero falar sobre a Ana adulto-jovem, recém-casada e já viúva, com uma filha nos braços e uma força que talvez nem ela mesma soubesse de onde a tirara;

Quero falar da “tia” Ana, dos seus bate-papos com a gurizada, do seu jeito sempre alegre, da sua companhia em festas, carnavais,viagens e até shows de rock;

Quero falar naquela Ana cuja fé é tão ampla que tudo aquilo que tem a ver com a busca de e por algo maior do que nós é aceito e acolhido por ela com toda a intensidade;

Naquela Ana que acredita em todos os santos, em Deus, em Jesus, em Nossa Senhora. Aquela Ana que estudou a doutrina espírita, que é médium, que dava Passes e frequentou um centro espírita por muitos anos. Aquela Ana que frequentou terreiros e mães de Santo e que acredita e respeita praticamente todas as crenças e religiões.

Esta Ana, um dia, sabendo que o Bispo iria vender a pequena igreja da praia, construída com tanto sacrifício pela sua mãe e demais pessoas da Comunidade, se revoltou e declarou que a partir daquele momento a sua igreja seria o mar.

Aquela Ana, como um peregrina, foi para Machu Picchu e Erks.

Hoje, quero falar sobre aquela Ana que conheceu o reiki,  que fez cursos de xamanismo; aquela Ana que aprendeu a usar as ervas e a fazer uso do ayahuasca;

A Ana que acredita em fadas, duendes e outros elementais.

A Ana que, assim como eu, conversa com os animais e as plantas e que acredita que os cogumelos que vira e mexe se encontram no seu jardim são sim moradia de seres mágicos, invisíveis aos nossos olhos.

A Ana cuja presença da espiritualidade, do Sobrenatural e a convivência harmônica de todos os seres por ela considerados sagrados é facilmente notada na sua residência:

– penduradas na parede, mandalas de todos os tipos convivem harmonicamente com imagens e fotografias;
– diversos altares espalhados pela casa e alguns espalhados pelos jardins trazem imagens de seres de fantasia como fadas, duendes,sereias, bem como estátuas representando Santos católicos,  Nossa Senhora, Jesus, São Francisco, Santo Antônio,São Jorge…
– em outros altares, figuras como Iemanjá, Ogum,  Oxum… os Pretos velhos, para quem ela sempre vai levar café.

Isto sem falar nos cristais,  ametistas, quartzos, citrinos… nos sinos dos ventos!

Hoje eu quero falar naquela Ana que passou a vida toda dedicando-se aos outros e que até naqueles momentos em que parecia estar fazendo algo para si acabava por de novo fazer algo pelo outro. Basta pensar em cada curso, em cada peregrinágio que ela fazia. Sempre acabava por conhecer alguém (ou alguéns) a quem mais adiante, de uma ou de outra forma, ela iria acabar ajudando.

Hoje eu quero falar sobre aquela Ana cujo sorriso estampado tantas vezes não era que um disfarce necessário para que os outros não percebessem a sua imensa vontade de chorar.

Hoje eu quero falar sobre aquela Ana cujo brilho nos olhos tantos parecem não perceber e cujas lágrimas apenas a alguns privilegiados ela deixa intraver.

Hoje quero falar sobre a Ana que é forte, porém humana; , que é alegre, mas que ao mesmo tempo reconhece a sua própria tristeza;

Quero falar sobre a Ana cuja sensibilidade muitas vezes parece passar despercebida pelos demais, afinal, ela é “tão alto astral!”.

Hoje eu quero falar sobre aquela Ana que, embora muitas vezes possa não parecer, é humana como qualquer um de nós.

Aquela Ana que por detrás das alegrias, das brincadeiras, é de uma sensibilidade tamanha que tantas vezes, mesmo sem querer, acabou por alimentar feridas dentro de si,  cuja cura vem acontecendo aos poucos.

Hoje eu quero falar sobre aquela Ana a quem a vida vive dando lições!

Aquela Ana que superou perdas, que venceu obstáculos, cujo organismo andou dando inúmeras “sacudidas” para que ela parasse e aprendesse a olhar para si.

Hoje eu não quero mais  falar “sobre” a Ana. Hoje eu quero é falar PARA a Ana. Falar coisas que talvez ela já esteja cansada de saber. Falar sobre o amor incondicional, falar sobre o privilégio e a alegria de ter um espírito de tanta luz ao meu lado e, ainda por cima, ter este espírito encarnado com esta missão tão linda (e imagino desafiadora) de ser a minha mãe.

Hoje, eu não quero mais  falar “sobre” a Ana, eu quero falar COM a Ana. Então, aí vai: como nos velhos tempos, hoje, mãezinha querida, não te chamarei “Mãe”, mas te chamarei simplesmente Ana.

” Ana, minha amada, a maior felicidade do mundo é te teres como mãe, amiga, parceira e confidente. Hoje, dia tão especial para ti, desejo que os seres de luz te transmitam um Mix concentrado de energias, de saúde, paz, alegrias e amor incondicional. Te amo infinitamente”!

Marian

Dieci anni dopo

28 jan
Dieci anni fa, a Santa Maria, città universitaria nel cuore del Rio Grande do Sul, avvenne una tragedia che segnerà per sempre un numero incalcolabile di esseri umani, in un modo o nell'altro.

Anche se quando è successo il disastro, era improbabile che qualcuno dei miei amici o conoscenti fosse presente a quella festa, dato che avevamo già finito l'università da tempo, era impossibile per me non tornare un po' indietro nel tempo e mettermi nei panni di quei giovani.

Le feste promosse dalle Università, tra l'altro, di solito sono le più gettonate!
A proposito di tornare indietro nel tempo, ricordo che quando avvenne il “disastro” era praticamente impossibile, sia per la data che per le circostanze, non associare quanto accaduto all'Olocausto, uno dei momenti più dolorosi della storia dell'umanità.

Ricordo che all'epoca scrissi anche un testo a riguardo e, mesi dopo, un altro, ispirato dalle critiche che alcuni parenti delle vittime stavano ricevendo sui social network. Con il titolo: “Tragedie, lutti, morti premature: riflettendo”, ho cercato, come dice il titolo stesso, di “riflettere” non solo su quanto accaduto, ma sul modo con cui ciascuno a scelto di affrontarlo, agire o reagire. In questo scritto ho cercato di considerare la questione anche dal punto di vista della Spiritualità, intesa qui come quella spiritualità in cui credo e con la quale mi identifico.

Centinaia (anzi, migliaia) di giovani “intrappolati”, bruciati vivi, calpestati, soffocati, nello stesso giorno in cui il mondo ricordava le vittime dell'Olocausto.

Certo, non possiamo confrontare l'entità delle due tragedie, anche se, per coloro che hanno "perso" una persona cara in questo modo, forse un simile confronto è possibile.

Qualche settimana fa ho avuto accesso al libro “Todo dia a mesma noite: a história não contada da boate Kiss” (in libera traduzione: “Ogni giorno la stessa notte: la storia mai raccontata della discoteca Kiss”), della giornalista Daniela Arbex. Il libro, per inciso, è diventato una miniserie su Netflix. Lì, gli orrori di quella notte sono registrati in modo chiaro, succinto e trasparente e, cosa più interessante, sembra diventare inevitabile il confronto tra il modo in cui morirono questi giovani e quello di migliaia e migliaia di ebrei morti nei campi di concentramento.
Durante un incendio, oltre al rischio di ustioni, esiste il rischio di intossicazione da fumo e…. (qualcosa a cui onestamente non mi ero fermata a pensare) avvelenamento! Così è. A seconda del tipo di materiale bruciato, lo stesso, a contatto con il fuoco, può creare gas, rilasciare sostanze che possono essere letali.

Quando ci consigliano cosa fare in caso di incendio, dicono che l'ideale è accovacciarsi, camminare (o strisciare) il più vicino possibile al suolo. Del resto sappiamo, da quello che abbiamo imparato alle lezioni di Fisica, l'aria calda sale, il fumo sale... E così, tanti giovani (alcuni accovacciati, altri no), sono andati a cercare l'uscita. Sembra che inizialmente i “buttafuori” abbiano reso difficile la fuga, perché senza rendersi conto di quanto accadeva lì vicino al palco, hanno pensato che quei giovani stessero cercando di “andarsene senza pagare”.

Che orrore! Che crudeltà, molti sicuramente penseranno. Tuttavia, se analizziamo freddamente, forse stavano semplicemente facendo il loro lavoro. Sì, hanno sbagliato. Soprattutto perché hanno fallito in quella che forse è la parte più importante di qualsiasi (sì, qualsiasi) lavoro in cui sono coinvolti gli esseri umani: l'ascolto, la comunicazione. Che alcuni giovani possano cercare di approfittarsene, di “tirare vantaggio” di una situazione (come ad esempio una rissa) è normale (non corretto, ma “normale”),ma... centinaia e centinaia??

Improvvisamente, blackout. Tutto diventa buio, tutti cercano un'uscita, un punto di luce... qualunque cosa può andar bene. La porta sul retro, i vetri delle finestre, le finestre del bagno, anche se sono semplici basculanti. La confusione è grande. Non si vede niente, è tutto buio, non c'è nessuna indicazione. Nella disperazione, i giovani vengono calpestati, spinti, tirati.

"Segue il flusso! Trattieni il fiato! Bagna la maglietta! Copriti la bocca e il naso!”

Facile a dirsi, complicato a farsi, soprattutto nei momenti di disperazione. Con l'uscita di emergenza bloccata, tutte le finestre bloccate e l'unica porta difficile da raggiungere, giacché pezzi di ferro formavano un corridoio così stretto da far quasi venir voglia di arrendersi, centinaia e centinaia di persone si sono ritrovate intrappolate in una “piccola camera a gas". (Nel corso delle analisi, mesi dopo, si scoprì che la combustione del materiale utilizzato per isolare il suono rilasciava, tra le sostanze, lo stesso gas utilizzato dai nazisti per lo sterminio degli ebrei nei campi di concentramento).

Vedendo il difficile accesso all'uscita, molti sono corsi in bagno, nel tentativo di scappare, chissà, attraverso le cosiddette “finestre basculanti”. E lì, la scena più triste.

La maggior parte dei giovani è finito per morire in bagno, a dove sono corsi disperati, nella speranza di trovare un'altra via d'uscita, una finestra che potesse ricondurli alla vita. Soffocati, intossicati, calpestati.

Come accennato in precedenza, quando penso alla notte della tragedia, mi viene in mente il fatto che la schiuma utilizzata per l'isolamento acustico della discoteca, tra l'altro altamente infiammabile, fosse composta da un materiale non idoneo al suo scopo.

Quando il poliuretano brucia, rilascia gas tossici come cianuro, monossido di carbonio e anidride carbonica. Proprio così. Cianuro. Lo stesso veleno usato nei campi di sterminio. Inodore, incolore e altamente letale.

Riscatto collettivo? Legge di causa ed effetto? Karma? Calvario? Dopotutto, c'è davvero qualche spiegazione?

Potrebbe essere che molti di questi giovani, in un'altra incarnazione, abbiano vissuto nel periodo dei campi di concentramento. È infatti possibile che fossero (o appartenessero) a gruppi fascisti o nazisti e che, dopo essersi disincarnati, nel prendere coscienza dell'orrore a cui hanno preso parte, invasi dal dolore del rimpianto, abbiano, per loro scelta, chiesto di vivere questa esperienza, come una forma di riscatto, di redenzione, superando così, nella scuola della vita, un calvario scelto da loro stessi.

Potrebbe anche essere che questi giovani fossero spiriti così uniti da aver scelto di disincarnarsi tutti insieme, all'unisono.

E quelli che, già fuori, sono tornati per aiutare a salvare altri e hanno finito per “soccombere”?... Ah, che lezione di distacco, amore e altruismo sono venuti a darci!

Immagino che niente di tutto ciò possa servire di consolazione per dei genitori disperati. È difficile capire che la disincarnazione è spesso una buona cosa. Che molte volte disincarnare giovani non è una sofferenza, una punizione, ma una liberazione. È risparmiare allo spirito altre sofferenze.

Quando muore un giovane, tendiamo a pensare: “Poverino! Avevo tutta la vita davanti a sé! Non sappiamo, però, come veramente questa vita sarebbe stata! Sarebbe stata davvero un mare di rose? Può darsi che fosse stata programmata un'esistenza piena di sofferenze e quell'alba, quella tragedia, fosse servita come un passaporto che ha liberato quegli spiriti da un'esistenza difficile, da un viaggio faticoso.
A prima vista ho pensato: “Oh, che orrore! Sono morti avellenati! Tuttavia, quando ho saputo della durata dell'azione del cianuro nell'organismo, è stato quasi un sollievo, perché ho pensato che la maggior parte di quei giovani disincarnò in pochi minuti.

Sì, lo so che è strano parlare di "sollievo", ma il fatto che sia stato così veloce significa che non hanno sofferto per tanto tempo il dolore delle ustioni. Credo che la sofferenza sarebbe stata ancora maggiore se avessero sentito più a lungo sulla pelle il calore delle fiamme, o se avessero avuto ancora tutti i sensi in allerta quando furono calpestati.

Una cosa che ritengo importante sottolineare è che anche di fronte all'ipotesi sollevata sopra che, chissà, in altre vite sono stati loro i carcerieri e non le vittime, non dobbiamo smettere di pensare a loro con tanto, tanto amore. Se affrontare tutto questo è stata o meno una libera scelta, fatta ancora nel Mondo Spirituale, forse un giorno si saprà. Oppure no. Giudicare? Mai.

Quello che possiamo fare per questi giovani, per le loro famiglie, per quelli che rimangono qui, è pregare. Pregare specialmente per coloro che sembrano aver dimenticato come si sorride.

242 furono le anime disincarnate, ma molte altre sono rimaste qui, perché la loro missione non si è conclusa quel 27 gennaio. Traumi fisici ed emotivi, cicatrici che non sono migliorate e che non miglioreranno mai. Protesi, innesti, chirurgia plastica. Fisioterapia, adattamento. Nuove possibilità, nuova vita, ma sempre un vecchio ricordo, una vecchia emozione.

Il corpo può gradualmente guarire, anche se i segni rimarranno per sempre. Ma che dire della guarigione dell'anima, della guarigione dello spirito, della guarigione del cuore?

Che a quelli che qui rimangono non manchino mai la fede, la speranza, l'amore e la preghiera. Che, per quanto difficile possa sembrare, siano in grado di esercitare la gratitudine e il perdono.

Voglio credere che quei giovani che sono morti siano stati immediatamente salvati. Che ora, nella spiritualità, continuano a fare ciò che amano. Perché credo che la vita, quella vera, non finisca mai.

Marian

Dez anos depois

28 jan

Há dez anos ocorria, em Santa Maria, cidade Universitária no coração do Rio Grande do Sul, uma tragédia que marcaria para sempre um número incontável de seres humanos, de uma ou de outra maneira.

Embora quando o desastre acontecera dificilmente algum amigo ou conhecido meu estaria presente na tal festa, visto que há tempos já haviamos terminado a Universidade, para mim foi impossível não voltar um pouco no tempo e me colocar no lugar daqueles jovens.

As festas promovidas pelas Universidades, aliás, geralmente são as mais concorridas!

Por falar em voltar no tempo, lembro que quando o “desastre” aconteceu, foi praticamente impossível, seja pela data, seja pelas circunstâncias, não associar o ocorrido com o Holocausto, um dos momentos mais dolorosos da história da humanidade.

Lembro que na época até escrevi um texto a respeito e, meses depois, um outro, inspirada em críticas que vinham recebendo alguns parentes das vítimas pelas redes sociais. Com o título: “Tragédias,perdas, mortes prematuras: refletindo”, procurei, como o nome diz, “refletir” não apenas sobre o ocorrido, mas sobre o modo como cada um escolhe enfrentar, agir ou reagir diante daquilo. Busquei, em tal escrito, considerar a questão também sob o ponto de vista da Espiritualidade, entendida aqui como aquela espiritualidade na qual eu acredito e com a qual me identifico.

Centenas, aliás milhares de jovens “encurralados”, morrendo queimados, pisoteados, sufocados, no mesmo dia em que o mundo lembrava as vítimas do Holocausto.

Claro que não temos como comparar a extensão das duas tragédias, se bem que, para quem “perdeu” uma pessoa querida desta forma, talvez tal comparação seja possível sim.

Semanas atrás tive acesso ao livro “Todo dia a mesma noite: a história não contada da boate Kiss”, da jornalista Daniela Arbex. O livro, aliás, virou minissérie na Netflix. Ali, os horrores daquela noite são registrados de forma clara, suscinta e transparente e, o mais interessante, parece tornar-se inevitável a comparação entre a forma de desencarne destes jovens e a de milhares e milhares de judeus nos campos de concentração.

Durante um incêndio, além do risco de sofrermos queimaduras, existe o risco de sofrermos intoxicação pela fumaça e…. (uma coisa que eu, sinceramente, não tinha parado para pensar) envenenamento! Pois é. Dependendo do tipo de material queimado, o mesmo, em contato com o fogo, pode vir a criar gases, liberar substâncias que podem ser letais.

Quando nos orientam sobre o que fazer em caso de incêndio, dizem que o ideal é nos abaixarmos, caminharmos (ou rastejarmos) o mais rente ao chão possível. Afinal, como aprendemos nas aulas de Física, o ar quente sobe, a fumaça sobe… E assim, muitos jovens (alguns abaixados, outros não), foram à procura da saída. Parece que, inicialmente, os seguranças dificultaram a fuga, pois sem terem se dado conta do que estava acontecendo perto no palco, pensaram que aqueles jovens estavam querendo “sair sem pagar”.

Que horror! Que crueldade, muitos certamente irão pensar. No entanto, se analisarmos friamente, talvez eles estivessem simplesmente fazendo o trabalho deles. Sim, eles erraram. Especialmente porque falharam naquela que talvez seja a parte mais importante em qualquer (sim, qualquer) trabalho em que existem seres humanos envolvidos: a escuta, a comunicação. Porque alguns jovens quererem se aproveitar, tirar vantagem de uma situação (como uma briga, por exemplo) é uma coisa normal (não correta, mas “normal). Agora… centenas e centenas??

De repente, blackout. Tudo escuro, todos procurando uma saída, um ponto de luz… Qualquer coisa vale. Porta dos fundos, vidraças, as janelas do banheiro, mesmo que sejam simples basculantes. A confusão é grande. Não dá para ver nada, é tudo escuro, não tem nenhuma indicação. No desespero, jovens são pisoteados, empurrados, puxados.

“ Segue o fluxo ! Tranca a respiração? Molha a camiseta! Tapa boca e nariz”!

Fácil dizer, complicado fazer, especialmente no momento do desespero. Com a saída de emergência trancada, todas as janelas bloqueadas e a única porta difícil de se atingir, pois pedaços de ferro formavam um corredor tão estreito que quase dava vontade de desistir, centenas e centenas de pessoas se viram encurraladas em uma “pequena câmara a gás”. (Durante as análises, meses depois, se descobrirá que a combustão do material usado para isolar o som liberava, dentre as substâncias, o mesmo gás utilizado pelos nazistas para o extermínio dos judeus nos Campos de Concentração)

Vendo o difícil acesso à saída, muitos correram para o banheiro, na tentativa de escapar, quem sabe, pelas tais “janelas basculantes”. E ali, a cena mais triste.

A maioria dos jovens acabou morrendo justamente no banheiro, para onde correu em desespero, na esperança de encontrar uma outra saída, uma janela que pudesse os levar de volta à vida. Sufocados, intoxicados, pisoteados.

Como dito anteriormente, quando penso na noite da tragédia, logo me vem em mente o fato de que a espuma utilizada no isolamento acústico da boate, que por sinal era altamente inflamável, era composta por um material inadequado para a sua finalidade.

O poliuretano, ao queimar, libera gases tóxicos, como o cianeto, o monóxido de carbono e o dióxido de carbono. Pois é. Cianeto. O mesmo veneno usado nos campos de extermínio. Inodoro, incolor e altamente letal.

Resgate coletivo? Lei de causa e efeito? Carma? Provação? Afinal, existe mesmo alguma explicação?

Pode sim ser que muitos destes jovens, em outra encarnação, tenham vivido na época dos campos de concentração. É sim possível que tenham sido (ou pertencido) a grupos fascistas, nazistas e que, após o desencarne, ao tomarem conhecimento do horror ao qual tomaram parte, invadidos pela dor do arrependimento, tenham, por sua própria escolha, pedido para viverem esta experiência, como uma forma de resgate, vencendo assim, na escola da vida, provação por eles mesmo escolhida.


Pode ser também que esses jovens fossem espíritos tão unidos que escolheram desencarnar todos juntos, em uníssono.

E aqueles que, já salvos, voltaram para trás para ajudar a salvar outras pessoas e acabaram “sucumbindo”?Ah, que lição de desprendimento, amor e altruísmo eles vieram nos ensinar!

Imagino que nada disto sirva de consolo aos pais desesperados. É difícil entender que muitas vezes o desencarne é um bem. Que muitas vezes, desencarnar jovem não é um sofrimento, um castigo, mas uma libertação. É poupar o espírito de mais uma provação.


Quando um jovem desencarna, tendencialmente pensamos: “Coitado! Tinha a vida inteira pela frente!” Não sabemos, no entanto, como esta vida realmente seria! Teria sido mesmo um mar de rosas? Pode ser que estivesse programada uma existência cheia de sofrimentos e que aquela madrugada fora como um passaporte que liberou aqueles espíritos de uma existência difícil , de uma caminhada árdua.

À primeira vista eu pensei: “Ai, que horror! Eles morreram envenenados!” No entanto, quando soube do tempo de ação do cianeto no organismo, foi quase como um alívio, por pensar que grande parte daqueles jovens desencarnaram em poucos minutos.

Sim, sei que é estranho falar em “alívio”, mas o fato de ter sido tão rápido significa que não sofreram por tanto tempo com as dores das queimaduras. Acredito que o sofrimento teria sido ainda maior se tivessem sentido por mais tempo o calor das chamas sobre a pele, ou tivessem ainda com todos os sentidos em alerta quando foram pisoteados.

Uma coisa que eu acho importante salientar é que mesmo diante da hipótese acima levantada de que, quem sabe, em outras vidas eles foram os carcereiros e não as vítimas, nem por isso devemos deixar de pensar neles com muito, muito amor. Se passar por tudo isso foi ou não uma livre escolha, feita ainda no Mundo Espiritual, quem sabe, um dia, poderemos confirmar. Ou não. Julgar? Jamais.

O que podemos fazer por estes jovens, pelas suas famílias, por aqueles que permanecem aqui, é orar. Orar especialmente por aqueles que parece que esqueceram como se sorri.

242 foram as almas desencarnadas, mas muitas outras aqui ficaram pois a missão delas não terminara naquele 27 de janeiro. Traumas físicos e emocionais, cicatrizes que não melhoraram e que jamais melhorarão. Próteses, enxertos, cirurgias plásticas. Fisioterapia, adaptação. Nova chance, nova vida, ma sempre uma velha lembrança, uma velha emoção.

O corpo aos poucos talvez se cure, embora marcas permaneçam. Mas e a cura da alma, a cura do espirito, a cura do coração? Que àqueles que aqui continuam, nunca falte fé, esperança, amor e oração. Que possam, por mais difícil que possa parecer, exercer a gratidão e o perdão.

Eu quero acreditar que aqueles jovens que desencarnaram foram imediatamente resgatados. Que agora, na espiritualidade, seguem fazendo aquilo que amam. Porque acredito que a vida, a verdadeira vida, nunca tem um fim.

Marian


Una scuola chiamata Terra

9 jan

Nello Spiritismo, apprendiamo che la Terra è un pianeta di prove e di espiazione.

Impariamo anche che è in procinto di diventare un mondo di rigenerazione.

Una volta ho scritto che vedevo la Terra come una grande scuola. Che siamo qui per evolvere, cioè per imparare. Che dobbiamo affrontare ogni fatto, ogni cosa che ci accade come una lezione.

Ho commentato, quella volta, che proprio come in una scuola, non possiamo tornare indietro. Possiamo dover fare un periodo di recupero e persino ripetere l’anno se necessario. Tuttavia, ciò che vinciamo, vinciamo.

Per evolvere al punto di poter andare a vivere su pianeti superiori o, chissà, non avere più bisogno di reincarnare, cioè, per diventare spiriti di “Primo Livello”, abbiamo ancora bisogno di vivere altre vite qui nella Terra.

Molte? Poche? Questo non posso dire, ma detto tra noi, pensando all’eternità, la percezione del tempo diventa completamente diversa di quella che è per noi adesso! Quella che per noi oggi sembra un’eternità, davanti alla “vera” eternità sembrerà un battito di ciglia.

Quindi. Stamattina pensavo: se la Terra è una grande scuola, cosa significherebbe allora la nostra disincarnazione?

Immagina di essere in una grande Università. La Terra è come una grande università, dove hai la possibilità di imparare, studiare, mettere in pratica tutte le lezioni ricevute. Usando questa metafora, la disincarnazione, o meglio, il nostro arrivo nel mondo spirituale, può avvenire per i seguenti motivi: (proviamo a usare un po’ la nostra immaginazione)

– Posso disincarnare, o meglio, lasciare “l’Università” semplicemente perché il semestre è finito. Devo tornare alla casa spirituale per raccogliere del materiale che mi servirà nei semestri successivi;

– Potrei anche lasciare l’università per un po’, una vacanza per così dire;

Ah, una cosa molto molto importante: non posso MAI voler “scappare” da questa importantissima e speciale facoltà che si chiama VITA. Perché in questo caso (e solo in questo caso) il rischio è che io finisca in un luogo di immensa sofferenza.

– L’altra opzione, quando penso al pianeta Terra come a una grande Università è che la disincarnazione rappresenta la nostra laurea. Abbiamo raggiunto uno stadio di evoluzione in cui non abbiamo più la necessità di reincarnare su questo pianeta, come se avessimo superato tutti gli esami che noi stessi avevamo scelto di sostenere.

Ora potremo seguire il nostro percorso evolutivo su pianeti più sviluppati, studiando, magari facendo un corso “post laurea”, come si fa quando si finisce l’università.

Alcuni di noi quindi possono scegliere di continuare gli studi; altri, di andare a lavorare.

Vale la pena dire qui che il fatto che siamo già “laureati” nella scuola della Terra non significa che molti di noi non scelgano di reincarnarsi di nuovo qui. Questa volta, però, con un ruolo uguale o più importante del precedente: saremo (o saranno) guide, maestri, professori e spetterà a ciascuno di noi aiutare in ogni modo possibile affinché la nostra amata Università possa diventare un luogo di rigenerazione.

Approfittiamo dell’opportunità che ci è data di frequentare questa Università, così bella e così ricca di insegnamenti, così che in futuro (e, chissà, già nel presente) possiamo trasmettere amore ovunque andiamo e possiamo trasmutare  in buono tutto ciò che è negativo.

Marian

Uma escola chamada Terra

9 jan

No Espiritismo, aprendemos que a Terra é um planeta de provas e expiações.

Também aprendemos que ele está em processo para se tornar um mundo de regeneração.

Certa vez escrevi que via a Terra como uma grande escola. Que estamos aqui para evoluir, ou seja, aprender. Que devemos encarar cada fato, cada coisa que nos acontece como uma lição.

Comentei, naquela vez, que exatamente como em uma escola, a gente não pode voltar para trás. Podemos pegar recuperação e até repetir de ano se necessário for. No entanto, o que vencemos, vencemos.

Para evoluirmos ao ponto de podermos ir viver em planetas mais elevados ou, quem sabe, não termos mais a necessidade de encarnar novamente, ou seja, para nos tornarmos espíritos do que eu chamarei de “Primeiro Escalão”, ainda nos serão necessárias outras vidas aqui na Terra.

Muitas? Poucas? Isso eu não sei dizer, mas cá entre nós, o tempo diante da eternidade tem uma percepção completamente diferente do que é para nós agora! O que hoje parece uma eternidade, diante da eternidade é como um piscar de olhos.

Então. Esta manhã eu estava pensando . Se a Terra é uma grande escola, o que significaria então o nosso desencarne?

Imagine que você está em uma grande Universidade. A Terra é como uma grande universidade, onde você tem a oportunidade de aprender, de estudar, de colocar em prática todos os ensinamentos recebidos. Usando esta metáfora, o desencarne, ou melhor, a sua chegada ao mundo espiritual, pode ser pelas seguintes razões: (procuremos usar um pouco a imaginação)

– Eu posso desencarnar, ou melhor, ir embora da “Universidade” simplesmente porque o semestre terminou. Preciso voltar para o lar espiritual para recolher algum material que me será necessário nos semestres sucessivos.

– Eu também posso sair da universidade por uns tempos, um período de férias, por assim dizer.

Ah,  uma coisa muito muito importante: eu JAMAIS posso querer”fugir” desta faculdade tão importante e especial chamada VIDA. Porque neste caso (e somente neste caso) o risco é que eu acabe em um lugar de imenso sofrimento.

– A outra opção quando penso no planeta Terra como uma grande universidade é que o desencarne represente a nossa formatura. Atingimos um grau de evolução no qual não temos mais a necessidade de reencarnar neste planeta, como se tivéssemos superado todos os exames que nós mesmos tínhamos escolhido fazer.

Agora poderemos seguir o nosso caminho evolutivo em planetas mais desenvolvidos, estudando, quem sabe fazendo um curso de “pós-graduação”.

Alguns de nós podem optar por continuar os estudos; outros, por iniciar a trabalhar.

Cabe aqui dizer que o fato que somos já “formados” na escola Terra não significa que muitos de nós não optem por novamente aqui reencarnar. Desta vez, no entanto, com um papel tão ou mais importante do que o anterior: seremos (ou serão) guias, mestres, professores e caberá a cada um de nós auxiliar de todos os modos possíveis para que a nossa tão amada Universidade possa se tornar um lugar de regeneração.

Que possamos aproveitar a oportunidade que nos foi dada de cursar esta Universidade tão linda e tão repleta de ensinamentos, de modo a poder, no futuro (e, quem sabe, já no presente), transmitir amor por onde passarmos e podermos transmutar em bem tudo aquilo que negativo for.

Marian

Parlando di lei

6 jan

Oggi voglio parlare di lei.

Oggi vi voglio parlare della Ana bambina, che andava a casa delle madame per riscuotere il pagamento dei dolci fatti da sua madre;

Voglio parlare della Ana giovane, che, con la pioggia o con il sole, guidava la sua macchina per strade fangose, andando a insegnare nei luoghi lontani,  dedicandosi con tutto il suo amore a quei bambini speciali, il cui problema più grande forse non era la mancanza di udito, ma la mancanza di rispetto e di amore da parte degli altri nei loro confronti;

Voglio parlare dell’Ana adulto-giovane, appena sposata e poco dopo già vedova, con una figlia in braccio e una forza che forse nemmeno lei stessa sapeva da dove l’avesse presa;

Voglio parlare di “zia” Ana, delle sue chiacchiere con i bambini, dei suoi modi sempre allegri, della sua compagnia alle feste, ai carnevali, alle gite e persino ai concerti rock;

Voglio parlare di quell’Ana la cui fede è così ampia che tutto ciò che ha a che fare con la ricerca di qualcosa di più grande di noi stessi viene accettato e accolto da lei con tutta l’intensità.


Quell’Ana che crede in tutti i santi, in Dio, in Gesù, nella Madonna.

Quell’Ana che ha studiato la dottrina spiritista, che è una medium, che ha dato i Passi e ha frequentato un centro spiritista per molti anni.

Quell’Ana che ha frequentato terreiros e Mães de Santo e che crede e rispetta praticamente tutte le credenze e le religioni.

Questa Ana, un giorno, sapendo che il Vescovo stava per vendere la chiesetta della sua amata città di mare, la quale era stata costruita con tanto sacrificio dalla sua madre e da altre persone della Comunità, si ribellò e dichiarò che da quel momento in poi la sua chiesa sarebbe stata il mare.

Quell’Ana Ana che,  come una pellegrina, è andata a Machu Picchu e Erks.

Oggi voglio parlare di quell’Ana che ha conosciuto il reiki, che ha seguito corsi di sciamanesimo; quell’Ana che ha imparato a usare le erbe e a fare uso dell’ayahuasca;

Ana che crede nelle fate, negli elfi e in altri elementali.

Ana che, come me, dialoga con animali e piante e crede che i funghi che ognitanto si trovano nel suo giardino, siano la dimora di esseri magici, invisibili ai nostri occhi.

Ana, persona a cui la spiritualità, il soprannaturale e la convivenza armoniosa di tutti gli esseri che considera sacri si nota facilmente nella sua residenza:

– appesi al muro, mandale di ogni genere convivono armoniosamente con immagini e fotografie;
– diversi altari sparsi per la casa e alcuni sparsi per i giardini recano immagini di esseri fantastici come fate, elfi, sirene, oltre a statue che rappresentano santi cattolici, la Madonna, Gesù, San Francesco, Sant’Antonio, San Giorgio…
– su altri altari, figure come Iemanjá, Ogun, Oxum… i “Pretos Velhos”, ai quali porta sempre il caffè.

Per non parlare dei cristalli, delle ametiste, dei quarzi, dei citrini… i campanelli eolici!

Oggi voglio parlare di quell’Ana che ha passato tutta la vita a dedicarsi agli altri e che, anche in quei momenti in cui sembrava stesse facendo qualcosa per se stessa, aveva finito per fare di nuovo qualcosa per gli altri.

Basta pensare a ogni corso, a ogni pellegrinaggio che ha fatto. Finiva sempre per incontrare qualcuno (o anche più di uno) che poi, in un modo o nell’altro, avrebbe finito per aiutare.

Oggi voglio parlare di quell’Ana il cui sorriso impresso,  tante volte era solo un travestimento necessario affinché gli altri non si accorgessero della sua immensa voglia di piangere.

Oggi voglio parlare di quell’Ana  il cui scintillio nei occhi tanti sembrano non notare e le cui lacrime lei lascia vedere  solo a pochi privilegiati.


Oggi voglio parlare dell’Ana che è forte, ma umana; che è gioiosa, ma che allo stesso tempo riconosce la propria tristezza;

Voglio parlare dell’ Ana la cui sensibilità spesso sembra passare inosservata agli altri, dopotutto, lei è “così allegra!”.

Oggi voglio parlare di quell’Ana che, sebbene possa non sembrare così, è umana come ognuno di noi.

Quell’Ana che, dietro le gioie, gli scherzi, è di una tale sensibilità che tante volte, anche senza volerlo, ha finito per alimentare dentro di sé delle ferite, la cui guarigione si sta via via avvenendo.

Oggi voglio parlare di quell’Ana a cui la vita continua a darle lezioni!

Quell’Ana che ha superato le perdite, che ha superato gli ostacoli, il cui organismo ha dato innumerevoli “scosse” perché si fermasse e imparasse a guardarsi.

Oggi non voglio più parlare “di” Ana. Oggi voglio parlare CON Ana. Dire cose che forse lei è già stanca di sapere. Parlare di amore incondizionato, parlare del privilegio e della gioia di avere uno spirito di così tanta luce al mio fianco e, per di più, avere questo spirito incarnato con questa bella (e immagino impegnativa) missione di essere mia madre.

Oggi non voglio più parlare “di” Ana, voglio parlare CON Ana. Quindi, ecco: come ai vecchi tempi, oggi, cara mamma, non ti chiamerò “Madre”, ma ti chiamerò semplicemente Ana.

“Ana mia amata, la felicità più grande del mondo è avere te come madre, amica, compagna e confidente. Oggi, giorno così speciale per te, desidero che gli esseri di luce ti trasmettano un mix concentrato di energie, di salute, di pace , di gioia e  di amore incondizionato.Ti amo infinitamente!

Marian


Nostalgia

25 dez

Oh! Che mancanza che sento
Dell’alba della mia vita,
Della mia cara infanzia
Che gli anni non portano più”
(Traduzione libera)

Ultimamente mi sento un po’ nostalgica e credo di poter capire cosa volesse dire Casimiro de Abreu.

INatali. Quanto mi mancano i Natali della mia infanzia! La famiglia insieme, quella lunga tavolata, i bambini che corrono, ridono, giocano, gli adulti brindano e tutti condividono un’emozione intensa. L’amico oculto, gli scambi di affetto, gli abbracci, le carezze.

Ricordo che ad ogni Natale gli occhi di mio nonno (noninho) brillavano di emozione. All’epoca lo capivo anche, ma forse mi mancava un po’ di comprensione.

Negli anni sono arrivate nuove persone, altre se ne sono andate. Quel tavolo è diventato più piccolo e all’improvviso è diventato più difficile stare insieme. Vita, destino, ognuno con un percorso da seguire.

Ah, quanto sono grata alla mia amata famiglia per ogni Natale vissuto! Grazie zia Mary e zio Paulo per i nostri incontri nell’infanzia e nell’adolescenza! Grazie zia Marlene per la tua dolcezza! Zia Lourdes e zia Renée, per il vostro amore! Grazie amata madre! Grazie famiglia per aver fornito così tanti momenti pieni di felicità, unione e amore.

Ah, quanto mi mancano quelle riunioni di famiglia!

Sì, quest’anno sono nostalgica. Forse per la prima volta ho capito davvero il senso di quell’emozione che mio nonnino, in questo periodo dell’anno, portava sempre negli occhi.

Non è lo scambio dei regali, l’arrivo di “Babbo Natale”, che provoca tanto scalpore. È, sì, l’arrivo del Dio bambino, Gesù, nostro fratello, perché anche se non ci pensiamo molto (almeno io, lo confesso, forse do meno importanza al fatto di quanto dovrebbe), credo che in questo periodo nell’Universo si forme una grande corrente vibrazionale di pace, speranza e amore.

Il ricordo della nascita di Gesù è come un simbolo che ci collega con la nostra vera casa, la patria spirituale, facendoci sentire la mancanza di “casa” e soprattutto di quegli spiriti tanto amati che già si trovano là.

Quando ero bambina, dicevo che volevo vivere almeno 100 anni . Oggi non lo penso più. Voglio vivere il tempo necessario per compiere la mia missione. Non troppo, non troppo poco. Amo la vita, ma posso anche vedere la morte (al momento giusto) non come sofferenza, ma come liberazione.

A proposito, parlando di amore per la vita, non posso non citare Bibi, che a 90 anni non era altro che un ragazzino felice! Lui, spirito antico, pieno di saggezza, ma con quel modo sempre giovane di prendere la vita con gioia. Lui, l’ultimo del suo gruppo di amici a tornare nel mondo spirituale, proprio alla vigilia di Natale!

Ecco. All’inizio di questo testo, ho commentato quanto bene ho capito i versi di Casimiro de Abreu. Tuttavia, poiché non possiamo tornare indietro nel tempo, cerco di vivere ogni momento, raccogliendo ciò che di buono porta.

Oggi, lontana dalla casa della mia infanzia, ma vicino a una casa che mi ha accolto e dentro ad una casa che mi sono costruita insieme al mio amore, sono consapevole che i Natali non sarano più li stessi, ma non per questo non possono essere sereni.

Forse ad ogni anno io diventi più sensibile, con più condizioni per capire che la cosa più bella della (e nella) vita è il bene che possiamo fare.

Anche se siamo eterni, il nostro tempo qui è contato, quindi non perdiamo tempo con ciò che ci rattrista, ci fa infuriare o ci fa stare male, ma cerchiamo di vivere con gioia, gratitudine e amore. Godiamoci ogni momento insieme a coloro che amiamo e che sono ancora qui (vicini fisicamente e/o virtualmente), e allo stesso tempo inviando vibrazioni di luce e amore a coloro che se ne sono andati prima di noi.

Stiamo sicuri che quando le lezioni della scuola chiamata Terra saranno finite, loro saranno lì ad aspettarci. Ad aspettarci nella nostra vera casa.

Auguro a tutti un Buon Natale! Una felice nascita dell’amore, della gentilezza, della carità, della comprensione e della pace!

Marian

Nostalgia

24 dez

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais”

Ultimamente eu ando nostálgica e acho que consigo compreender aquilo que Casimiro de Abreu queria dizer.

Os Natais. Que saudades dos Natais da minha infância! A família reunida, aquela mesa comprida, as crianças correndo, rindo, brincando, os adultos brindando e todos compartilhando de intensa emoção. O amigo secreto, as trocas de afeto, de abraços, de carinho.

Lembro que a cada Natal, os olhos do meu avô (o noninho) brilhavam de emoção.
Na época eu até entendia, mas talvez me faltasse um pouco de compreensão.

Com o passar dos anos, novas pessoas chegaram, outras se afastaram. Aquela mesa foi diminuindo e de repente foi ficando mais difícil se reunir. A vida, o destino, cada um com um caminho para seguir.

Ah, quanto sou grata à minha tão amada família por cada Natal vivido! Obrigada tia Mary e tio Paulo pelos nossos encontros na infância e adolescência! Obrigada tia Marlene pela tua doçura! Tia Lourdes e tia Renée, pelo vosso amor! Obrigada mãezinha amada! Obrigada família por propiciarem tantos momentos repletos de felicidade, união e amor.

Ah, que saudades daqueles encontros familiares! Mesmo que os repetíssemos, não seriam iguais.

Pois é, este ano ando saudosa. Talve pela primeira vez eu compreenda realmente o significado daquela emoção que o noninho, nesta época do ano, sempre carregava em seu olhar.

Não é a troca de presentes,  a chegada do “Papai Noel” a provocar tal sensação. É, sim, a chegada do Deus menino, Jesus, nosso irmão, pois embora não pensemos muito nisso (pelo menos eu, confesso, talvez dê menos importância ao fato do que deveria), acredito che neste período no Universo se forme uma grande corrente vibracional de paz, esperança e amor.  A lembrança do nascimento de Jesus é como um símbolo que nos conecta com o nosso verdadeiro lar, a Pátria espiritual, fazendo aumentar a saudade “de casa” e especialmente daqueles espíritos tão amados que já se encontram por lá.

Quando eu era criança eu costumava dizer que no mínimo uns 100 anos eu queria viver. Hoje, já não penso assim. Quero viver o tempo necessário, para cumprir a minha missão. Nem muito, nem pouco. Amo a vida, mas consigo também enxergar a morte (no momento justo) não como sofrimento, mas como libertação.

Aliás, falando em amor pela vida, não posso não mencionar o Bibi, que aos 90 anos, não era que um alegre guri!
Ele, espírito antigo, repleto de sabedoria, mas com aquele jeito sempre jovem de levar a vida com alegria. Ele, o último da turma de amigos a voltar ao mundo espiritual, exatamente numa véspera de Natal!

Pois é. No início do presente texto, comentei o quanto eu entendia os versos de Casimiro de Abreu. No entanto, já que voltar no tempo a gente não pode, busco viver cada momento, colhendo o que ele traz de bom.

Hoje longe do meu lar de infância, mas perto de um lar que me acolheu e dentro de um lar que eu mesma construí, em conjunto com o meu amor, tenho consciência de que os Natais jamais serão os mesmos, mas não é por isso que não podem ser serenos.

Talvez a cada ano eu me sinta mais sensível, com mais condições de compreender que a coisa mais bela da (e na) vida  é o bem que podemos fazer.

Embora sejamos eternos, o nosso tempo por aqui é contado, então, não percamos tempo com o que entristece, enraivece, ou nos faz mal, mas busquemos viver com alegria, gratidão e amor. Aproveitemos cada momento junto àqueles que amamos e que ainda se encontram por aqui (perto fisicamente e/ou virtualmente), ao mesmo tempo que enviamos vibrações de luz e amor, para aqueles que partiram antes de nós.

Estejamos certos, quando as lições da escola chamada Terra a gente terminar, lá estarão eles a nos esperar. A nos esperar no nosso verdadeiro lar.

Desejo à todos um Feliz Natal! Um Feliz nascimento do amor, da bondade, da caridade, da compreensão e da paz!

Marian

La morte come libertà

13 nov

La morte come libertà.
La morte come liberazione.
La morte come abbandono di un corpo indebolito, di una mente che non ragiona più correttamente e completamente.
Il rilascio di un corpo stanco, di una mente che si ostinava a vivere nel passato.
Il desiderio che lei rimanga qui, in contrasto con il desiderio che lei se ne vada, che finalmente si lasci alle spalle l’angoscia, il dolore e la sofferenza.
Il desiderio di poterla abbracciare ancora una volta, la sensazione di quella carezza, della sua mano che mi accarezzava lievemente il viso l’ultima volta che ci siamo viste.
Amore. Oh l’amore. Quello vero. Colui che ci fa trascendere i nostri desideri, che ci aiuta a capire che amare veramente significa lasciarsi andare, lasciar andare.
Tante cose sono successe negli ultimi anni… Nella mia vita, con la mia famiglia. Dolore, malattia, morte, o meglio, disincarnazione.
Progetti che erano già stati stabiliti là nel mondo degli spiriti. Libero arbitrio, apprendimento. Distacco.
Mi chiedo spesso perché la vita, in un certo senso, mi abbia fatto, allontanandomi geograficamente, finire per non vivere, per non essere testimone di tali momenti. Allo stesso tempo, però, è come se spiritualmente ed emotivamente fossi vicina, molto vicina.
Chiederò in preghiera che mentre dormo il mio spirito si possa liberare e io possa andare a trovarla, per poterla abbracciare e farle sentire il mio affetto, il mio amore.
Come quando ho scritto uno dei testi sullo zio Ruben, anche questo, mentre scrivo, la “storia” non è giunta al termine. Parlare di morte, di disincarnazione, quando essa non è ancora accaduta. Ma parliamo di certezze, di intuizioni, di sensazioni.
Forse quando questo testo sarà digitado le cose saranno già successe. In effetti, è molto probabile. Oppure no.
Oh, amata zia! La più dolce, la più tenera, la più delicata di tutte!
È davvero meraviglioso far parte di una famiglia così speciale. Una madre il cui esempio di resilienza, voglia di vivere e amore infinito mi rende ogni giorno una persona migliore; uno zio il cui amore, saggezza, buonumore, semplicità, dedizione e amore per la musica e la cultura hanno lasciato tanti semi di bene piantati nel mio cuore. E le mie quattro zie, così diverse tra loro e, allo stesso tempo, così simili.
Sì, la mia famiglia va oltre, ma oggi vorrei concentrarmi solo su di esso: sul piccolo/grande gruppo dei sei fratelli. Zia Mary e zio Ruben, ormai liberi dal loro involucro di carne, probabilmente, insieme al nonno e alla nonna, stanno organizzando tutto affinché zia Marlene abbia un bel ricevimento.
Probabilmente lei avrà bisogno, per qualche tempo, di continuare lì le cure. Ma la preghiera, soprattutto quella fatta con amore, è la migliore medicina, è un balsamo curativo. Inoltre, la sua gentilezza, la sua mansuetudine, il suo amore per il prossimo e la carità che ha sempre mostrato, così come la sua fede, faranno certamente  che il suo passaggio sia senza dolore, senza rivolta, senza inutili sofferenze.
Sarei falsa se dicessi che, in questo momento, mi sento serena e senza il minimo dolore. In effetti, la “sensazione” che mi invade in questo momento è abbastanza strana. Difficile da descrivere. Anche se per noi, esseri ancora così attaccati alla materia, sia difficile agire in questo modo, quando inizio a pensare a tutto quello che è successo in questi ultimi anni, non posso che dire “grazie”, sentendomi grata al mondo spirituale per essa (e la famiglia) non dover affrontare una serie di dolori e sofferenze che, con l’aggravarsi della sua condizione clinica a causa del progredire della sua malattia, sarebbero impossibili da evitare.
Un ricordo che conservo di lei? Oh, ce ne sono così tanti che è difficile scegliere. Ma alzo la testa e lì, di fronte a me, c’è una Sutra Sacra della Seicho-no-ie. In italiano. E in cima alla porta d’ingresso, un’altra, in miniatura. Protezioni per la nostra casa. Doni da lei, la cui più grande missione era, ora me ne rendo conto, quella di distribuire amore.
Marian

A morte como liberdade

13 nov

A morte como liberdade.
A morte como libertação.
A morte como o abandono de um corpo debilitado, de uma mente que já não raciocina mais de modo correto e completo.
A libertação de um corpo cansado, de uma mente que insistia em viver no passado.
A vontade de que ela continue aqui, em contraste com o desejo de que ela parta, para finalmente deixar para trás suas angústias, dores e sofrimentos.
O desejo de poder abraçá-la mais uma vez, a sensação daquele carinho, da sua mão acariciando o meu rosto de leve na última vez em que nos vimos.
O amor. Ah, o amor. Aquele verdadeiro. Aquele que nos faz transcender os nossos desejos, que nos ajuda a compreender que amar de verdade significa deixar ir, deixar partir.
Nestes últimos anos têm acontecido tantas coisas… Na minha vida, com a minha família. Dores, doenças, mortes, ou melhor, desencarnes.
Planos que já tinham sido traçados lá no mundo espiritual. Livre arbítrio, aprendizagem. Desapego.
Muitas vezes me questiono o motivo pelo qual a vida, de certa forma, fez com que eu, me afastando geograficamente, acabasse por não viver, não presenciar tais momentos. Ao mesmo tempo, porém, é como se espiritualmente e emocionalmente eu estivesse próxima, bem próxima.
Vou pedir em oração para que, enquanto durmo, meu espírito possa se libertar e eu possa encontrá-la, para poder abraçá-la e fazê-la sentir o meu carinho, o meu afeto, o meu amor.
Como quando escrevi um dos textos sobre o tio Ruben, também este, enquanto eu redijo, a “história” não chegou ao final. Falar de morte, de desencarne, quando tal coisa ainda não aconteceu. Mas falamos de certezas, de intuições, de sensações.
Talvez no momento em que este texto for digitado as coisas já tenham acontecido. Aliás, é muito provável. Ou não.
Ah, tia amada! A mais meiga, doce e delicada de todas.
É realmente maravilhoso fazer parte de uma família assim, tão especial. Uma mãe cujo exemplo de resiliência, vontade de viver e amor infinito me faz ser a cada dia uma pessoa melhor; um tio cujo amor, sabedoria, bom humor, simplicidade, dedicação e amor pela música e pela cultura deixou plantadas no meu coração tantas sementinhas do bem. E as minhas quatro tias, tão diferentes entre elas e, ao mesmo tempo, tão iguais.
Sim, a minha família vai além disto, mas hoje eu gostaria de me concentrar somente nele: no pequeno/grande grupo dos seis irmãos. Tia Mary e tio Ruben, já libertos do seu invólucro de carne devem, junto do nono e da nona, estar organizando tudo para que a tia Marlene tenha uma linda recepção.
Provavelmente ela irá precisar, por algum tempo, continuar em tratamento por lá. Mas a prece, especialmente aquela feita com amor, é o melhor dos remédios, é bálsamo curador. Além disso, sua bondade, sua meiguice, seu amor ao próximo e a caridade que ela sempre demonstrou, bem como sua fé, certamente farão com que a sua passagem seja feita sem dor, sem revolta, sem sofrimentos desnecessários.
Eu seria falsa se dissesse que, neste momento, me sinto serena e sem nem um pouquinho de dor. Na verdade, a “sensação” que me invade neste momento é bem estranha. Difícil de descrever. Embora para nós, seres ainda tão apegados à matéria, seja difícil agir desta forma, quando começo a pensar em tudo que estava acontecendo nestes últimos anos, não posso que dizer “obrigada”, sentindo-me grata ao mundo espiritual por ela (e a família) não precisarem enfrentar uma série de dores e sofrimentos que, com a piora do seu quadro clínico devido ao avanço da sua doença, seriam impossíveis de evitar.
Uma lembrança que guardo dela? Ah, são tantas que fica difícil escolher. Mas ergo a cabeça e lá está, na minha frente, uma Sutra Sagrada da Seicho-no-ie. Em italiano. E em cima da porta de entrada, uma “sutrinha” em miniatura. Proteções para o nosso lar. Presentes dela, cuja maior das missões era, hoje me dou conta disto, distribuir amor.
Marian