Momento de reflexão

23 ago

20170809220502Ultimamente tenho refletido muito, sobre as mais diversas questões. Tenho pensado sobre as “coincidências” da vida, assim mesmo, entre aspas, pois na verdade eu nunca acreditei realmente que coincidências existam! Quando falo sobre isto, me refiro desde coisas simples, até coisas mais complexas. Tenho pensado no rumo que a minha vida tem tomado, nas inùmeras mudanças que enfrentei, nos porques de cada coisa, de cada passo dado ou, ao contrário, não dado. Acredito piamente que nada acontece por acaso. Ao mesmo tempo, porém, sei que temos livre arbítrio e que todas as escolhas que fiz dependem unicamente de mim. Em alguns momentos acredito estar em uma fase de plantio. Outros, acho que é hora de regar a plantação e, em outros periodos, creio que seja a hora de colher alguma coisa. Me dou conta então que, além da existência do tempo ser uma coisa muito questionável e relativa, assim também é a ordem na qual as coisas se dão.
Tem horas que penso que algumas coisas na minha vida aconteceram em ordem inversa. Nestes momentos porém é que me pergunto: e quem disse que existe uma ordem certa para as coisas acontecerem?
Aos 17 anos, eu estava na faculdade. Aos 20, estagiava, começando então uma experiência prática que me levou, mais adiante, a trabalhar em hospitais, clínicas, inicialmetne com gestantes e, mais adiantes, com pacientes oncològicos. Vi a vida de muitos começar, assim como vi muitas vidas se esvairem aos poucos. Vi lágrimas de alegria, de emoção, de sofrimento, de alívio e de dor. Vi ateus se renderem ao poder da fé, vi crentes questionarem a existência de Deus.
De repente, uma reviravolta na minha vida pessoal faz com que a minha història tome um novo rumo. Uma virada de 180 graus. Ah, seguir a minha profissão, mesmo do outro lado do mundo, será fácil. Logo serei reconhecida e tudo seguirá como antes. Pois é. No início parecia que seria realmetne assim. Estágios, voluntariado, Master. Depois disto, porém, a coisa mudou.
Oito anos se passaram e aqui estou eu, trabalhando como baby-sitter. Para grande parte das pessoas, isto acontece ao contrário: trabalham como tatas para, mais adiante, fazer a faculdade e seguir uma outra profissão, muitas vezes em uma área completamente diferente. Nos primieros anos em que aqui cheguei, derramei muitas lágrimas , não por estar buscando um trabalho como baby-sitter, mas por pensar em quanta gente que eu poderia estar ajudando com a miiha profissão de Psico-oncòloga, mas não podia, pois estava com as mãos atadas. No entanto, nunca me revoltei, muito pelo contrário.
Uma outra coisa que eu sempre acreditei é que a vida é feita de ciclos. Me dei conta de que a psicologia faz parte de mim, da minha alma, do meu jeito. E que eu podia sim, seguir fazendo a minha parte, ajudando os outros, nas mais diversas formas. De repente, me vi lidando com vida, não mais com morte. Me vi rodeada de mães cujos filhos frenquentam uma das mais caras e bom concentuadas escolas particulares da cidade. Me dei conta de que, enquanto as demais “tatas” formavam seus grupinhos isolados, comigo era diferente. Mães e pais que vinham conversar comigo, que me convidavam para participar dos papos, que me ofereciam café. Ali naquele meio, cresci ainda mais espiritualmente e alluma vezes pude ter o privilégio de conversar com aquelas crianças sobre valores. Me dei conta, então, que meu papel ali ia muito além de simplesmente acompanhar uma criança da escola até em casa, ajudar nos temas e prvidenciar a janta.
Acredito que a espiritualidade me colocou ali para plantar algumas sementinhas no coração de cada um (inclusive no meu). Em alguns momentos parece que cabe a mim mostrar para aquelas crianças que não possuir todas as versões possíveis do ultimo brinquedo da moda não é motivo para revolta, ou que se o fulano de repente está diferente, mais sério e isolado, não significa que não goste deles, mas que, ao contrário, ele esteja é precisando de um amigo, alguém que o escute sem julgar.
Nossa, quantas vezes vi, ouvi, senti pessoas inconformadas com a minha situação! Como se dedicar grande parte do dia à uma criança fosse algo sem futuro, uma perda de tempo ou, pior ainda, um desperdício do meu talento, do “dinheiro gasto na minha formação”. Mas do que vale a formação se não para fazermos uso do que aprendemos na vida, no dia-a-dia?
Tenho visto no mundo da Psicologia por aqui tanta inversão de valores, tanta disputa, tanta ambição…
Voltando ao meu trabalho atual. Às vezes, com medo do futuro, me pedem para repensar. Para decidir o que irei fazer daqui a 3, 4 anos. Eu vivi a minha vida inteira pensando num “vir a ser”. Agora, tenho, aos poucos, aprendido a viver o tempo presente. Então, me questiono: mas eu preciso REALMENTE mudar? Crianças crescem, mas outras nascem. Sim, talvez seja apenas comodismo da minha parte. Tem horas em que esta indecisão me tormenta. Por isso, tenho orado, tentando entregar nas mãos de Deus. Tenho me exercitado para confiar na providência Divina e, confesso, muitas vezes não é fácil.
Mas eu comecei falando sobre coincidências e no fim este texto acabou tomando um rumo completamente diverso. Bem, em se tratando de mim, isto é mais do que natural. Quero, no entanto, retomar esta questão.
Me refiro a coisas simples que tem acontecido, às quais darei aqui o nome de “sinais divinos” ou, melhor ainda, sincronicidades. Eis algumas:
Outro dia, não sei por que cargas d’água, eu estava pensando na minha vida e na vida da minha mãe. Fiquei pensando no fato que ela tinha recém feito uma tatuagem e lembrei dela contando que, quando criança, para ajudar a mãe que fazia doces para vender, ela ia de porta em porta fazendo, talvez, a parte mais difícil de todas: cobrando quem tinha ficado devendo. De repente, pensei: a minha mãe, quando criança, era uma adulta! Agora, ela é uma adolescente. A vida da minha mãe está acontecendo ao contrário! (E confesso que já a imaginei velhinha, rindo e brincando de roda). Mas a coisa não pára por aí! Alguns dias depois, minha mãe, via Skype, me diz, toda empolgada, que tinha conhecido um moça que fazia Mapa Astral e que iria fazer o seu. Algum tempo depois, ela me sai com algo do tipo: “A mniha vida é vivida ao contrário, eu agora estou na adolescência”. WOW!!
Um dia, na volta do almoço, minha mãe, minhas tias e meu tio resolvem ir visitar a Amália, a senhora que trabalhou lá na nossa casa por muitos anos e que ajudou a me criar. Detalhe: eles NUNCA a visitam! Ao chegaram lá, ela ficou super feliz com a notícia, e contou que, justamente naquela noite, tinha sonhado com eles, mais specificamente com meu tio e uma das tias. Ela tinha sonhado que meu tio, quase 90 anos, ia se casar. A noiva, no entanto, ela não via. Acontece que, naquele mesmo laço de tempo, eu estava pensando no meu casamento na Itália e me veio uma vontade incrível de fazer uma surpresa para este meu tio e convidá-lo para me acompanhar até o altar. Sim, tudo está ligado! Sobre a tia? Bem, o sonho era que ela tinha uma geladeira cheia de frangos, mas este é assunto para outro texto!
Uma coisa que aconteceu antes ainda: depois de uma conversa com o meu amor, comecei a pensar no que poderia fazer para dar uma aumentada na minha fonte de renda, quando, poucos dias depois, recebo uma mensagem no celular de um pai procurando alguém para ficar com seu filho nos momentos de emergência, especialmente na parte da manha. Sim, é o Universo conspirando para que as coisas aconteçam, sou eu aprendendo, aos poucos, a vencer os meus bloqueios.
Voltando a falar sobre a minha vida, eu sò tenho a agradecer, tanto pelos momentos vividos, quanto pelos momentos vindouros. Tenho pensando no meu casamento com empolgação e não podia ser diferene!
A coisa mais linda de tudo isto é que estou organizando algumas coisas completamente diferentes, mas que refletem bem o meu jeito de ser. Me dei conta de que isto so é possível porque, diante do meu amor, me sinto à vontade para me mostrar exatametne como sou. Porque, com ele, não tenho medo, não tenho vergonha, não sinto a necessidade de me enquadrar, de me adequar. Sinto como se as nossas diferenças se complementassem e que, se na hora da festa eu querer me arrebentar na pista de dança e ele preferir ficar sentado conversando com os amigos, não terá problema nenhum. Ao contrário de um amor tolo, dependente e imaturo, onde tudo tem que ser feito junto, o nosso é um amor maduro, respeitoso, um amor cuja origem vem de muito, muito tempo atrás. À ele eu tenho que dizer obrigada. Obrigada por me permitir ser quem eu sou, e por me amar exatamente assim, desse jeito!
Domingo agora completamos 9 anos de namoro. Entre altos e baixos, hoje me dou conta que nossos olhares ainda brilham quando se cruzam e que quando sorrimos um para o outro, nossos corações se enchem de emoção. Sim, eu aprendi com ele a colocar um pouquinho os pés no chão e, em troca, ele tem se permitido sonhar.
Todo texto que se preza tem início, meio e fim. Comecei a escrever pensando em uma coisa e de repente meus escritos tomaram um rumo completamente diverso. Como eu não acredito no acaso, sei que tinha que ser exatamente assim.
No meu último aniversário, ganhei dois presentes que me marcaram consideravalmente: o anel de noivado, cujo significado vai muito além de qualquer simbolismo, pois pertencera à minha futura sogra, que se encontra no Mundo Espiritual, e o Kindle, leitor de texto da Amazon. O que um anel de noivado e um leitor de texto podem ter em comum, vocês podem me perguntar. Nada, absolutamente nada. No entanto, ambos têm a ver com o momento que estou vivendo. Em possesso deste novo “livro” portátil, voltei a ler como há muito não fazia e retomei leituras ligadas à espiritualidade. Acredito que ambos os presentes me reaproximaram à vida espiritual, que, sem que eu me desse conta, estava meio descuidada. Nunca deixei de agradecer, de fazer todos os dias a minha oração. O que percebo, no entanto, é que eu precisava, sim, era modificar a minha percepção sobre algumas coisas. Fazer uma leitura diferente dos fatos que têm me acontecido, vibrar paz, vibrar luz, contagiar aqueles que me cercam com bondade e luz, ao invés de me deixar envolver em vibrações ruins. Que a vida flua, que o amor vença sempre, que tudo siga o seu curso. Sou privilegiada, e o que eu tenho para dizer é: obrigada! Obrigada Deus, obrigada seres de luz, obrigada mãe, obrigada Stefano, obrigada família (vocês são nota mil), obrigada Amália, obrigada Carlinha, obrigada amigos velhos, atuais e vindouros, obrigada crianças, obrigada mestres, obrigada ex pacientes, obrigada trabalho, obrigada, obrigada, obrigada… Obrigada vida!

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Sobre o sentido das palavras

9 ago

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Bastou que uma minha amiga me agradecesse por uma dica de leitura que eu tinha dado para que eu começasse a pensar no sentido das palavras. Tudo porque ao seu “obrigada”, eu respondi: – Como se diz em italiano, “prego”!
Foi exatamente esta expressão, ou melhor, esta simples palavra que me levou a pensar.
Em italiano, quando alguém te agradece, tu respondes “prego”. Prego vem do verbo “pregare”, que significa rezar, orar. Então, lembrei que obrigada se diz “grazie”. Grazie me fez pensar em “graças”, dar as graças, como um dom, uma doação.
Achei tudo isto tão lindo!
Tu me ofereces algo (como, por exemplo, uma dica de leitura). Eu dou graças por isto e tu, em resposta, me ofereces a tua oração.
Já em português, tentar fazer o mesmo tipo de leitura deixa as coisas meio estranhas!
“Obrigada!” Obrigada lembra “obrigação”. Como se aquele não fosse um gesto de gratidão, mas de simples obrigação formal. E a reposta?
“De nada”. Aqui, para mim, bastou acrescentar um acento! “ Dê nada”. Ou seja, não ofereça nada! Decisamente, faz pensar!
Tu me ofereces algo (como uma dica de leitura). Eu digo que o fizestes por obrigação e tu, em resposta, me dizes para não oferecer nada!
Faz sentido? Sei que estou “viajando na maionese”, mas fica a reflexão!

Grazie, mamma!

8 jan

Madre amata, grazie.
Grazie per ogni momento vissuto e anche per quelli a venire.
Grazie per aver reso ogni momento della mia vita, una bella e importante lezione.
Grazie per essere così bella, così semplice eppure così ricca.

Grazie per essere una bambina, un’ amica, una figlia e una madre, tutti insieme, ma allo stesso tempo tutt separato, ciascuna nel suo tempo, al momento giusto.
Grazie per anche se lontana fisicamente essere sempre vicina, emotivamente, spiritualmente.
Grazie per fare di me la figlia unica con più fratelli mai vista sulla faccia della terra.
Grazie per essere l’indimenticabile “zia Ana,” che tutti ricordano con grande affetto.
Grazie per essere questa grandissima mamma, questa ” grandissima zia”, nel senso più ricco e affascinante della parola.

Grazie per il tuo umore, la tua risata, il tuo sorriso, ma anche , grazie, grazie tante per le tue lacrime, per la tua enorme sensibilità, per quella fragilità che possiedi e che tante volte cerchi di non farsela vedere . (Beh, forse non tutti la percepiscono, ma io sì).
Tra l’altro grazie per essere trasparente e allo stesso tempo grazie per tante volte proteggere se stessa attraverso questo scudo chiamato “clown”. Sì cara, in molte occasioni è la tua fondamenta,lo so. E, nel tentativo di compiacere gli altri, finisci lasciandoti contaminare. Contaminare dal buon umore. Quindi, che ben venga!

E’ già, amata, oggi è il tuo giorno. 2 anni fa, abbiamo celebrato insieme, nelle terre europee. “Party girl” come sei, in quell’anno hai finito per fare 2 feste. Per te una appena non era sufficiente. E sai una cosa? Hai fatto bene!!

Quindi mia cara… Ecco alcune immagini di alcuni dei nostri i momenti, goduti, vissuti. Solo nel 2016. E sì, ci sono stati tanti altri, questo è solo un campione!
Carissima, ho così tante cose da desiderarti ! Penso che farò come Drummond  e desidererò “solo se che tu abbia tanti desideri. Desideri grandissimi e che questi possano farti muovere ad ogni minuto alla ricerca della tua propria felicità!”
Ti amo, e ti amo non solo per quello che sei, ma per quello che sono diventata grazie a te!

(Scritto il 6 gennaio 2017)

cambara-do-sul-itaimbezinho-canion-fortaleza

Obrigada, mãe!

8 jan

Mãe amada, obrigada.

Obrigada por cada momento vivido e também por aqueles que ainda virão.

Obrigada por fazer de cada instante da minha vida, uma linda e importante lição.

Obrigada por ser tão linda, tão simples e ao mesmo tempo tão rica.

Obrigada por ser uma menina, uma amiga, uma filha e uma mãe, tudo junto, mas ao mesmo tempo tudo separado, cada uma na sua hora, na hora certa.

Obrigada por mesmo longe fisicamente estares sempre perto, emocionalmente, espiritualmente.

Obrigada por eu ser a filha ùnica com mais irmãos que já se viu na face da terra.

Obrigada por seres a inesquecìvel “tia Ana”, que todos lembram com muito carinho.

Obrigada por seres uma mãezona, uma “tiazona” no sentido mais rico e fascinanate da palavra.

Obrigada pelo teu humor, teu riso, teu sorriso, mas também muito, muito obrigada pelas tuas lágrimas, pela tua sensibilidade enorme, por aquela fragilidade que possuis e que tentas não deixar transparecer. (Pois é, talvez nem todos notem, mas eu sim).

Aliás, obrigada por ser transparente e ao mesmo tempo obrigada por tantas vezes te protegeres através deste escudo chamado “palhaçada”. Sim amada, em muitos momentos ele é teu alicerce, eu sei. E, na intenção de alegrar os outros, acabas te deixando contaminar. Contaminar pelo bom humor. Então, que bem venha!

Pois é amada, hoje é teu dia. Há 2 anos, comemorávamos juntas, em terras européias. Festeira como és, naquele ano acabaste por fazer 2 festas. Para ti, uma apenas não era suficiente. E, quer saber? Fizeste bem!

Então amada. Aqui, algumas poucas imagens de alguns momentos nossos, curtidos, vividos. Apenas em 2016. E sim, tiveram muitos outros, esta é só uma amostra!

Querida, tenho tantas coisas pra te desejar! Acho que vou fazer como Drummond  e desejar “apenas que você tenha muitos desejos. Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo da sua FELICIDADE!”

Te amo e te amo não apenas por quem tu és, mas por quem eu me tornei graças a ti!

(Escrito em 6 de janeiro de 2017)

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Identità

26 out

Nel corso della nostra vita, la nostra identità viene costruita da diversi fattori, tra i quali: il luogo in cui siamo nati, la città dove siamo cresciuti, gli amici con cui conviviamo, ecc. La nostra identità è direttamente correlata alla cultura, abitudini, ma anche a cose che, a prima vista, potevano passare inosservate. La nostra identità mostra a noi stessi e al mondo chi siamo. Questo non significa, però, che sia statica. In effetti, per tutta la vita, ella viene costruita, rinforzata, ricostruita, e qualche volta anche modificata. Credo, tuttavia, che la sua essenza, quella sì, sia immutabile. Se c’è stato un cambiamento, non è un cambiamento, ma il risveglio di qualcosa che prima era addormentata.

Una delle cose che ci “identifica” e può dire molto su noi stessi è l’accento. Proprio così, l’accento, il modo di parlare, siccome le espressioni che utilizziamo più spesso. Quando ci siamo trasferiti in un’altra città o addirittura paese, è la “accento” che ci contraddistingue dagli altri, che ci dà una particolare identità, che ci aiuta a raccontare un po ‘di noi stessi senza senza dovere dire più di tanto.

Proprio così. Tu cambi Paese e inizialmente tutti riconoscono il tuo accento, la tua “differenza” che può essere visualizzata sia positivamente che negativamente. Indipendentemente dai giudizi, quella sei tu. Il tempo passa e pian piano quel modo “caricato” di parlare viene lasciato alle spalle. Improvvisamente ti vedi, non senza accento, ma con un accento completamente diverso. Presto ci pensi, mi sto prendendo l’accento della gente di qui! Hahaha … dolce illusione!

Ecco che, andando a visitare il tuo vecchio paese, o semplicemente parlando con qualcuno nella tua detta lingua madre, ti rendi conto che è vero, il tuo accento non è più lo stesso, ma è anche diverso da quello delle persone che attualmente vivono con te. Per le persone del vostro vecchio paese, parli come le persone della tua nuova casa. Per quelle della tua nuova casa, parli come le persone dal  tuo vecchio paese. A questo punto ti rendi conto che né una cosa né l’altra è vera al 100%. E il cervello va in “tilt”.

Va bene, il mio accento rivela la mia identità. In questo momento, il mio accento non è né questo né quello. Cioè, l’ho perso. Ho perso completamente l’accento. Dal momento in cui l’accento è associato con l’identità, avrò perso anche questa? Può darsi.

Forse questi cambiamenti offerti dalla vita contribuiscono in qualche modo a “lasciarsi alle spalle” qualche caratteristica  della nostra identità viste dal senso comune, ci lascino “decostruire” alcuni dogmi formati, radicati dentro di noi e ci permettono di aprirsi per (ri) costruire un’altra (anche se è sempre la stessa) identità. Una identità, tuttavia, che è completamente nostra, esclusiva, e che ci rende individui unici in un mondo così pieno di l(i)mitazioni!

(imitazioni- limitazioni- limiti)

029

Identidade

25 out

No decorrer da nossa vida, a nossa identidade vai sendo construída através de várias coisas, dentre elas: o lugar em que nascemos, a cidade onde crescemos, os amigos que frequentamos, etc. Nossa identidade é diretamente associada à cultura, aos hábitos, mas também a coisas que, à primeira vista, poderiam passar despercebidas. Nossa identidade mostra a nós mesmos e ao mundo quem somos. Isto não significa, porém, que seja estática. Na verdade, ao longo da vida, ela vai sendo construída, reforçada, reconstruída e, às vezes, até modificada. Acredito porém que a sua essência, aquela sim, seja imutável. Se houve uma mudança ali, não é um mudança, mas a revelação de algo que estava adormecido.

Uma das coisas que nos “identifica” e pode dizer muito sobre nós mesmos é o sotaque. Isto mesmo, o sotaque, o jeito de falar, bem como as expressões que usamos com mais frequencia. Quando mudamos de cidade ou até mesmo de País, é o “sotaque” que nos diferencia dos demais, que nos dá uma identidade particular, que ajuda-nos a contar um pouco de nós mesmos, sem precisar dizer muito.

Pois é. Tu mudas de País e, inicialmente, todos reconhecem o teu sotaque, a tua “diferença”, que pode ser vista tanto positiva quanto negativamente. Independentemente de julgamentos, aquela és tu. O tempo passa e aos poucos aquele jeito “carregado” de falar vai ficando para trás. De repente, te vês não sem sotaque, mas com um sotaque completamente diverso. Logo pensas: estou ficando com o sotaque do pessoal daqui! Hahaha… doce ilusão!

Eis que, indo visitar o teu velho País, ou simplesmente conversando com alguém na tua dita língua mãe, te dás conta de que sim, teu sotaque não é mais o mesmo, mas também é diferente daquele das pessoas com quem convives atualmente.  Para as pessoas do teu velho País, fala como as do teu novo lar. Para as do teu novo lar, falas como as pessoas do teu velho País. Te dás conta então que nenhuma coisa nem outra é 100% verdadeira. E o cérebro vai em “tilt”.

Ok, meu sotaque revela a minha identidade. Neste momento, meu sotaque não é nem este, nem aquele. Ou seja, eu perdi. Perdi o sotaque completamente. Visto que o sotaque se associa à identidade, será que perdi esta também? Talvez.

Talvez estas mudanças oferecidas pela vida contribuam de certa forma a “deixarmos pra trás” algumas características da identidade vistas pelo senso comum, nos deixem “descontruir” alguns dogmas formados, enraizados dentro de nós e nos permitam, nos deem abertura para (re) construir uma outra (embora seja sempre a mesma) identidade. Uma identidade, porém, que é completamente nossa, exclusiva, e que nos torna pessoas singulares em um mundo tão cheio de  (l)imitações!

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Numa sexta-feira qualquer

25 set

Sexta-feira, 23 de setembro de 2016, 19:45h. Ônibus lotado, um monte de gente em pé. Como infelizmente ocorre quase sempre, alguns jovens sentados, arrumados para ir pra festa (estamos na Semana da Moda) e trabalhadores, idosos e outras pessoas, cansadas devido à dura jornada ou ao peso da idade, em pé se equilibrando.
Com o tempo eu aprendi que se se libera um lugar para sentar perto de onde estás, convém aproveitar. Sem pensar duas vezes, vou lá e sento.
“Credo! Como assim? E os idosos? E as gestantes?”
Calma, posso explicar.
Mais de uma vez aconteceu que, quando um lugar se liberava, o tempo que eu levava para chamar a pessoa idosa e avisar que tinha um assento livre era maior do que o tempo que um “espertinho” praticamente “se jogava” no banco para garantir o seu lugar. Então, hoje em dia eu faço diferente. Eu sento. Sento e, sentada, ofereço o meu lugar. Às vezes até com “telefone sem fio”, cutuco uma pessoa e digo: “Podes chamar aquele senhor ali pra mim, por favor? Obrigada!”
Um episódio destes aconteceu justamente na viagem que comecei a descrever acima. Desta vez porém o desfecho, especialmente para mim, foi muito particular.
Como comentei logo acima, o ônibus estava lotado, várias pessoas em pé. Dentre elas, um casal. Um casal que se via que eram pessoas com dificuldades econômicas. A gente percebia. Sabem quando uma pessoa (a mulher) tenta se vestir bem, toda combinada, usar bolsa, etc, mas percebes que provavelmente mora na rua? Pois é. Já o homem, que depois soube que era sim seu marido, um senhor magrinho, já de barba e cabelos brancos, carregava uma mochila nas costas que parecia ser super pesada.
Quando entrei no ônibus eles já estavam lá. Sobe gente, desce gente, senta, levanta e eles lá. Até que eu consegui sentar. No que eu sentei, como sempre faço, olhei ao meu redor para decidir para quem eu iria oferecer o meu lugar. Chamei então aquele senhor e para que ele não se sentisse constrangido, comentei que sua mochila devia estar bem pesada, por isso estava lhe oferecendo o meu banco! O senhor me olhou e sorriu, com os olhos marejados. Me agradeceu, concordou que a mochila era sim bem pesada, mas me fez um pedido: “Se eu ñ me importava, ele preferia ceder o lugar para a sua esposa, que “não estava se sentindo muito bem”. E juro, fazia tempo que eu não via alguém assim tão agradecido por um gesto tão simples. Ficamos então os dois em pé, um ao lado do outro e começamos a conversar. Tenho certeza que o sorriso daquele casal, olhos marejados, irá sempre me acompanhar.

Resumindo um pouco da sua história: italianos. Faltavam 2 anos para completar 40 anos de serviço quando as coisas mudaram. Se viu aposentado, ganhando muito menos. Ficaram doentes, mais gastos. Por 28 anos pagou o “mútuo” (investimento) para ter uma casa própria. Hoje, ficaram sem nada. Ele e a esposa vivem na rua. Sempre emocionado, me conta como é difícil a vida nas ruas e como se envergonha de às vezes precisar pedir esmola. Para ele esta é a pior parte, porque é neste momento (palavras dele) que o homem perde a dignidade. E ele continua contando coisas sobre a sua vida, sobre o fato que às vezes comem coisas que ñ deveriam, mas precisam sobreviver (imagino que em alguns momentos foram buscar no lixo alguma coisa). Fala que está em tratamento de saúde, mas nem sempre consegue medicação. Percebo seu hálito com um inconfundível cheiro de álcool e falamos também sobre isto. Não, ele não estava bêbado ou algo parecido, mas muitas vezes, especialmente agora que começa a esfriar, a bebida acaba sendo um modo para se aquecer. Italianos, moradores de rua após uma vida inteira trabalhando. Talvez se não fosse pela mochila meio gasta e pelo chinelo de dedo que a senhora usava (que não combinava com o vestido), teriam passado despercebidos. Limpos, bem cuidados, ele a tratando com todo o carinho do mundo.
Chegou a hora de eu descer. Ele? Me agradeceu. Não me pediu nada, absolutamente nada. Eu comentei que, quem sabe, ainda iríamos nos reencontrar.
Depois de descer do ônibus, pensei que talvez eu pudesse ter feito algo mais por eles. Podia ter perguntado onde costumam ficar, o que precisam com mais urgência, enfim. Bem, mas nada é por acaso. Se tiver que ser, um dia nossos caminhos se cruzarão novamente e eu talvez possa fazer algo mais por estas pessoas que me deram a oportunidade de mais esta reflexão.